Diário de Bordo: O Dia a Dia em Pequenas Histórias
15.000 km, 365 dias de bicicleta e 138 relatos de estrada escritos no calor do momento. Uma jornada humana pela América do Sul preservada exatamente como foi sentida e registrada.
15.000 km pedalados
365+ dias de viagem
7 países
138 relatos originais
13 etapas
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FASE 01 DA EXPEDIÇÃO6 relatos nesta etapa
Preparação & Treinos (2008)
Fev a Out de 2008 • Viagem treino Curitiba-Floripa, Graciosa, fratura e preparativos
Relato #01(ID: 55)
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
Viagem Treino - Curitiba-Florianópolis (506km pela rota escolhida)
A chegada em Curitiba
Nosso plano era realizar alguma viagem mais curta antes da longa viagem pela América. E como não éramos experientes foi uma boa idéia. Saímos de Ourinhos na madrugada do dia 7 de fevereiro de 2008. O ônibus atrasou um pouco e acho que saímos pouco depois da meia noite. Assim que entrei no ônibus o meu estresse do dia anterior no trabalho começou a desaparecer e minha ansiedade também. Afinal eu estava de férias! Muitas pessoas nos perguntaram porque ir de ônibus até Curitiba. Acho que foi uma boa idéia, pois o percurso de Ourinhos a Curitiba é bem puxado e são 420 km. logicamente gostaríamos de seguir por um caminho mais próximo do litoral e não era nosso objetivo cruzar o estado do Paraná e sim ir de Curitiba a Floripa.
Estimamos que rodaríamos uns 420km entre as duas cidades e mais uns 80 a 100km em Florianópolis. Não fazíamos idéia de quantos dias ficaríamos na estrada. Martinho tinha que voltar logo que chegássemos em Floripa, mas eu não fazia idéia se voltaria com ele ou mesmo se seguiria viagem sozinho para outro lugar. Na verdade eu queria ir mais para o sul, quem sabe até o Rio Grande do Sul, cheguei a pensar em Porto Alegre.
Às vezes quando imaginamos uma viagem temos uma visão extremamente romântica, é tudo perfeito, mas na pratica as coisas não são assim tão simples. De qualquer forma, entrar no ônibus era o inicio da realização de um sonho antigo e sendo romântico ou não, era meu.
Chegamos no terminal rodoviário de Curitiba por volta das 6 horas da manha do dia 7 de fevereiro e começamos a montar as bicicletas e arrumar a bagagem ali mesmo na plataforma dos ônibus. Uma pequena platéia de transeuntes ficou ali perto nos olhando enquanto tomavam café e iam para mais um dia de trabalho. Paramos num guichê de informações para aquelas perguntas básicas sobre distancia e que direção seguir. Eu já conhecia Curitiba, mas não sabia exatamente qual seria o caminho mais curto até a estrada da Graciosa, caminho que já tínhamos em mente. Ficamos uns 30 minutos ali conversando com aquele senhor. É muito bacana conhecer gente nestas circunstancias e ver a reação de cada um quando falamos sobre as viagens. Saímos da rodoviária sabendo que deveríamos seguir pela BR 116 sentido São Paulo, pois o inicio da descida da Serra da Graciosa era um pouco mais para nordeste de Curitiba. Foi o que fizemos, apenas demos uma parada de mais meia hora numa padaria bem próxima à BR para tomar um bom café da manha e calibrar os pneus num posto. Tiramos fotos e conversamos com os "nativos" dali, como gostamos de nos referir aos moradores locais. Descobrimos que a dona da padaria, dentro do posto era de uma cidade próxima a Ourinhos, agora não me lembro o nome. Pegamos o rumo da Regis Bittencourt (BR 116) e não sabíamos absolutamente nada sobre o trajeto. A rodovia é bem movimentada, pois liga duas importantes regiões do país, porem é bem tranqüila para ciclismo, pois tem um belo acostamento. Paramos duas vezes no caminho. Uma foi para comprar água e a outra foi para que o Martinho pudesse arrumar seu guidão que estava soltando. Uma garoa começou a cair e resolvi proteger minha câmera (um dos meus instrumentos de trabalho) com uma capa especial de látex para que pudéssemos fazer fotos debaixo de chuva. Minha câmera é uma reflex digital e fica bem grande com a lente, mas a qualidade das imagens compensa o sacrifício de carregá-la para todo lado. Conforme fomos nos distanciando de Curitiba, a paisagem urbana de grande metrópole foi sendo substituída por uma mata fechada. Foram 41km até encontrarmos a primeira placa com o nome "Estrada da Graciosa". Foi uma felicidade, tiramos fotos na frente da placa. Logo mais à frente nos deparamos com a entrada da Graciosa, um belo portal de tijolos com grandes portas para passagem de carros e detalhes em madeira. Fizemos algumas fotos ali. Havia uma placa dizendo algumas distancias de cidades mais próximas ao litoral. O portal me pareceu muito antigo. Nossa próxima parada seria Morretes, a 34km dali. Pensávamos que dali em diante seria só descida e eu particularmente achava que chegaríamos para almoçar em Matinhos (litoral). Ilusão, quando passamos o Portal percebemos que haviam algumas subidas por ali. Logo começou uma neblina muito forte e uma leve garoa. Estávamos muito felizes e nem ligamos. Acoplei nossa filmadora ao garfo da bicicleta e seguimos. Paramos em alguns riachos e mirantes muito bonitos e logo em seguida percebemos que a descida começaria.
O portal da Graciosa
Da Serra da Graciosa ao litoral
Começamos a sentir uma ajudinha da lei da gravidade e os quilômetros começaram a passar rápido. Para nossa surpresa, em uma curva mais fechada, acabamos caindo os dois. Alguns minutos e gargalhadas depois nos recompomos e percebemos que é uma estrada perigosa e tínhamos que reduzir a velocidade. Por sorte ninguém se machucou e o melhor de tudo é que ficou registrado em vídeo, pois eu estava com a câmera na bicicleta, logo atrás do Martinho. Se fosse um despenhadeiro teríamos caído. Um quilometro mais abaixo percebemos que o pneu dianteiro do Martinho tinha furado na queda. Voltamos alguns metros e paramos num quiosque que havia ali. Trocamos a câmara furada e aproveitamos para tomar uma água de coco. Acabamos conversando um pouco com o vendedor que disse que tinha seis filhos! Continuamos e logo chegamos a um trecho que não é o sonho de ciclista algum: 10 quilômetros de paralelepípedos. Eu particularmente odeio a vibração e isso machuca muito as minhas mãos. Então nosso ritmo se reduziu muito. Aproveitamos e fomos filmando e tirando fotos de cada coisa que julgávamos interessantes. A serra é linda e suas paisagens, mesmo com tempo fechado, são fenomenais. O tempo melhorou e encontramos um rio muito bonito, ficamos ali um pouco e logo mais abaixo uma linda ponte de ferro. Mais fotos!
A estada da Graciosa ficou para trás. Estávamos praticamente ao nível do mar e com fome, pois já era mais ou menos 1:30 da tarde. Foi então que percebemos que o pneu do Martinho estava meio murcho. Apertamos o passo para chegar logo em Morretes e almoçar. Morretes é um lugar absurdamente calmo e cheio de construções antigas. Assim que chegamos perguntei a uma menina que passava onde tinha uma bicicletaria e um restaurante. Martinho foi até a bicicletaria verificar o que ocorrera com seu pneu e logo em seguida fomos a um restaurante. No cardápio um belo barreado. Comi muito bem e logo senti que estava com as baterias novas. Saímos de Morretes por volta das 4 da tarde em direção ao litoral. Esperávamos chegar logo a Matinhos e logo em seguida ao nosso destino do dia: Guaratuba. Mas dificuldades estavam só no começo. Passamos por um trecho um pouco difícil, com algumas subidas e calor. Eu não esperava por isso ali próximo ao litoral. Afinal estávamos com alguma bagagem (estimo uns 15 kg). Fomos em direção a SC que liga Curitiba ao porto de Paranaguá. Muito movimentada, mas uma bela estrada. Por volta das 6 da tarde começou um pé dagua, Já tínhamos pedalado uns 100km e eu particularmente estava um pouco cansado. A chuva não deu trégua e nos acompanhou até o litoral. Pedalamos um bom trecho no escuro e com chuva forte. Eu não fazia idéia que teríamos que pedalar durante a noite, então meu farol estava bem no fundo da bagagem. Nem pensei em pegá-lo sob aquela chuva forte. Fizemos uma breve parada num posto policial para o Martinho ir ao banheiro e logo percebi que estava com muito frio. As paradas nessas condições não são uma boa idéia. A estada parecia não acabar. Uma reta sem fim, escura e fria. Não foi fácil. Percebi que apesar da chuva e do frio a calça de lycra que havia comprado estava cumprindo muito bem o seu papel, já que diminuiu bem a sensação de frio. Chegamos em Matinhos e ligamos para casa avisando que estávamos no litoral. Logo saímos em direção a Caiobá para pegar a balsa até Guaratuba. A chuva apertou e acabou molhando boa parte das nossas bagagens. Na verdade virou uma tempestade. Mesmo o que estava protegido no alforge de lona acabou molhando um pouco. Somente o que mantínhamos dentro dos sacos estanque de PVC ficou totalmente seco. Entramos na balsa sob forte chuva e os ventos não estavam menos fortes. Comecei a tremer de frio. Não é fácil parar, ficar vários minutos sem pedalar e ter que voltar a pedalar debaixo de chuva. Tem que ter muita força de vontade mesmo!
Serra da Graciosa/PR
Até ali tínhamos rodado uns 150km. E era claro para nós que precisavamos achar um lugar para passar a noite. Já eram nove e meia da noite. Assim que chegamos em Brejatuba, ao lado de Guaratuba, fizemos uma comprinha para nosso jantar e começou a longa procura da casa de uma conhecida do Martinho que nos daria a chave de uma casa próxima a praia para passarmos a noite. Alguns quilômetros e telefonemas depois, acabamos encontrando o local e a casa graças a um "nativo" ao qual eu tive a idéia de perguntar sobre a pessoa que procurávamos. No meu odômetro estava 162km e foi a maior distancia que eu já percorrera num dia de bicicleta. Finalmente as 10:30 ou 11:00 estávamos abrigados.
A chegada em Santa Catarina
Nossa idéia inicial era apenas passar a noite na casa, mas constatamos que nossa roupa estava suja e molhada e boa parte da nossa bagagem estava molhada também. Isso incluía uma poça dagua dentro do alforge! Então decidimos ficar o dia todo para lavar e secar as coisas. Felizmente o dia começou com um Sol maravilhoso e pudemos secar tudo. Na frente da casa havia um barzinho e tomamos uma cervejinha. À tarde, depois de uma ligeira soneca, fomos até uma lanhouse para salvar as fotos, enviar e-mails e baixar os vídeos que estavam na câmera. No fim da tarde limpamos a casa, jantamos e arrumamos boa parte da bagagem. Combinamos que sairíamos cedo para pedalar se não estivesse chovendo. E não estava, o Sol apareceu novamente. Infelizmente não conseguimos sair muito cedo. Sempre atrasamos devido a vários fatores. Mas como estamos de ferias não convém esquentar a cabeça. Por volta das 9:30 ainda estávamos de saída. Paramos num posto para calibrar os pneus e logo mais à frente constatei que o excesso de água de dois dias atrás havia danificado meu velocímetro. Depois de tentar por vários minutos desisti e resolvi comprar outro novo na bicicletaria. Uma pena, pois o meu voltou a funcionar alguns dias depois. Conseguimos entrar no ritmo lá pelas 10:30 da manha. Logo estávamos em Santa Catarina. Um pouco estressados pelo calor e pelos atrasos, mas chegamos á praia de Itapoá. Fizemos umas fotos e resolvemos pedalar uns quilômetros pela praia. Enfim, depois daquela chuva toda era a primeira praia com Sol que pegávamos. Pedalar na praia não foi uma boa idéia, pois as bicicletas ficaram cheias de areia e isso as deixa um barulho muito feio e irritante!
Seguimos pelo litoral e chegamos a um trecho sem asfalto. Sabíamos disso, mas percebemos que seria um dia difícil. Eu não consigo imprimir velocidade neste tipo de terreno devido à vibração causada por aquelas costelinhas que se formam numa estrada de areia. O calor apertou e minhas mãos começaram a doer. Paramos num quiosque na beira do mar e tomei um suco bem gelado. Ficamos ali uns minutos, mas logo seguimos em direção a ilha de São Francisco do Sul. Chegamos a Vila da Glória, onde existe um trapiche enorme e um barco que leva as pessoas até a ilha. Ficamos ali por mais de 1h. Martinho fez uns telefonemas para tentar localizar uma pessoa conhecida dali. Eu aproveitei para acessar a internet, carregar o celular e avisar algumas pessoas sobre onde estávamos. É incrível como em cada canto tem um estabelecimento com Internet hoje em dia. Também enviei uma foto nossa para um amigo chamado Fernando Cavezali, que havia aceitado o desafio de ser nosso assessor de imprensa. Fernando conseguiu publicar em dois jornais de Ourinhos uma reportagem sobre nossa viagem treino. Às 16 horas o barco nos levou para a ilha de São Francisco. Era o ultimo barco daquele dia, então tínhamos que ir de qualquer jeito. Um Sol de rachar e fome. Eu estava com fome! Apos uma breve procura e uma discussão sobre comer ou não, achamos um lugar para comer. Martinho suporta varias horas sem se alimentar, mas eu fico acabado se ficar muito tempo sem comer comida de verdade nestas condições. Fico meio letárgico e preciso me alimentar logo. São Francisco do Sul possui um grande porto e suas construções são bem antigas como em Morretes, parecem remontar ao inicio do século XX.
Barra do Sul/SC
A saída de Barra do Sul
Nosso próximo destino era a cidade de Barra do Sul. Lugar que eu tive a oportunidade de conhecer nos verões de 1999, 2000 e 2001. Saímos da ilha e encontramos uma bela e rápida estrada. Nosso ritmo foi muito bom neste trecho e resolvemos parar para tomar um caldo de cana. O trecho de uns 20km antes de Barra do Sul foi um pouco cansativo, mas finalmente chegamos. Neste dia rodamos uns 95km Assim que chegamos, bem no final da tarde, fomos até a praia e logo percebi que algo estava diferente por ali. Comentei com o Martinho que parecia que o mar estava mais próximo. Demos uma pedalada até achar um camping, onde acabamos passando a noite. Procurei também a casa de uns amigos antigos, mas devido a grandes mudanças que ocorreram neste lugar nos últimos sete anos eu não tive certeza se realmente achei. Conversamos com alguns moradores dali e acabaram confirmando o que eu suspeitava: o mar havia se revoltado e acabou tomando uma grande faixa da praia. Levou também algumas casas e dunas. Eu fiquei assustado e não poderia imaginar que um lugar pudesse mudar tanto em tão pouco tempo. Havia uma casa muito bonita bem na beira da praia. Desta casa achei apenas o alicerce no meio da areia. Isso me fez pensar como as coisas são voláteis e realmente acabam um dia. Mas por outro lado acabei percebendo que a natureza sempre da um jeito e é possível perceber que a mata próxima ao mar está mais bonita. É como se a natureza pegasse de volta o que lhe é seu de direito.
Acampamos em meio a ataques de pernilongos gigantes que picavam por cima da roupa! Tomei um belo banho e comemos um doce de banana chamado “cuca”. Muito bom! No meio da noite uma leve chuva caiu. Acordamos bem cedo para nosso quarto dia de luta. Tirei uma foto do Sol nascente e logo começamos a arrumar a bagagem e desmontar a barraca. Desmontar a barraca molhada e cheia de areia não é fácil. A areia não sai e você acaba levando consigo algum peso a mais em areia e água. Arrumar a bagagem do Martinho é sempre um baile. Demora muito, pois ele resolveu não levar o alforge e sempre precisa de ajuda para montar uma bela gambiarra com elásticos e sacos em cima da garupa. Após nos despedirmos dos donos do camping seguimos pela rua principal até o final da praia. Tínhamos decidido não voltar para uma estrada, mas sim seguir a praia por uma estrada de terra que sabíamos que existia, mas não sabíamos seu comprimento e muito menos as suas condições. Assim que andamos uns quilômetros vimos uns motoqueiros fazendo um “motocross” nas dunas. Achei muito interessante. Eles pulavam e estavam com todo aquele equipamento. Chegamos a um trecho de uns 100 metros completamente alagado por uma água escura e com cheiro forte de ferro. Por um breve momento pensamos em voltar, mas decidimos seguir. Liguei novamente a câmera filmadora, tiramos umas fotos e esperamos um carro e uma moto, que estavam vindo no sentido contrario, passarem. Pudemos ter uma idéia da profundidade (uns 30 centímetros em alguns pontos). Claro que deixei o Martinho ir à frente. Fiquei só olhando se realmente era possível. Ele passou pedalando com um certo esforço. Então decidi ir também. “Passamos o primeiro lago!”, eu disse, mas tinha muito mais pela frente. Martinho caiu num belo mergulho ao tentar passar pela poça seguinte. Novamente, muito bem registrado em vídeo! Neste desci da bicicleta e resolvi empurrá-la. Minhas meias brancas agora eram completamente marrons. E até mesmo a parte de baixo de meu alforge molhou um pouco. Em seguida passamos pelo pior trecho da viagem, 20km de areia com aquelas costelinhas que eu adoro! Novamente ritmo de tartaruga até chegarmos à rodovia BR 101. Assim que chegamos a BR passamos num posto para jogar uma água nas bicicletas e comprar água. Sempre tomamos água mineral na viagem. Pedalar na BR 101 é muito bom. Apesar de ser muito movimentada, é um tapete plano. Uma delicia. Almoçamos um belo rodízio e seguimos para Balneário Camboriú. O Sol não deu trégua, mas percebi que para não se preocupar com ele bastam basicamente 3 coisas: Óculos escuros, protetor solar e água. Se você tem isso não tem problema. Algumas vezes eu tirava os óculos e me perguntava como estava agüentando pedalar naquele Sol escaldante. Mas você se acostuma. Em nenhum momento senti qualquer tipo de ensolação na viagem. Durante as dificuldades da viagem acabei percebendo que conviver com alguém por dias seguidos, 24 horas por dia, não é uma tarefa fácil. Devem-se relevar algumas coisas e muitas vezes discute-se por vários minutos coisas sem importância. Martinho é um companheiro, mas às vezes porta-se como pai e isso me incomoda um pouco. Sou meio individualista e gosto de ter uma visão global das coisas. Martinho é muito detalhista, embora seja um pouco desorganizado e consegue ser mais distraído do que eu próprio (ele vai querer me matar quando ler isso), mas estamos aprendendo juntos. Mais ou menos como num casamento!
Nosso percurso
A chegada em Balneário Camboriú
Finalmente chegamos em Balneário Camboriú. Já estive inúmeras vezes nesta cidade maravilhosa. Trás-me muitas e boas lembranças. Gosto muito do agito noturno e do ambiente multicultural. Movimentado, mas sem estresse. Assim que chegamos fomos para a orla. Depois de uns minutos de discussão, Martinho resolveu telefonar para uma antiga amiga que poderia nos emprestar um apartamento no qual poderíamos passar a noite. Dois seres estranhos, cheios de bagagem com calças pretas de lycra e capacetes no meio daquele Sol e gente desnuda chamam um pouco a atenção. Logo uma moça começou a fazer fotos da gente com seu celular. Perguntou se estávamos vindo de Ourinhos e respondi que vínhamos de Curitiba e que era uma viagem de preguiçosos! Passei meu e-mail para ela, para que pudesse me enviar as fotos e seguimos para o apartamento da Denise para pegarmos a chave com ela. Chegamos ao apartamento. Martinho e Denise ficaram horas colocando o papo em dia enquanto eu quase dormia. Depois de uma conversa a três, decidimos ficar um dia todo em Camboriú, pois queríamos visitar algumas praias próximas, e muito bonitas, antes de seguir viagem. A atmosfera de Camboriú é muito interessante. Sempre muita gente nas ruas à noite e a cada dez pessoas que se cruza, pelo menos seis está falando espanhol. O numero de argentinos é absurdo, apenas superado pela praia de Bombinhas, mais ao Sul. Ah! Foi muito bom dormir em algo macio de novo, mesmo sendo um sofá (Martinho ficou com a cama) foi maravilhoso, dormi como uma criança. Quando acampamos em Barra do Sul acordei várias vezes durante a noite por causa do chão duro demais! No dia seguinte acordamos não muito cedo. Sai procurar uma padaria para tomar um belo café da manha e depois dei uma volta na praia. Preparei o almoço: uma macarronada. Na verdade este foi o primeiro macarrão que fiz na vida e, graças às instruções do Martinho, ficou muito bom! À tarde fomos fazer o tal passeio pelas praias próximas, sem bagagem. Rodamos uns 22km ao todo. Seguimos pela rodovia Interpraias que liga algumas praias próximas. Um caminho muito bonito e que eu adoro. Passamos em Laranjeiras e logo começou a chover de leve. Depois fomos até a praia de Taquaras e Estaleiro. Dois lugares excepcionalmente bonitos! Na praia de Taquaras eu não resisti a um banho de mar. Martinho veio logo em seguida. Durante o banho de mar um fato muito engraçado ocorreu: Uma onda me pegou de jeito e acabei perdendo meus óculos relativamente caros, que mandei fazer especialmente para a viagem. Foi uma decepção. E o pior é que os outros haviam ficado no apartamento e tenho sete graus de miopia! Fiquei ali na praia andando de um lado para outro, procurando. Meia hora depois fui até um rapaz que pescava a uns 30 metros dali e disse: “Se tu pescar uns óculos ai, segura que é meu!”, e logo seus filhos e amigos estavam procurando como loucos. O rapaz e sua esposa também vieram ajudar. Eu já estava desanimado e desacreditado. E então um menino de uns 12 anos veio correndo em minha direção com os óculos na mão. Foi uma alegria! Sai correndo com ele, o abracei e agradeci a todos que estavam aí. Foi realmente uma sorte terem achado. Retribui o menino Marcos com uma gorjeta e ambos ficamos muito felizes. Tiramos uma foto de todos para enviar posteriormente. O fato de ter perdido e recuperado meus óculos valeu o dia para mim. Chegando na praia do Estaleiro levamos um susto: Em algumas descidas a bike atinge velocidades muitas vezes superiores ao limite das placas. Estávamos descendo uma ladeira íngreme quando percebi que o Martinho estava com muitas dificuldades para fazer a curva. Por pouco não caiu! É muito fácil perder o controle com a pista molhada numa curva fechada a mais de 50km por hora! Mas saímos dessa. Os freios da bike não funcionam muito bem com chuva. Geralmente as sapatas se desgastam muito rápido em ambientes com água e areia. O susto me fez pensar em colocar pelo menos um freio a disco na bicicleta para a próxima viagem. Voltamos para Camboriú pouco antes de anoitecer para comer uma pizza e dar uma volta a pé pela cidade.
Martinho e Balneário Camboriú ao fundo
Itapema e Bombinhas
No dia seguinte fomos entregar as chaves do apartamento para a Denise. Nos despedimos e pegamos novamente a BR 101 sentido Sul. Nosso próximo destino seria a para de Itapema e depois Bombinhas. Neste dia fizemos um percurso bem calmo. Camboriú é relativamente próximo a Bombinhas. No caminho para Itapema paramos num posto e vimos uma bicicleta toda cheia de adesivos e bagagem encostada na parede. Eu disse: “Martinho, tem um louco aqui!”, e logo avistamos uma figura de boné sentado no canto almoçando. Seu nome era Alejandro Ramos, uruguaio. Ficamos ali uns minutos e tiramos fotos com ele. Ele nos disse que está há 1 ano na estrada e começou a listar os estados brasileiros que já havia passado, com forte sotaque: “Já passei Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia...” e etc... O último que me lembro que citou foi Maranhão! Nos disse que já rodou por volta de 10.000km. Foi um encontro bem interessante. Ao passarmos pela praia de Itapema, paramos numa farmácia para pedir uma informação. Assim que Martinho encostou na calçada sua sapatilha enroscou no pedal e ele acabou caindo e rolando no meio da calçada. Foi tudo bem rápido. Ele caiu, rolou e se levantou. A bike fez um barulhão. Assim que entrou na farmácia um rapaz disse: “É, cada um desce da bicicleta como quer né!”. Isso foi hilário. Fomos até uma loja de dois amigos do Martinho. Ficamos de prosa mais de 1 hora. Depois fomos para uma churrascaria almoçar. Sabemos que carne demais, sol e estrada não combinam muito, mas é irresistível! Uma hora depois seguimos pela praia de Itapema até a península onde fica a praia de Bombas e Bombinhas. Passamos por Porto Belo e me lembrei que ali tinha sido o ponto de partida da grande viagem que a família Schurmman fez recentemente seguindo os passos do navegador português Fernão de Magalhães. Admiro muito eles. O caminho próximo a Bombinhas tem umas ladeiras fenomenais e pouquíssimo acostamento. Neste momento desci da bike para empurrá-la com mais segurança. Martinho, sempre um guerreiro, nunca desce da bike! Chegamos em Bombinhas e fomos procurar um camping. Para nossa surpresa, muito mais caro que o normal, já que o alto numero de turistas estrangeiros da uma inflacionada nos preços da região. Armamos a barraca com uma chuva leve. É impressionante como armamos rápido a barraca! Novamente podíamos descansar. Acampamos um lugar chamado “Retiro dos padres”. Um lugar lindo com uma pequena praia rodeada de pedras. Nossa barraca ficou a uns 3 metros das pedras onde as ondas quebravam. É muito bom dormir com o mar tão perto! A noite chegou e o nosso pior jantar também. Acabamos comendo pão com salsichas! Nada mal e a fome é um tempero especial.
A manhã do sétimo dia começou com um Sol forte e isso foi muito bom, pois secamos tudo que estava molhado. O dia foi passando e fomos ficando. Fomos até a paia da Lagoinha, ao lado e resolvemos embarcar num passeio de escuna. Não foi muito barato, mas valeu a pena. O barco nos levou até a ilha de Porto Belo e parou para mergulharmos. O passeio de 4 horas foi muito bom e até visitamos um museu de historia natural marinho. Voltamos para Bombinhas umas 3 da tarde e fomos almoçar. Ainda tínhamos que dar um jeito de chegar a Florianópolis naquele dia.
O destino
Eu tinha que tomar uma decisão: Ficar mais uns dias na estrada sozinho ou voltar com Martinho assim que chegássemos em Floripa. Martinho tinha muitos compromissos no trabalho dali a dois dias. Eu disse: “Martinho, vou continuar sozinho”. Ele disse: “Beleza cara, por mim tudo bem”. Desmontamos a barraca e saímos rumo a BR novamente. Nosso destino agora seria Florianópolis. Saímos tarde demais e foi ficando claro que pegaríamos noite novamente. Para nossa surpresa acabamos encontrando nosso amigo Alejandro novamente! Uma coincidência incrível. Alejandro também estava indo para Floripa e nos acompanhou. Foi durante este percurso de mais ou menos 80km que descobrimos realmente o quão maluco era este Alejandro. Descobrimos que ele fuma. Na verdade acende um cigarro a cada 10 km, sem nem mesmo parar a bicicleta! Bebe somente água de torneira e veio nos contando suas aventuras malucas, seus encontros amorosos e fraturas pelo caminho. Fiz algumas perguntas sobre como era pedalar fora do Brasil e Alejandro foi respondendo. Perguntei se ele já tinha pedalado nos Andes e como eram as estradas no Uruguai e Argentina. Me disse que os uruguaios são muito receptivos com os ciclistas e que os argentinos dirigem como loucos. Sobre os argentinos eu já sabia. De qualquer forma, em breve eu saberei por mim mesmo. Alejandro também nos disse que certa vez, perto de São Paulo ele caiu e quebrou o braço, mas que continuou a pedalar com o braço fraturado. Ainda não sei se acredito ou não em algumas coisas que me disse. Nos disse também que uma vez, descendo a serra de Santos a policia o parou por excesso de velocidade! Cada história maluca! Alejandro tem uma espécie de adesivo reflexivo na parte de trás do capacete. Isso é bom. Eu mesmo tenho dois daqueles feitos para motoqueiros. O dele brilhava muito e perguntei onde tinha comprado. Ele disse: “Este pequei da rodovia Raposo Tavares em São Paulo!”. Ele havia pego um daqueles “olhos de gato” que ficam naqueles postinhos na beira da pista! O mais interessante é que aparentemente Alejandro é bem conhecido pelos caminhoneiros da região, pois sempre que passam dão uma buzinada para ele.
Continuamos a noite rumo a Floripa. Fizemos uma parada num posto cheio de caminhoneiros, que segundo Alejandro, conseguiríamos tomar um café de graça. Tomamos e na saída formou-se uma roda de caminhoneiros a nosso redor para ouvirem nossas historias e fazerem perguntas. Muito interessante! Alejandro nos mostrou uma rota meio alternativa perto de Floripa e acabamos cortando uns cinco quilômetros assim. Outra coisa sobre este uruguaio maluco é que ele mexe com cada prostituta que vê pelas ruas! Talvez as conheça mesmo.
Eu tenho um amigo chamado Luciano que mora em Floripa, mas infelizmente não consegui falar com ele, pois tinha um numero antigo seu.
ogo chegamos à ilha. Nos despedimos de Alejandro. Ficamos ali logo depois da ponte Hercílio Luz, cartão postal da cidade. Eu ainda não havia decidido se continuaria sozinho. Já eram 10 da noite e não tínhamos ninguém mais para telefonar de lá. Nossa única opção era procurar um camping ou mesmo ficar num hotel. Comecei a pensar em tudo que havíamos feito naqueles 7 últimos dias. Coloquei na conta os gastos com a viagem e o que havíamos conseguido. Afinal tínhamos rodado 506km em uma semana. Pedalamos cinco dias e ficamos descansando dois. Percebi que tinha dado até aquele momento um passo muito importante na realização do meu sonho. Então virei para o Martinho e disse: “Vamos embora?”. Eu estava com saudade da minha namorada. Já tinha gasto um bom dinheiro. Havia chegado a meu destino. Estava cansado e doido para voltar para casa. Não fracassamos. Pelo contrario, havíamos feito a viagem sem dificuldades. Eu senti a sensação de dever cumprido naquele momento. Resolvemos ir a rodoviária saber os horários de ônibus para Ourinhos. Havia um para dali a 3 horas. Isso foi o que faltava. Eu queria mesmo entrar naquele ônibus e dormir até Ourinhos. Foi o que fizemos.
Reportagem sobre a viagem
publicado por Fantinatti | 2:59:
Relato #02(ID: 56)
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
Nosso tombo na serra da Graciosa no Paraná em fevereiro/2008
Em alguns momentos, descendo a Serra da Graciosa, atingimos velocidades superiores a 50km/h e foi numa curva fechada que caímos. Tudo devidamente registrado em vídeo. Depois disso diminuímos o ritmo um pouco.
A camera acoplada ao garfo da bicicleta
publicado por Fantinatti | 7:28:
Relato #03(ID: 57)
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
Visita a Antônio Olinto em Timburi/SP - 04/05/2008
No dia 4 de maio visitamos Antonio Olinto Ferreira em seu motorhome em Timburi/SP. Uma pessoa que considero nosso consultor e que nos deu dicas importantíssimas para a viagem.
No encontro conversamos sobre o trajeto que pretendemos seguir e sobre equipamentos. Olinto foi muito atensioso com nós dois (meros iniciantes). É muito bom poder encontrar alguem que já fez tanto em cima de uma bicicleta e ainda sim leva a vida numa simplicidade eloquente. Ganhei um autógrafo em seu livro e Martinho comprou uns guias de viagem, feitos pelo Olinto e por sua namorada Rafaela.
Martinho, Olinto e Thiago
Olinto fez a volta ao mundo numa bicicleta há 15 anos atrás, rodando mais de 45000km durante mais de 3 anos de viagem. Em seu site é possível ver fotos e vídeos das suas aventuras: www.olinto.com.br
Martinho, Thiago, Rafaela e Olinto
No momento em que escrevo, Olinto deve estar indo para mais uma de suas aventuras, desta vez para o extremo norte da Europa. Um abraço amigo! Boa sorte nas suas aventuras!
publicado por Fantinatti | 7:31:
Relato #04(ID: 58)
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
Acidente no segundo dia de viagem - 08/09/2008
Amigos,
Fui ao meu ortopedista de confiança hoje dia 10/09 e ele viu que realmente meu punho esquerdo está quebrado. Viu a fratura que o medico de Ibaiti não viu. O osso radio foi lascado na ponta. Ficarei com gesso 28 dias.
Gostaria de dizer que o gesso vai ser deixado de bicicleta no mesmo lugar que caí.... Um obstáculo a mais ou a menos não faz diferença.
Ontem, dia 8 de setembro, segundo dia dos 250 dias previstos da minha viagem sofri um queda um pouco feia nas proximidades da cidade de Ventania/PR, cerca de 160km de Ourinhos, as 14h. Após um almoço e descanso numa lanchotete a beira da estrada saímos e cerca de 1km adiante numa forte ladeira me distraí por 1 segundo e o degrau do acostamento me derrubou. Eu estava a uns 50km/h e uma queda nesta velocidade com toda aquela bagagem pode ser comparada a um queda com uma moto pequena.
Tive ralados nas costas, lateral do quadril e tornozelo. Torci o tornozelo esquerdo e bati forte meu joelho esquerdo. Fui atendido no PS de Ibaiti/PR e fiz raio-x do braço esquerdo que parecia fraturado, mas por sorte não houve fratura, apenas luxação no punho e cotovelo. Fui medicado e estou tomando remedios. Hoje vou consultar meu médico pra ter uma segunda opinião. O braço não foi imobilizado.
Quando caí, o Martinho, que estava a minha frente não me viu e foi avisado por caminhoneiros 1km abaixo. Fiquei sentado esperando socorro pois estava com muita dor. Logo em seguida parou um carro com duas pessoas e o Martinho voltou. Levantaram a bike, que teve o aro traseiro bem danificado e o Martinho me ajudou a por no lugar a bermuda e o tenis que foi arrancado.
Nos levaram até a lanchonete e um rapaz chamado Maurício que passava de carro nos levou até Ibaiti para atendimento médico cerca de 1h30 depois, pois o resgate demorou.
As bikes e a maior parte da bagagem ficaram na lanchonete e hoje, dia 9, o Martinho está indo buscá-las.
Minha perna acordou bem hoje e teoricamente já pode pedalar mas o braço pode demorar de 3 a 5 semanas. A partir da semana que vem vou iniciar um treino para as pernas numa academia para não perder o condicionamento. Assim que estiver recuperado sairei de Ourinhos novamente e desta vez pra fazer certo.
Este foi o primeiro tombo sério causado por imperfeições no acostamento em mais de 1 ano e quase 7000km pedalados.
Eu sempre tiro coisas boas dos acontecimentos. Não bati a cabeça, caí perto de casa e não tive fraturas. E algumas lições: Não correr tanto nas descidas com bagagem e tomar mais cuidado com as imperfeições do acostamento. Lições aprendidas na hora certa.
Pretendo reiniciar assim que tiver condições. Com mais cuidado e mais devagar.
Como diz o personagem principal do filme "A procura da felicidade": Esta parte da minha vida chama-se "aprendizado".
Obrigado a todos!
Thiago - 09/09/08
publicado por Fantinatti | 7:52:
Relato #05(ID: 59)
Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008
Fratura, Bagagem e Preparação - 09/10/2008
Fratura
Ontem, dia 8 de outubro, 1 mes após minha queda, retirei o gesso do braço. Se eu fosse dar uma nota de 0 a 10 para o estado do meu braço seria assim: Na hora da que caí (-1). Com o gesso (0) e agora eu daria nota 4 pra ele. Não está mais quebrado, mas não serve pra quase nada :-). O médico disse que em 10 dias estarei fazendo todos os movimentos.
Quando eu conseguir me apoiar com o braço esticado será a hora de pegar a estrada de novo.
Devo sair do mesmo lugar que caí. Após pensar um pouco achei essa uma boa idéia já que o trecho de quase 160km até lá já foi feito. Assim o Martinho ganha mais 2 dias de pedalada e pode ir mais longe também.
Devo sair com alguma proteção para o braço no inicio. Não tenho tempo pra esperar o braço estar 100% já que o verão está chegando e depois do natal começa a corrida contra o Sol, pois os dias vão se encurtando novamente. Quem já se quebrou sabe como é. Levaria mais de 60 dias até o braço ficar perfeito. Pretendo sair com 45 dias contados do dia do tombo.
Bagagem
Três fatores contribuiram para a minha queda. O primeiro foi o debrau do acostamento muito alto. O segundo foi a alta velocidade e o terceiro a minha distração momentânea. Estes 3 fatores combinados naquele segundo me derrubaram mas se eu estivesse sem bagagem teria conseguido escapar. Isso me fez pensar em reduzir um pouco o peso e o volume do meu equipamento.
A minha bicicleta não é pesada. Do jeito que saiu da fábrica pesa 12,5 kg. Com os suportes, bagageiro e outros acessórios ela chega a 16,9 kg. Quando caí eu estava levando aproximadamente 26 kg de bagagem o que somado ao peso da bike dá uns 43 kg.
Da última vez que saí, no dia 7 de setembro eu tinha cortado alguns itens como um coturno de 1,5 kg por exemplo. Ao todo eu reduzi de 30kg para 26kg. Mas agora quero reduzir mais.
Eu estava levando um adaptador para se usar lentes 35mm na minha filmadora. O resultado do uso deste equipamento é incrivel, voce passa a ter todos os recursos de angulo, foco seletivo e perspectiva de uma camera reflex mas numa filmadora. O problema é que o adaptador com seus acessários pesa mais de 1,5kg. Tá fora. Infelizmente.
Retirando o adaptador eu tambem deixo de levar uma bolsa que o protege. Assim ganho no volume tambem.
Talvez eu deixe a pequena filmadora de ação, que pode ser presa à bicicleta. É pequena mas pesa e sua imagem não é lá grande coisa.
O pneu dobrável de kevlar vai ficar tambem. Quando eu o comprei pensava em seguir no inicio com pneus finos e pensava em usá-lo no caso de uma transição para algum terreno ruim. Ele não é muito pesado, mas é volumoso.
Se eu conseguir essa redução na bagagem não vou mais precisar dos alforges dianteiros e consequentemente de seus suportes. Somando de cabeça meio por cima, acredito que possa reduzir uns 5kg no total. Nada mal.
Outra idéia que abandonei foi a compra de um mini laptop. Pesa quase 1kg e me ajudaria no tratamento de algumas imagens. Mas tá fora tambem.
Vou deixar somente as duas cameras na bolsa de guidão. O resto vou passar pra trás. Vou prende-la melhor tambem.
Assim pretendo deixar o guidão mais estável.
Outra modificação que pretendo fazer é no bagageiro traseiro. Vou soldar um "X" nele próximo à bike. Assim vai ficar mais rígido.
Acredito que essas modificações vão deixar a pedalada mais fácil e mais segura. Lamento em não poder levar tudo o que gostaria, mas eu preciso pensar no melhor.
Preparação
Neste mês não fiquei parado em casa. Estou indo diáriamente à academia pedalar e raforçar as pernas. Já não tenho mais dores no joelho e tornozelo. Por incrível que pareça, estou com um ótimo condicionamento. A prova de fogo vai ser feita logo. Vou saber se posso pegar a estrada novamente se conseguir ir e voltar até a cidade de Sto.Antônio da Platina/PR. É um caminho pesado e dá quase 100km ida e volta.
Bike
A única coisa que precisei mexer na bicicleta foi a troca do aro traseiro. Não teve conserto pois estava muito torto. Ficou novo e nem parece que foi trocado.
publicado por Fantinatti | 3:25:
Relato #06(ID: 60)
Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008
Retorno às pedaladas - 22/10/2008
Conversando com alguns ciclistas experientes e descrevendo meu tombo cheguei a conclusão que provavelmente quebrei o braço esquerdo antes mesmo de cair no chão.
Quando caí não haviam marcas de pancada e minha mão estava limpa, não tocou o chão, assim como o braço todo.
Acho que quebrei o punho quando o guidão girou e voei por cima dele. Provavelmente deve ter torcido meu braço. Isso explica também a luxação no cotovelo.
Finalmente voltei a pedalar!!
Chuva, Sol e pneu furado... estrada é isso aí.. tem q gostar! Acho que até o fim do mes da pra voltar pra minha viagem...
Hoje 22/10, 43 dias depois de bater de frente com a Lei de Murphy numa curva e fraturar meu braço no segundo dia da minha viagem, finalmente consegui pedalar... Eu queria ir até Santo Antonio que daria uns 98km ida e volta mas meu pneu furou em Jacarezinho em frente a um borracheiro.. então deixei ele remendar pra mim... resolvi voltar dali pq não daria tempo de chegar e voltar de dia. Foram 52km.. Não é nada, mas pra quem quebrou o braço não ta tão ruim. Ta doendo muito, mas dá pra aguentar rsrs...
publicado por Fantinatti | 4:31:
LIVRO TRILHANDO SONHOS
Está gostando? Tem muito mais no livro!
O tombo na Graciosa, a fratura e as incertezas da partida foram apenas o prólogo. No livro Trilhando Sonhos, você acompanha em detalhes como nasceu a coragem de largar tudo e encarar o continente sobre duas rodas.
Nov a Dez de 2008 • Recomeço, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Chuí
Relato #07(ID: 61)
Terça-feira, 11 de Novembro de 2008
Recomeço da viagem
Recomeçamos a viagem exatamente do lugar em que fraturei meu braço. Saímos no dia 2 de novembro e desde ontem, 4 de novembro, estamos em Curitiba.
Amanha, dia 6, vamos seguir para Joinville, já em Santa Catarina.
Por enquanto vou ficar devendo as novas fotos no site pois a Lan House que parei não permite que eu atualize o site por conta de uma limitação técnica.
Pegamos bastante chuva no primeiro dia. Choveu durante umas 5 horas seguidas na estrada. Dormimos na cidade de Castro. Rodamos cerca de 109km neste dia.
No segundo dia, saímos de Castro rumo a Curitiba, mas seriam 160km e Sol estava muito forte. Conseguimos rodar até um posto chamado Panoramico, cerca de 32km além de Ponta Grossa. Comemos no restaurante dos caminhoneiros e dormimos na barraca, que foi armada atrás da base operacional da RodoNorte. também usamos a cozinha deles para preparar um café da manhã.
No terceiro dia chegamos em Curitiba. Ficamos na casa de uma conhecida do Martinho chamada Verônica.
Assim que possível vou inserir novas fotos no site. Provavelmente quando estivermos em Santa Catarina.
No total já rodamos mais de 420km. Somente hoje, dentro de Curitiba vamos rodar mais de 35km..
publicado por Fantinatti | 2:00:
Relato #08(ID: 62)
Sábado, 15 de Novembro de 2008
Santa Catarina
Ola pessoal,
Desculpem a falta de acentuacao pois estou digitando do palm e nao consegui acertar isso ainda.
Estou escrevendo da praia de Imbituba no litoral Sul de Santa Catarina. Amanha cedo, dia 16, vou seguir rumo ao Sul do estado.
Nao sei quando vou entrar numa lan house pra por mais fotos no site, mas prometo inserir novas fotos logo.
Fiquei tres noites em Floripa na casa de um amigo e ex-aluno chamado Eugenio.
O Martinhio, meu companheiro de viagem, ja retornou a Ourinhos. Pegou um onibus em Floripa.
Fiquei parado em Floripa para me recuperar de umas dores no joelho direito. Comecei a sentir umas pontadas ainda em Curitiba e foi piorando. Cheguei praticamente me arrastando em Floripa. Pra piorar minha corrente arrebentou. Mas trocamos rapidamente. Agora melhorou. Reduzi o ritimo e tomei anti-inflamatorio. Acho que o joelho sentiu um pouco o ritimo forte do inicio.
Nao foi facil atravessar o Parana e quando chegamos a Santa catarina nos deparamos com chuva e mais chuva.
Agora a chuva parou, finalmente.
Ontem foi meu segundo dia sozinho e eh bem estranho. Ontem tambem, perdi meu primeiro pneu. Eu sabia que os pneus que vieram com a bike nao eram la grande coisa, mas o pneu traseiro nao durou nem 2000 km. Estourou, rasgou perto do aro. Sorte ter um estepe. Assim que cheguei em Imbituba comprei um pneu novo.
Hoje resolvi ficar em Imbituba e fui a praia. Foi o primeiro banho de mar na viagem.
Nao vejo a hora de chegar ao Rio Grande do Sul. Acho que mais uns 2 dias eu consigo.
Ganhei um novo vicio. Agora tenho uma cuia de chimarrao. Cada vez que chego num lugar eu preparo um. Virou um ritual.
Ainda nao me acostumei com a rotina de nao ter rotina.. e ficar sozinho nao eh facil...
publicado por Fantinatti | 7:50:
Relato #09(ID: 63)
Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008
Doses generosas de BR 101
Novamente peco desculpas pela falta de acentuacao no texto.
Estou escrevendo de um hotelzinho de beira de estrada pertinho da cidade de Criciuma, Sul de Santa Catarina.
Eh incrivel o que a gente acha por ai. Hospedagem de 20 reais e tem ate internet sem fio aqui.
Ontem, na cidade de Laguna, eu queria acampar, mas nao encontrei camping aberto. Acabei achando um hotel com um apartamento do tamanho de uma casa. Dois quartos e ate lavanderia por18 reais.
A BR 101 Sul eh um enorme canteiro de obras. Estao duplicando e por isso existem trechos horriveis e sem acostamento, mas tambem trechos otimos, principalmente qdo tenho a pista lisinha soh pra mim, pois muitas vezes o trafego ainda nao foi liberado.
Tenho boas noticias. Como que por milagre meu joelho parou de doer. Pedalei 90km hoje num ritimo forte e nao senti nada. Fiz este percurso de 90km em 4 horas. Nada mal.
Amanha devo chegar as terras gauchas, Assim que chegar a cidade de Torres no Rio Grande do Sul vou colocar novas fotos no site.
Ontem encontrei um cicloturista perto da cidade de Laguna. Seu nome eh Leonardo. Corajoso Leonardo, carregando pelo menos tres vezes mais bagagem que eu, inclusive com uma carretinha presa a bike. Ele eh de Nova Petropolis, Perto de Gramado, ao norte de Porto Alegre e estava indo ate Balneario Camboriu no norte do estado, onde vai acontecer um encontro de cicloturismo.
Agora a pouco encontrei um sr muito humilde, que viaja de bicicleta. O mais incrivel eh o fato dele levar dois cachorros na bike, presos com um pano. Fiquei impressionado. E os cachorros nao sao pequenos. Enquanto estou no hotel ele esta la fora debaixo de uma arvore. Algumas coisas sao comoventes.
Sempre fico impressionado com a situacao das pessoas e dos animais por ai.
Ontem ao chegar em Laguna, encontrei uma filhote de cachorro. Linda, perdida a beira da estrada, sentadinha sozinha. Fiquei sem saber o que fazer. Fiquei ali com ela uns 20 minutos ate que apareceu um senhor com um carrinho de mao e a levou a um local seguro.
publicado por Fantinatti | 7:32:
Relato #10(ID: 64)
Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008
Ilex Paraguariensis
Hoje eu acordei mais cedo Tomei sozinho o chimarrao Procurei a noite na memoria Procurei em vao
Hoje eu acordei mais leve Nem li o jornal Tudo deve estar suspenso Nada deve pesar
Ja vivi tanta coisa Tenho tantas a viver To no meio da ESTRADA E nenhuma derrota vai me vencer
Hoje eu acordei livre Nao devo nada a ninguem Nao ha nada que me prenda AQUI
Ainda era noite Esperei o dia amanhecer Como quem aquece a agua Sem deixar ferver
Hoje eu acordei Agora eu sei, viver no escuro Ate que a chama se acenda
Verde quente erva dentro ventre entranhas Mate amargo, noite a dentro Estrada estranha
Ilex Paraguariensis (Engenheiros do Hawaii)
Obs.. Este eh o nome cientifico da erva mate e eu escrevi a letra de cabeca...rs
publicado por Fantinatti | 9:27:
Relato #11(ID: 65)
Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
Feliz aniversario pra mim!!!
Ainda estou em Torres/RS. O dia comecou com chuva forte e vento frio aqui e entao decidi ficar mais um dia. Eu ja pedalei nestas condicoes, mas estou num hotel de 12 reais a diaria!! E sair pra comecar o dia com frio, vento e chuva eh muito chato.
Na verdade estou hospedado em Passo de Torres/SC, mas eh so atravessar a ponte a 300m daqui e estou no em Torres/RS. Aqui hotel eh mais barato.
Ontem andei a cidade de Torres a pe quase toda. A cidade eh bonita mas nao eh grande.
Amanha sigo para Capao da Canoa ou Tramandai e no dia seguinte Porto Alegre. Inclusive ja tenho 3 contatos em Porto Alegre: Leonardo (que encontrei pelo caminho), Vera e sua familia (que conheci no Sul de SC e um alemao chamado Clauss, de quem talvez eu compre um pneu especial e que NAO ESTOURE!! rs.
O joelho parou defititivamente de doer e vou suspender o anti-inflamatorio. O braco que quebrei ta novo e "sequinho" como dizem os medicos, entao da pra ver bem um volume no osso que lascou.
Ontem eu aprendi que nao se deve deixar cuecas secando na janela do quarto e sair. O tempo pode virar e o vento pode leva-las. Perdi uma assim...
e continua chovendo la fora....
publicado por Fantinatti | 2:22:
Relato #12(ID: 66)
Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
Desempenho nas pedaladas
Embora eu nao esteja sequer um pouco preocupado com isso, vou mostrar alguns numeros referentes a quilometragem feita.
Ate aqui em Torres rodei 1142km. Se eu dividir isso por 21 dias terei uma media de 54k ppr dia. Mas fiquei ao todo 7 dias parado: 1 dia em Curitiba, 1 dia em Camboriu, 2 dias em Floripa, 1 dia em Imbituba e 2 em Torres. Entao sao 14 dias rodando. Isso da uma media de quase 80km por dia, o que esta bem perto dos 75km que achei que faria.
Nos ultimos dias fiz uma media de 90km. Isso contando com os 92 pra chegar em Torres, com vento contra o tempo todo.
Acredito que depois de Porto Alegre devo aumentar a media diaria, ja que as estradas sao boas e muito planas e com bem menos trafego. Isso se aplica tambem ao Uruguai.
publicado por Fantinatti | 4:35:
Relato #13(ID: 67)
Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008
Terras gauchas
Estou escrevendo da casa de um casal daqui de Porto Alegre. Conheci os dois num posto de gasolina no sul de Santa Catarina. Eles me passaram seus contatos e quando cheguei aqui eu liguei. Foram super legais comigo. Amanha fico aqui e almoço com eles. Ela é escritora e ele é cantor/compositor.
Desde que cheguei ao Rio Grande do Sul só peguei chuva e vento frio. Só hoje de Osorio e Porto Alegre peguei sol... e que sol!
Fiquei 3 dias em Torres no norte do estado esperando a chuva passar, mas não passou. Então segui com chuva até Capao da Canoa e Osorio.
Em Osorio descobri o que é vento. A cidade é a capital nacional dos ventos. Fica dificil até andar na rua. Eles tem até uma usina eólica la.
Hoje saí de Osorio e vim pra Porto Alegre num percurso de mais de 100km pela rodovia Free way. Com vento a favor fiz 100km em 3:50... meu recorde absoluto.
Das capitais que visitei Porto Alegre é a mais estranha e a primeira impressao não foi boa. esperava mais (me perdoem os portoalegrenses).
Depois daqui vou voltar para o litoral e seguir viagem pro sul. Ja sei que não está chovendo mais pro sul pois vi na tv. Inclusive o gado no sul do estado ta morrendo de sede por causa da seca.
publicado por Fantinatti | 12:21
Relato #14(ID: 68)
Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008
Onde ir?
Uma coisa estranha mas muito interessante é o fato de eu estar me acostumando em não saber onde passarei a proxima noite.
Acabei de almoçar aqui na casa de meus novos amigos. Fica em Porto Alegre, perto da cidade de Alvorada.
Daqui a pouco vou ligar para meu outro contato aqui, só então vou saber se volto pro centro de Porto Alegre ou se sigo pra Capivari do Sul, onde pretendo passar a noite.
O que era um dilema antes, não saber quando e pra onde ir, agora me deixa bastante confortável. Não me importo se vou hoje ou não. :-) O importante é sempre estar abrigado quando a noite chega...
publicado por Fantinatti | 12:17
Relato #15(ID: 69)
Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008
Enquete :-)
Qual voce acha que eh o pior inimigo do cicloturista?
a) O calor b) A ressaca de uma bebedeira c) A ma alimentacao d) As subidas e) A preguica f) Os buracos g) Os caminhoes h) O vento
Acertou quem respondeu a letra H...
De novo peco desculpas pela falata de acentuacao pois estou escrevendo do palm.
Pois eh, o vento....
Hoje sai de Porto Alegre e passei pela cidade de Viamao. Passei em frente ao autodromo de Taruma, onde foi disputada a penultima corrida da stock car no dia anterior, Entrei pq o portao estava aberto e pude ver a pista e o pessoal desmontando as coisas... logo em seguida fui gentilmente convidado a me retirar... rs.
Hoje eu queria chegar a cidade de Capivari do Sul, mas soh consegui chegar a metade do caminho. O vento esta terrivel de leste pra oeste e as 7:30 da noite (ainda com sol) eu joguei a toalha. O mesmo vento que me levou rapidinho a Porto Alegre, hoje nao deixou eu chegar a 50km. Mas tudo bem. Amanha comeco a contornar a lagoa dos Patos rumo ao Sul do estado e ao Chui.
publicado por Fantinatti | 10:40
Relato #16(ID: 70)
Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008
Inferno e céu
O dia 25 de novembro foi o pior e o melhor dia da viagem até agora. Eu explico...
Saí de Aguas Claras em direção as cidades de Capivari do Sul e Palmares do Sul. Eu sabia que o vento seria um problema mas não sabia que seria tanto.
Após pedalar uns 12km ouvi alguem gritar: "Quer almoçar?". Me virei e vi um homem na beira da estrada. Eu disse: "O que tem aí? Lanchonete?". Ele disse: "Não, eu moro aqui". Essa foi a primeira surpresa do dia.
O ex-sargento dos bombeiros e assistente de arbitro Bittencourt me convidou a entrar e fui almoçar com sua familia. Foi incrivel a hospitalidade deles. Após o almoço e um bate papo ele me presenteou com um calção oficial de arbitro, uma blusa, uma faca gaucha e uma medalha. Depois tiramos fotos. Foi incrivel.
Bittencourt e sua família
Segui em direção a Capivari do Sul e o vento contra foi piorando. As vezes chega a ser engraçado. Nunca havia visto ventos assim, nem mesmo em tempestades. Simplesmente não dá pra pedalar a mais de 9km/h... Fiquei completamente esgotado e ainda bem que tinha alimentos. Alem disso meu bagageiro frontal se rompeu, mas arrumei facil.
Pedalei 40km com este vento inacreditavel contra. Até caminhei uns 4km. Estava completamente desgastado. Essa foi a parte mais dificil da viagem até agora e a parte ruim do dia.
Depois de Capivari eu virei pro Sul e comecei a pegar o vento de lado. Menos mal, mas se nao tomar cuidado ele te joga pra fora da estrada.
Assim que cheguei em Palmares fui procurar um hotel ou pousada. Achei um de 40,00 completo (cafe e até internet) e um de 20,00 que não tinha nada. Apenas cama rs... Fui ao mercado comprar algo pra preparar e encontrei um casal que logo perguntou de onde eu era. Disseram que eram de um circo que tinha acabado de chegar a cidade. Me convidaram pra acampar ao lado do seu trailer. Não pensei duas vezes. Achei o maximo.
O Anderson e a Luana me receberam excepcionalmente bem em seu modesto trailer de 3 (tres) metros quadrados. Pessoas incriveis. Montei minha barraca ali ao lado. Fizeram uma janta deliciosa e ficamos vendo varios DVDs do Cirque du Soleil... Hoje ainda almocei com eles e agora a noite (já no hotel) voltei la pra me despedir, pois vou sair amanha cedo. Amanha eles terminam a montagem do circo. Passar a noite com eles foi a coisa mais incrivel da viagem até agora.
Agora eles vão precisar de um trailer maior pois a Luana está gravida de 2 meses.
Anderson me falou muito sobre como funciona o circo.
Anderson e Luana
publicado por Fantinatti | 10:55
Relato #17(ID: 71)
Domingo, 30 de Novembro de 2008
Rumo ao Chui
Acho que todo mundo sabe onde fica o Chui neh. Essa cidade pequena eh bem famosa pois fica bem naquena pontinha do mapa do Brasil. Faz fronteira com o Uruguai e do lado de la da fronteira se chama Chuy, com "y".
Ate o Chui ainda tenho uns 220km. Estou em Rio Grande, perto de Pelotas bem no sul do RS. Hoje, domingo eu nao pedalei. Apenas peguei um barco pra atravessar e Sao Jose do Norte para Rio Grande.
Durante os 300km que pedalei ao lado da Lagoa dos Patos, aquela estreita faixa de terra que existe no Sul do Brasil, nao vi o mar nem mesmo a lagoa. A faixa eh estreita mas a estrada fica bem no meio dela. Soh vi a lagoa hoje. Obviamente ela eh muito grande, mas assusta na primeira olhada. Eh um mar!
Nos ultimos 3 dias pedalados eu rodei respectivamente 120, 30 e 134 km... o que da uma boa media de mais de 95km/dia.
O caminho dos ultimos dias foi totalmente plano. Uma regiao cheia de plantacoes de arroz e muito vento! Poucas cidades e poucas comunidades rurais.
Rio Grande eh a ultima cidade "grande" do Brasil, tem uns 200 mil habitantes.
Na verdade o ponto mais ao Sul do Pais nao eh o Chui, mas sim a Barra do Chui, no litoral. Vou passar la. Neste ponto serei o ultimo dos brasileiros :-)
Ja rodei 1734 km ateh aqui. Somente um pouco menos do que achei que faria. A chuva e meu joelho atrapalharam um pouco.
publicado por Fantinatti | 11:02
Relato #18(ID: 72)
Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008
Rio Grande dos ventos do Sul
Ontem sai de Rio Grande rumo ao Sul. O vento mudou e agora esta vindo do Sul, ou seja, contra mim. Pedalei 21km ate uma localidade chamada Quinta. No caminho peguei os ventos mais fortes que ja vi na vida. Nunca tinha visto ventos assim. Tive que parar pois estava perigoso demais. Fui empurrado pra fora da estrada pelo vento e quando passei por cima de uma ponte fiquei totalmente impotente diante da forca do vento. Mesmo empurrando a bike as vezes fica dificil sair do lugar. Parece que estou lutando contra a corrente de um rio.
Quando cheguei Quinta vi no mapa que uns 15km alem havia uma cidade chamada Sarandi, entao decidi seguir. Pra minha surpresa, Sarandi nao eh uma cidade, mas sim apenas uns sitios. Acabei acampando ao lado de um pasto na frente de uma casa. Passei a noite na barraca com vento forte e chuva, mas dentro da barraca estava muito confortavel.
Hoje cedo choveu um pouco e fiquei na barraca esperando o sol pra seca-la um pouco, mas soh choveu mais.
Quando eu ja havia me conformado em sair com a garoa caindo e sem almoco passei em frente a casa de um Sr chamado Antonio Xavier e acabei ficando pois o tempo esta muito ruim. Almocamos juntos e fui convencido a passar esta noite aqui.
Antonio me disse que ha 3 meses atras passou por aqui um casal de americanos viajando de bike. Ele me mostrou o cartao deles. Gynna e Ben armaram a barraca no quintal dele.
A casa do Sr Antonio eh extremamente simples, como tudo aqui. Mas sua hospitalidade foi incrivel,
Amanha cedo saio rumo ao Sul. Assim que chegar ao Chui vou atualizar as fotos do site.
publicado por Fantinatti | 5:01:
Relato #19(ID: 73)
Sábado, 6 de Dezembro de 2008
Extremo Sul do Brasil
Estou na cidade de Santa Vitória do Palmar. Uma cidade de 35 mil habitantes a uns 15km do Chuí. Fiquei aqui pois queria ficar umas duas noites num hotelzinho, a semana foi meio cansativa.
Amanha (domindo) sigo pro Chuí e passarei na Barra do Chuí.
Os ultimos 250km do Brasil não foram fáceis. Não tem muita coisa por aqui. Longos trechos de estrada plana, numa reta sem fim. Só se ve campos de arroz e pasto.
Parecia que São Pedro não queria que eu deixasse o país. O vento contra estava implacavel, mas no ultimo dia rodei 102km até aqui tranquilamente. O vento parou!
Depois que saí da casa do Antonio Xavier em Sarandi eu rodei 58km até o quartel da brigada de incendio da reserva do Taim. Estava bem frio e garoando, então me deixaram montar a barraca no pátio. Assistimos o jogo do Internacional, a novela e no dia seguinte ainda almocei com eles.
Saindo de lá eu vi até Jacaré na reserva. Tambem vi muita capivara morta no acostamento e até salvei uma tartaruga da morte. Passei por um casco de tartaruga bem no meio da pista. Voltei pra ver se estava viva. Quando peguei na mão vi a tartaruga toda encolhida la dentro, assustada. A deixei no mato. Coitada, ela ia ficar la no meio da rodovia até ser atropelada. Os caminhoes estavam passando por cima dela.
No outro dia passei a noite na garagem do Igor e da Juliane. Eles trabalham num posto de gasolina no meio do nada! Jantei com eles e assistimos TV.
Igor e Juliane
Ontem, antes de chegar aqui em Santa Vitória eu encontrei dois caras num posto de gasolina. São doi primos de Criciuma em SC. José Ceolin e Dário Ceolin tiraram fotos comigo e segui. Depois eles passaram por mim na estrada e pararam. Me presentearam com 50 reais. Tiramos mais fotos. Eles estavam indo a Montevideo a passeio.
José e Dário
Tenho visto muitas motos na estrada pois está tendo um encontro de motoqueiros em Punta del Este no Uruguai, que aliás é bem perto daqui. Esta cidade fica a uns 200km.
publicado por Fantinatti | 10:19
LIVRO TRILHANDO SONHOS
A estrada está só começando... Quer ir mais fundo?
Dos ventos gelados do Rio Grande do Sul aos primeiros desafios solitários na BR-101, cada quilômetro dessa largada está narrado com fotos e reflexões profundas nas páginas do livro.
Dez de 2008 • Castillos, Punta del Este, Montevidéu e Colônia do Sacramento
Relato #20(ID: 74)
Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008
Chuí/Chuy
Assim que cheguei no Chuí fui direto a avenida que faz a fronteira entre o Brasil e o Uruguay. Basta atravessar a rua e voce ja está no Uruguay. Tirei uma foto bem ali e segui para a Barra do Chuí, uns 10 km mais a sudeste. A Barrado Chuí é a ultima praia brasileira. Fui até os ultimos metros do Brasil a fiz umas fotos. Depois pedalei um pouco pela praia que logo descobri que é a praia mais longa do mundo já que vai até a cidade de Rio Grande. Foi muito interessante estar ali nos ultimos metros do Brasil.
Ao chegar na Barra do Chuí encontrei um senhor canadense que logo me ofereceu uma casa pra ficar. Seu nome é Norman Yelled. Fiquei numa casa enorme e impecavelmente limpa por 20 reais.
Tirei fotos com o Norman e ele fez varias anotaçoes nos meus mapas sobre campings municipais e lugares interessantes no Uruguay e na Patagonia Argentina.
Norman ja viajou todo o continente de motor-home umas 50 vezes. Tambem me emprestou um livro guia de viagens para eu dar uma olhada naquela noite.
No dia seguinte passei na ultima (ou primeira) agencia do Bradesco e fui a uma casa de cambio. Quase entrei num cassino... Depois segui para Punta del Diablo, uns 58km mais ao sul, Já no Uruguay.
publicado por Fantinatti | 10:38
Relato #21(ID: 75)
Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008
Punta del Diablo
Estou num hotelzinho na cidade de Castillos. Depois de 3 dias no Uruguay pude tomar um banho de verdade. Nos ultimos dias tenho feito o que chamo de very very low cost trip... ou seja ando gastando muito pouco. Ontem em Punta del Diablo gastei apenas 80 pesos uruguaios, o que dá mais ou menos 8 reais.
Antes de chegar a Punta del Diablo passei na Forteleza de Santa Tereza, no norte e fiquei impressionado com a beleza do forte.
Logo vi uma moto com placa do Colorado (EUA).. Era de um cara que eu tinha visto no Chuí. Seu nome é Hugo. Me disse que ja rodou o mundo de moto e bike e disse que trabalha para o Discovery Channel. Ele fala portugues muito bem. Marcamos de nos encontrar num bar chamado El Timon, em Punta del Diablo, uns 35km mais ao Sul.
Assim que cheguei a Punta del Diablo fiquei impressionado com a beleza da praia e com a tranquilidade do lugar. Outra coisa que me espantou foi a aparente desorganizaçao, as casas sao construidas em qualquer lugar da praia.
Eu estava sentado ao lado da bike na praia, curtindo um sol quando um uruguaio chamado Marcos se aproximou e disse que eu poderia passar a noite na sua casa. Marcos fala portugues muito bem e aceitei na hora.
Logo em seguida apareceram 2 caras de Nova York. Um com uma camera de médio formado na mao que eu adoro. Conversamos um pouco e eles tiraram varias fotos minhas.
Fiquei na praia até o fim da tarde e acabei conhecendo 4 uruguaios, dois rapazes e duas moças muito simpaticas. Tomamos um Mate ali na praia e conversamos sobre o Brasil. Descobri que assistem aqui as novelas brasileiras. No momento está passando Paraiso Tropical, claro que dublada em espanhol. Uma das moças me disse que assiste A Favorita rsrsrs.. na parebolica, por isso fala bem o portugues. O norte o Uruguai parece ser bem influenciado pelo Brasil.
Depois fui comer uma pizza por 100 pesos.. Assusta um pouco, mas é equivalente a 10 reais. Logo em seguida surge do nada um cara de bike, cheio de bagagem.. Antes que eu conseguisse perguntar em ingles de onde ele era ele já soltou: "Cara,tu é de onde?". hahah.. brasileiro. Denis seu nome. Já viajou o mundo de bike por 8 anos! Conversamos muito e fomos junto a casa do Marcos, passar a noite.
Resolvi ficar mais um dia em Punta del Diablo, fizemos um churrasquinho na hora do almoço e depois encontrei de novo o Hugo do Discovery Channel num bar.
No mesmo bar que estavamos havia uma familia falando frances e achamos que eram da frança. Logo o Denis que fala frances fluente comecou a conversar com eles e descobrimos que sao de Quebec, no Canada.
Enquanto o Denis soltava seu frances com a vovó canadense eu olhava um album de fotos do Hugo com fotos do mundo todo e até no topo do Aconcágua, o ponto mais alto das américas.
Ainda neste dia apareceu um rapaz da Suécia perguntando de onde eramos.
Nem vou falar da quantidade de Argentinos.
Eu nunca tinha visto tanto turista num lugar assim. Essa é a diferença para o Brasil. Aqui os americanos e canadenses nao tem medo de serem assaltados.
A noite fizemos uma sopa e acampamos na varanda de uma casa desocupada bem na beira do mar. Hoje cedo saí para Castillos e o Denis seguiu de volta para o Brasil após 8 anos fora.
Amanha vou tentar chegar a Punta del Este... vamos ver se dá.
Infelizmente o computador do hotel é bem lento e nao vou poder por novas fotos hoje, mas tenho muitas fotos novas.
publicado por Fantinatti | 11:20
Relato #22(ID: 76)
Sábado, 13 de Dezembro de 2008
Punta del Este
Quando acho que a viagem vai cair na rotina e que vou seguir de uma cidade pra outra e outra, sempre me surpreendo.
Cheguei aqui em Punta del Este ontem a tarde. Passei pela cidade de Maldonado e fui direto a praia. Quando cheguei a praia fiz umas fotos e encontrei dois franceses e um equatoriano. Conversamos um pouco e depois me convidaram pra tomar uma cerveja a noite. Fui com eles até o Hostel que estavam hospedados. Hostel é uma rede de albergues muito baratos que se compartilha tudo e se pode encontrar gente do mundo todo.
Na turma que esta aqui tem franceses, argentinos, ingleses, equatorianos e brasileiros. Isso aqui eh uma loucura. Intercambio cultural total.
Depois perguntei em ingles pra uma moça se o chuveiro era bem quente e ela me perguntou se havia luz no banheiro, eu disse que nao sabia, pois tinha acabado de chegar. Depois de alguns minutos perguntei de onde era e ela disse: Brazil!! hehehe... Carioca... fui muito engraçado. é dificil perceber se a pessoa é brasileira na primeira olhada, principalmente pra quem nao tem um ingles muito bom como eu.
A noite juntamos uma turma e fomos a um barzinho. Foi minha primeira balada na viagem. E como nao sou de ferro achei que seria uma boa. Ficamos ate as duas da manha e depois pegamos um onibus pra Maldonado e fomos jugar sinuca num boteco. Jogamos sinuca num boteco no meio de Maldonado até as 5 da manha. Foi demais...
Gastei um pouco alem do normal, mas nada exorbitante. Um dia nao faz mal. Nao devo encontrar mais muitos lugares como esse pelo caminho. Ja sei que Mar del Plata na Argentina nao é tao bom como aqui.
Hoje resolvi ficar mais um dia aqui. E pegamos uma praia.
Amanha devo seguir pra Montevideo.
As pessoas que estou conhecendo estao sendo as melhores coisas da viagem. Antes eu achava que fosse conhecer lugares, mas estou conhecendo pessoas.
Tereza, baiana. Mariana, carioca. Pedro, paulista. Pablo, equatoriano. Ian e Camile, franceses. Rafael, argentino. Margareth, inglesa.
publicado por Fantinatti | 5:34:
Relato #23(ID: 77)
Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008
Ferias dentro das ferias...
Estou escrevendo de um hostel em Montevideo.
Hoje foram 140km sem vento e calor de mais de 30 graus.
Estou em Montevideo mas ainda quero falar de Punta del Este.
Acabei ficando mais um dia em Punta pois estava muito bom. Tirei ferias dentro das ferias. Estava muito bom la e depois de chegar em casa depois das 5 da manha durante dois dias, no domingo consegui dormir cedo e acordar cedo hj na segunda.
Ficar o hostel de Punta foi uma experiencia incrivel e ontem finalmente consegui falar ingles bem, pois chegou um cara dos Estados Unidos. O ingles das mocas inglesas eu nao entendo quase nada porque elas tem um sotaque muito estranho.
Queria dizer que ja estou com saudade do equatoriano Pablo, da Tereza e da Mariana. I have no words, my friends... Gracias por todo!
Nossa amizade de 3 dias eh como o castelo de areia que fizemos em La Boca. Ficou muito bonito e talvez dure somente ate a proxima mare... ou nao! :-) quem sabe.
Nunca mais vou esquecer o Uruguay e Punta del Leste.
publicado por Fantinatti | 9:51:
Relato #24(ID: 78)
Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008
Impressoes sobre o Uruguay e Montevideo.
Bom, ateh agora estou adorando o Uruguay.
Hoje na estrada um cara parou o carro pra falar comigo. Brasileiro e empresario que vive aqui. Falamos da viagem e depois ele me deu 1000 pesos. Hehe.. Disse que era por conta dele o almoco de hoje, mas com 1000 pesos eu almoco a semana inteira aqui... :-)
Montevideo me pareceu muito bem organizada e apesar de eu ter chegado as 6 da tarde o transito nao eh tao caotico como Porto Alegre ou Curitiba. So tem um pouco de fumaca pq os carros daqui sao a diesel em sua maioria. Gostei daqui. ... E tem bastante mulher bonita tambem rsrs.
Daqui uns 3 dias devo pegar el buquebus (ferry) de Colonia e atravessar a foz do Rio da Prata rumo a Buenos Aires.
Saio do Uruguay com a certeza de que voltarei em breve.
O brasileiro me disse que o Uruguay eh um daqueles cantos do mundo que a vida ainda eh vida. Eu concordo com ele.
publicado por Fantinatti | 10:17
Relato #25(ID: 79)
Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008
Depois de Montevideo...
Estou em Santa Lucia. Hoje resolvi sair de Montevideo e ir pro norte para ficar num camping municipal muito bom que tem aqui, logicamente gratis. Quem me indicou foi o canadense Norman, quando eu estava no Chui.
No caminho passei por Canelones, uma cidade de uns 70mil habitantes. Pedi infornacao a um policial e ele falou comigo em portugues...
Ontem no hostel de Montevideo fizemos um campeonato de sinuca. Brasileiros contra espanhois e alemaes... Eu perdi.
Fui ate um mercado bem no centro de Montevideo com um australiano muito gente boa que conheci, ele tinha vindo do Rio de Janeiro. La encontrei um casal de brasileiros.
Hoje foram 66km no dia mais quente de toda a viagem. Em dias assim a agua fica quente como cha... Mas mata a sede do mesmo jeito.
Hoje eh meu decimo dia no Uruguay e amanha cedo sairei para rodar os 128km ate Colonia del Sacramento.
A viagem ta muito tranquila e desde Santa Catarina nao tenho furo no pneu. Tambem nao pego chuva ha muito tempo. Estou completamente adaptado e consigo rodar 100km no sol quente tranquilamente.
publicado por Fantinatti | 5:50:
Relato #26(ID: 80)
Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008
Adios Uruguay!!!
Bom, estou escrevendo do hostel El Viajero em Colonia del Sacramento. Esta é a ultima cidade que vou visitar no Uruguay.
Passei a noite no camping municipal de Santa Lucía. Pude lavar roupas la.. O camping é muito bom e gratis.
De Santa Lucía até aqui foram 150km daqueles bem pedalados. Caminho dificil e sol de rachar. Muito mais quente que ontem.
Hoje foi um daqueles dias de total superacao fisica. Tive que vir direto pois meus pesos uruguayos acabaram e cheguei aqui com somente 150 pesos, o equivalente a 15 reais.
Cheguei totalmente exausto as 8:30 da noite. Aqui escurece as 9 e pouco, entao cheguei de dia. Fui direto comer um chivito con carne de pollo...
O hostel daqui é bem legal e ja comecei a gastar meus dolares. A diaria aqui é 14 dolares. Devo ficar aqui 2 dias pra descancar. Depois vou pra Buenos Aires. Ao todo serao 12 dias no Uruguay. Um lugar maravilhoso. Recomendo este país pra todos.
Hoje eu ja tinha pedalado 78km no sol extremamente quente quando vi a placa dizendo que ainda faltavam 72... rs... As frases "Quem ta na chuva é pra se molhar" ou "relaxa e goza" vieram a minha cabeca rsrsr... Eu nao podia parar pois estava com pouco dinheiro uruguayo e no caminho nao teria casas de cambio. Coloquei meu fone de ouvido e segui, aproveitando os ultimos km no país. Cheguei com o tanque na reserva. Se tivesse que percorrer mais alguns km eu nao aguentaria.
No caminho passou um casal de moto, me deram uma garrafa de 2 litros de agua gelada... Ah, eu nem quis saber a procedencia, bebi um pouco e me molhei... o calor estava demais e a minha agua muito quente.
Mesmo depois disso tudo eu estou bem fisicamente. Nao sinto dor e conseguiria seguir amanha se quisesse.
Encontrei uns brasileiros aqui e estou dividindo o quarto com um holandes muito gente boa. Aqui tem TV com filmes, internet e um banheiro em cada quarto.
publicado por Fantinatti | 11:48
LIVRO TRILHANDO SONHOS
Gostando dessa travessia? A aventura completa está no livro!
As praias desertas de Castillos, o acolhimento do povo uruguaio e as noites sob as estrelas ganham ainda mais vida e detalhes inéditos no livro Trilhando Sonhos.
Dez de 2008 a Jan de 2009 • Buenos Aires, deserto da estepe e Península Valdés
Relato #27(ID: 81)
Domingo, 21 de Dezembro de 2008
Boas surpresas em Buenos Aires
Cheguei aqui hoje, dia 20, pouco depois do meio dia. Fiz a travessia da foz do Rio da Prata, num percurso de uns 40km de barco em 1h.
Buenos Aires é igual qualquer cidade grande. Mas o fato de chegar de barco e desembarcar numa regiao nobre da cidade da um gostinho especial.
Tirando a parte boa, o resto foi infernal. Está muito calor aqui e juntando isso com o transito pesado foi bem estressante até achar o hostel.
Estou num hostel de 10 dolares. Aquele mesmo esquema de sempre... gente do mundo todo.
Hoje a tarde deu uma olhada nos meus emails e tive uma surpresa interessante. Um frances chamado Vincent, tambem de 29, está cruzando a America do Sul de bike. Quando ele passou pela reserva ecologica do Taim, no Rio Grande do Sul, os bombeiros do Ibama contaram e ele que eu havia passado por la.. E hoje, em Buenos Aires, ele resolveu me esvrever e depois veio aqui no hostel.
Agora a noite fui no hostel que ele está hospedado a uns 5 ou 6 km daqui. Fui com ele e foi a primeira vez que pedalei a bike sem bagagem... Ah como fica facil rsrsr.
Chegando no hostel dele adivinha que eu encontro? .... o equatoriano Pablo e a francesa Ameli. hahah... Demos um forte abraco, relembramos os dias em Punta del Leste e combinamos de fazer um tour pela cidade amanha (domingo).
É incrivel como o mundo é pequeno.
Depois, as 11h da noite voltei pro meu hostel. Atravessar o centro de Buenos Aires a noite de bike é uma aventura... Tem que tomar muito cuidado pra nao ser atropelado ou roubado. No mais a cidade fica muito bonita a noite.
Na segunda-feira vou seguir rumo a Mar del Plata junto com o Vincent. Ele é gente boa e iniciou sua viagem no Rio de Janeiro.
Vamos ver que surpresas mais esta viagem está guardando pra mim.
publicado por Fantinatti | 12:58
Relato #28(ID: 82)
Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008
Muchas gracias Buenos Aires
Estou escrevendo da minha barraca aqui na cidade de Veronica na Argentina.
Nao sei se o Boca Juniors foi campeao, mas acho que sim. Muita festa nas ruas.
Buenos Aires foi demais. No segundo dia la fui para o hostel do Pablo e do Vincent. Tambem conheci duas brasileiras que tinham sido assaltadas. Levaram dinheiro e camera fotografica a mao armada... Pois eh...
Depois sai pelas ruas com as meninas e fizemos umas fotos, ja que perderam todas as suas fotos no roubo.
Reencontrar o Pablo foi um capitulo a parte. Heheh,,, Agora ele foi para Santiago do Chile, Vou ter que visita-lo em Quito, com certeza.
Estou pedalando com o frances Vincent e esta muito bacana.
Quando eu chegar em Mar del Plata prometo fazer 3 coisas: Cortar o cabelo, trocar a corrente da bike e por novas fotos no site.
Recomendo Buenos Aires. Mas fiquem espertos, eh uma selva como Sao Paulo... Mas vale a pena. Diversao garantida!
publicado por Fantinatti | 11:43
Relato #29(ID: 83)
Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008
Feliz natal e prospero ano novo!
Gostaria de desejar a todos um feliz Natal e um ano cheio de realizacoes.
Estou em Pinamar e amanha partimos para Mar del Plata. Vai estar um inferno la pois metade de Buenos Aires deve estar indo pra la. Estamos cruzando uma area equivalente ao Uruguay em 6 dias! Ha 4 dias dormimos em barraca.
Assim que chegarmos em Mar del Plata vou inserir novos textos e fotos. Tambem vou atualizar o mapa. Os ultimos dias na Argentina foram vibrantes.
Agora estou escrevendo do celular e fico muito limitado.
Abraco a todos
publicado por Fantinatti | 9:55:
Relato #30(ID: 84)
Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009
Leste da Republica Argentina
Bueno, tenho muito pra escrever, vou ver se lembro de tudo.
Ah.. antes de mais nada... Saímos num jornal que é vendido em toda a Argentina. Quando estavamos em Mar del Plata fizeram uma reportagem sobre turismo e colocaram a gente no meio. Tem uma foto e algumas coisas que falamos tambem. Depois coloco no site.
Estou em Bahia Blanca. É a ultima cidade da primeira das tres principais fases da minha viagem. A partir de amanha sigo pro Sul, em direçao a Viedma. O Vincent está querendo seguir um pouco mais para o interior do país mas depois do dia de ontem nao sei se é uma boa ideia, ja que os ventos estao fortes vindo do oeste.
Eu havia estimado 3300 km em 60 dias. mas fiz 3591 km em 66 dias. Nada mal.
O relogio ja comecou a martelar na minha cabeça, pois só tenho mais 6 meses de viagem. Parece muito mais nao é. Vou ter que apertar o passo para conseguir chegar até o Equador em junho.
Nossa estada em Mar del Plata foi quase tao boa quando a de Punta del Leste. Chegamos num pique fenomenal depois de rodar 140km. Chegamos e ao mesmo tempo milhares de turistas argentinos tambem chegavam a cidade, foi uma loucura.
Tive que ficar 3 dias em Mar del Plata pois precisava trocar um raio da roda traseira que se rompeu em Buenos Aires. No ultimo dia nos preparamos para dormir cedo mas fomos convidados por umas cinco garotas australianas para tomar uma cerveja... Eu e o Vincent nao tinhamos argumento para negar entao fomos. O resultado é que a cerveja virou uma balada e voltamos pra casa as 6 da manha. Entao tivemos que ficar mais um dia naquele lugar caro! :-) Alem do mais foi bom pq as meninas nao falam espanhol e foi uma boa chance de treinar um pouco de ingles.
Entre Buenos Aires, Mar del Plata e Bahia Blanca ficamos quase sempre em barraca. Estou muito adaptado a barraca e até prefiro as vezes pois nao tem pernilongo.
Natal
Passei o natal acampado em Cerro de la Gloria. Fiz uma macarronada e compramos um bom vinho (vinho aqui é muito barato). Passei o Natal no meio do nada com um frances maluco... rs.
Ano Novo
Passei a virada do ano num camping na bela e pequena cidade de Mar del Sur. Estava bem frio e festejamos a passagem com dois casais de argentinos que tambem estavam acampados lá. Foi bom. Argentinos de verdade, autenticos trabalhadores, gente comum... e nao como os porteños de Buenos Aires. Os porteños de Buenos Aires sao mais ou menos como alguns paulistanos (posso falar pq nasci em Sao Paulo), acham que vivem no melhor lugar do mundo e as vezes sao meio intragaveis...
O que é realmente estranho é saber que vou passar metade deste ano pedalando.
Bom, meu castellano esta melhor. Entendo tudo, falo o suficiente, mas nao escrevo quase nada.
Tirando alguns porteños, nao tem como nao se apaixonar pelo povo argentino. Esta sendo uma experiencia reveladora e tranformadora...
Patagonia
Amanha sigo pro Sul e daqui mais alguns dias devo entrar geograficamente na Patagonia. Sei que devo pagar todos os meus pecados por la. É uma regiao inóspita e se aqui ja é pouco habitado imaginem por lá. Nao vai ser facil. Os argentinos até riem quando digo que vou atravessar aquilo sozinho. rsrs.. eu tambem rio.
Dia de Cao e jantar de Rei
Ontem foi um daqueles dias que ficam na memória. Imaginem um dia que começa com um vento fortissimo enchendo com 1kg de pó a barraca. Depois eu tive que pedalar 90 km num calor que só tinha visto nos dias mais quentes do verao brasileiro e com vento forte e constante contra. Vento forte, quente e seco como num deserto. A boca parece que vai cair no chao. Bebi uns 6 ou 7 litros de agua em umas 12 horas. Nao foi facil. As vezes durante o dia de ontem me perguntei se vale realmente a pena, ser castigado pelo calor e pelo vento daquela forma. Aí lembro de tudo que ja vivi na viagem e realmente vale a pena.
Chegamos em Bahia Blanca e fomos direto comer.. Ahh como comemos. Um verdadeiro jantar de Rei.
Bike
A minha bike comecou a ter uns problemas com quebra de raios, ontem foram mais dois. Se continuar assim vou ter que substituir todos em breve e talvez trocar por raios mais resistentes.
Vincent Degove
Viajar com o Vincent é divertido. Ha alguns dias ligamos o painel solar ao mp3 e a umas caixinhas de som. Fizemos dois dias ouvindo boa musica. rs. Tenho aprendido mais sobre a França e sobre a Uniao Europeia com o Vincent do que sobre a propria Argentina. A França e sua politica engraçada e suja haha.. Vou pensar duas vezes antes de criticar o Brasil novamente. Aliás, o nosso presidente tem uma fama invejavel aqui. Todos adoram presidente Lula.. já a Cristina... humm ta mal com o povo.
¡No hay nada aca!
Realmente nao tem nada aqui. Nao eh como no Brasil que cada posto de gasolina tem uma bela churrascaria... Aqui nem o posto de gasolina tem. É incrivel. Ainda estou na provincia de Buenos Aires e só se ve campos e mais campos.... e campos secos com vento. Mais nada!
Tenho muitos detalhes pra escrever, mas é muito coisa e nao cabe num site. Creio que todo o resto só num livro mesmo.
publicado por Fantinatti | 9:11:
Relato #31(ID: 85)
Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009
Patagonia Argentina
Bom, primeiramente gostaria de me desculpar por antecedendia pois nao vou poder por novas fotos no site pq a lanhouse daqui de Rio Colorado eh um pouco limitada! Entao vamos ficar mais alguns dias sem fotos. Mas tenho muitas e fotos lindas.
Os dia 6 e 7 de janeiro foram especiais.
O dia 6
Saimos de Bahia Blanca em direcao ao Sul. Iniciando a segunda fase da minha viagem. Fase que chamei de Patagonia.
Depois que saimos de Bahia Blanca a corrente da minha bike arrebentou e tive que mexer com isso pela primeira vez na vida. Tenho as ferramentas adequadas e uns 25 minutos depois resolvi o problema retirando um pequeno pedaco defeituoso da corrente.
Rodamos mais uns kilometros e chegamos a um trevo assombroso. Um lugar totalmente deserto e com muito vento. Pegamos a direcao Sul pela costa mas 4 km depois paramos e resolvemos voltar para o trevo para seguir para oeste ao inves do Sul. O vento estava fazendo a gente andar a 10km/h... isso eh muito pouco. E como o trajeto pela costa seria Sul e depois Oeste, resolvemos mudar e fazer Oeste e depois Sul. Ou seja, fomos 200km mais para o interior do pais. Com este desvio a kilometragem vai ficar quase a mesma mas vou me afastar da costa por alguns dias.
A chegada a Patagonia
Passamos por um posto de fiscalizacao que eh um dos portais de entrada da Patagonia. Os fiscais pedem pra abrir a bagagem em busca de frutos e carne. Nao eh permitido passar com frutos e carne.
Pedalamos 129km em condicoes ideais. Foi um otimo rendimento.
A vegetacao aqui mudou muito e se parece realmente com algo arido. Um deserto onde a vegetacao passa metade do ano com frio rigoroso e a outra metade com calor absurdo.
Ao final do dia pegamos uma chuva de verao por uns 10 km e chegamos a uma placa com o nome do povoado que pretendiamos passar a noite. Entramos numa estrada de terra em busca do povoado as 9:30 da noite, ainda bem claro. Pedalamos 5 km e nao encontramos nada. Pra piorar a chuva apertou e virou uma lama terrivel. Cinco minutos depois comecou uma chuva de granizo... rsrs.. Soh podiamos tremer de frio, tentar nos proteger das pedradas na cabeca e rir. O pior eh que ja eram 9:45 e tinhamos mais 20 minutos de luz solar. A chuva parou e estavamos totalmente molhados. Por sorte nao esfriou. Resolvemos voltar para a rodovia. Tinhamos que acampar num gramado proximo da rodovia. Chegamos a um lugar ha uns 50 metros da pista e montamos as barracas praticamente no escuro as 10:10 da noite num solo sujo de terra molhada e totalmente irregular. Eh como se a Patagonia nos saudasse dando boas vindas! A Patagonia nos deu um toque para ficarmos mais espertos com erros. Ela nao perdoa falhas! Dormi sujo de lama e sem jantar rs...
Acampamos exatamente na fronteira entre as Provincias de Buenos Aires e La Pampa.
O dia 7
No dia seguinte acordamos do pesadelo da noite anterior. Fizemos um cafe e comemos pao com doce de leite. Ao sair o Vincent percebeu que seu pneu dianteiro estava murcho. Pois bem, tem que arrumar. O problema eh que a sua camara reserva simplesmente nao servia pois era de um tamanho menor. Alem do mais o pneu traseiro estava ja completamente careca e ele resolveu trocar por um pneu novo que comprou em Mar del Plata. Para nossa surpresa, depois de desmontar tudo, vimos que o pneu tambem nao servia e o pior eh que durante a retirada o bico da camara se rompeu.
A unica solucao foi remendar a camara dianteira e esticar a camara pequena para que coubesse na roda traseira e montar com o pneu careca. Deu certo. Ufa!
Passamos por uma placa que estava escrito: BIENVENIDOS - PROVINCIA DE LA PAMPA - PATAGONIA ARGENTINA. Ahh eu adorei!
O maior problema viria depois. Por causa das duas horas que o Vincent demorou com a bike nossa agua foi acabando e tivemos que racionar agua! Eh uma sensacao terrivel. Cheguei a parar um carro na estrada de terra para pedir agua, mas nao tinham. Logo depois um carro com uma familia parou do outro lado da rodovia e o Vincent conseguiu meio litro de suco.
Rodamos um bocado com apenas 1 litro de agua ateh um sitio, onde pudemos montar um bom estoque de mais de 6 litros. Ufa!
Pedalamos mais de 60km com vento forte contra. nem reclamo mais! Hay que hacer!
Chegamos ateh um belo camping as margens do rio Colorado. Um belo Rio. Encontramos no camping um casal de japoneses que estao viajando de moto ha um ano. A noite fomos convidados por uma familia argentina a comer com eles... humm que delicia de parrilla! Ficamos horas conversando ateh a 1h da manha, ou melhor, ateh a meia noite, pois me avisaram naquele momento que eu deveria acertar meu relogio. A provincia de La Pampa tem 1h a menos que a de Buenos Aires.
Hoje encontramos outro viajante ciclista. Pablo que saiu de Mar del PLata foi ateh Ushuaia e agora esta retornando. Muito boa gente e nos deu umas dicas sobre o extremo Sul da Argentina.
Hoje resolvemos ficar e descancar e amanha saimos as 6 da manha para percorrer os 150km ateh General Conesa.
Denis
Hoje recebi uma mensagem de email do meu amigo Martinho e do Radialista Edu Bala de Ourinhos avisando que o brasileiro Denis (cicloturista) que encontrei no Uruguay esta na minha cidade! rsrsr.. que coisa maluca.
publicado por Fantinatti | 8:59:
Relato #32(ID: 86)
Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009
Ninguem por perto, silencio no deserto...
Os ultimos dias foram muito interessantes. Estamos atravessando um deserto enorme. A Patagonia é extremamente árida e voce pode padalar durante 5 horas sem ver nada... Por sorte estamos pegando vento a favor. Mas eu sei que nao vai ser pra sempre assim e ja estou me preparando psicologicamente para enfrentar ventos de até 100km/h. Vamos ver.
Está muito calor e as vezes a agua fica quente demais. O Vincent me lembrou de uma coisa interessante: pegar uma meia grossa e por a garrafa de agua dentro. Molhando uma vez por hora a meia voce pode desfrutar de agua bem geladinha, mesmo com 45 graus na estrada. Quando a agua evapora rouba calor da garrafa... mais ou menos como funciona nosso suor. Isso é otimo!
Estou em Puerto Madryn, aos pés da Peninsula Valdes... Amanha vamos voltar 20km e entrar em Valdes. Vamos passar 3 dias lá, pois é um lugar bem grande. Espero ver pinguins pela primeira vez e tambem leoes marinhos.
Vincent vai mais uns 500km comigo até a cidade de Comodoro Rivadavia. Depois ele vai direto para o Chile e eu continuo rumo ao fim do mundo... Tierra del Fuego! Alias, conhecemos 2 casais bem legais em Las Grutas e descolamos lugar pra ficar em duas cidades mais ao Sul. A primeira é a cidade de Trelew, um pouco mais ao Sul daqui. Ficaremos na casa do Maximiliano e da Lara. E mais ao Sul, já na Terra do Fogo, na cidade de Rio Grande, devo ficar na casa do Pablo. Me passaram seus contatos e disseram que é pra eu ligar. É otimo ter um contato na Terra do Fogo. É um lugar meio isolado e inóspito.
Estou com mais dois raios quebrados na bike mas acho que nao vou ter problemas na peninsula, pois vamos cruza-la sem bagagem. Talvez em Comodoro Rivadavia eu troque todos os raios.
Atravessar o deserto patagonico está sendo uma experiencia incrivel. Claro que por ser feita de bicicleta se torna mais dificil, mas eu gosto do deserto. Alem do mais, o fato de nao ter nada deixa o lugar bem tranquilo... teoricamente pode-se acampar em qualquer lugar.
Abaixo vou colocar algumas fotos do deserto. As que eu gostei mais.
Ninguém por perto O silêncio no deserto Deserta Highway...
Estamos sós E nenhum de nós Sabe exatamente Onde vai parar Mas não precisamos Saber prá onde vamos Nós só precisamos ir Não queremos Ter o que não temos Nós só queremos viver Sem motivos, nem objetivos Estamos vivos e isto é tudo É sobretudo, a lei Da Infinita Highway...
Quando eu vivia E morria na cidade Eu não tinha nada Nada a temer Mas eu tinha medo O medo dessa estrada Olhe só, vê você Quando eu vivia E morria na cidade Eu tinha de tudo Tudo ao meu redor Mas tudo que eu sentia Era que algo me faltava E à noite eu acordava Banhado em suor...
Não queremos Lembrar o que esquecemos Nós só queremos viver Não queremos Aprender o que sabemos Não queremos nem saber Sem motivos, nem objetivos Estamos vivos e é só Só obedecemos a lei Da Infinita Highway Highway! Highway!...
publicado por Fantinatti | 7:26:
Relato #33(ID: 87)
Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009
A aventura na Peninsula Valdes
Bom,
Estamos novamente em Puerto Madryn. Acabamos ficando mais um dia aqui antes de seguir para a peninsula Valdes porque estava muito bom. Como sempre acontece nas cidades maiores conhecemos gente do mundo todo e cada mesa que sento pra tomar uma cerveja com argentinos é um curso completo de castellano. E de tanto encontrar franceses e ouvir o Vincent falar frances eu já estou compreendendo um pouco de frances tambem. Alias, os franceses e os brasileiros geralmente sao os tipos mais legais.
É incrivel porque os personagens, as pessoas, vao surgindo durante a viagem e é como se fosse um livro. É impressionante a quantidade de gente que tenho conhecido.
Peninsula Valdes - Patrimonio da Humanidade ou área privada?
No 77º dia da minha viagem saimos para a Peninsula Valdes. Foram 95km até a cidade de Puerto Piramides. Um dos lugares mais bonitos que ja visitei. Assim que chegamos ao camping, que é enorme, encontramos Joaquin, um muchacho que conhecemos em Puerto Madryn. Estava de bicicleta com seu amigo Luis. Decidimos percorrer a peninsula juntos. Toda vez que eu perguntava para as pessoas se era possivel cruzar a peninsula de bicicleta me respondiam que supostamente era proibido acampar, pois se trata de uma area de reserva protegida. Mas contra tudo e contra todos nós decidimos tentar.
Ainda em Piramides apareceu um frances chamado Max, que está com a gente agora. Max já fez de trem o caminho transiberiano, cruzando toda a Russia. Visitou tambem a Mongólia, Australia e percorreu a Nova Zelandia de bike.
Antes da minha viagem eu evitei procurar saber demais sobre os lugares que passaria. EU queria descobrir sozinho e na minha ignorancia cabiam em Valdes bosques e florestas de coniferas... mas na verdade a peninsula é uma area bem maior que a ilha de Santa Catarina e totalmente deserta. Me parece que nao há fontes naturais de agua. Imaginem uma paisagem desertica, com praias intocadas cheias de focas e leoes marinhos...
O asfalto termina em Piramides. O resto da peninsula é todo de rípio, estrada de terra com areia e pedras. Nao seria facil pedalar, mas eu saí da minha casa pedalando e nao iria desistir facil. No primeiro dia fizemos 76km e foi muito bacana. Acampamos com uma familia amiga do Joaquim que encontramos no caminho e comemos um bom churrasco com uma temperatura de mais ou menos 10 graus.
No segundo dia seguimos para Punta Buenos Aires. Um lugarm TOTALMENTE intocado. Ficamos acampados num lugar totalmente isolado. Nao havia gente num raio de pelo menos 30km. Um dos lugares mais isolados que ja estive e creio que será dificil estar num lugar tao isolado novamente. Neste dia comecei a me preocupar um pouco com nosso suprimento de agua e confesso que pela primeira vez na viagem eu senti um pouco de medo, principalmente quando o Luis e o Joaquim sairam antes para procurar agua numa base militar que em que supostamente viviam duas pessoas. Num momento, nao sei o que houve, mas meu GPS me traiu... Mostrava nossa posicao uns 500 metros fora do caminho que haviamos feito no dia anterior e apontava a estrada para um lugar que nao havia estrada. Nesta hora tivemos que usar nosso instindo e manter a calma... mas logo encontramos os dois e agora tinhamos um pouco mais de agua. Ufa! Quando reencontramos Joaquim e Luis apareceu um cachorro do nada! Este cachorro nos seguiu sob Sol forte por mais de 55km até Punta Norte...
Quando chegamos em Punta Norte acampamos escondidos do pessoal da GuardaFauna, pois nao é permitido acampar na peninsula, mas para cruza-la de bike sao necessarios varios dias. Depois que montamos as barracas o pessoal da reserva nos achou e pediu que desarmassemos as barracas... O problema é que ja estava bem escuro e isso me deixou um pouco irado... Acabamos tendo que dormir no chao do banheiro. Por sorte um banheiro limpissimo. Ah, e o cachorro que correu por 55km tambem acabou dormindo com a gente!
No terceiro dia, ja tinhamos sido avisamos que nao poderiamos mais acampar na peninsula e mentimos dizendo que iriamos voltar para Piramides, mas nao voltamos. Seguimos para Galleta Valdes, sempre seguidos de longe por uma mulher narigura na sua caminhonete... como se fossemos um perigo ou quatro delinquentes.
Para mim é um paradoxo. Se pode percorrer a peninsula de carro mas de bicicleta nao. Logo em seguida apareceu um cara num quadriciculo e claramente tinha ordens de nos acompanhar até Piramides, mas jogamos sujo com ele rsrs... passamos em frente de uma pequena propriedade privada e o senhor que vive la nos abrigou. Ou seja, o pessoal da GuardaFauna nao podia fazer nada. Estavamos dentro de uma propriedade privada com autorizacao do dono. haha... Alem do mais eu disse que estava muito cansado e que se quisessem que fossemos a Piramides teriam que nos levar, pois seriam mais 70km até lá.
O fato é que mesmo proibido, contra a estrada ruim, contra as pessoas burocraticas e contra o vento, nós percorremos mais da metade da peninsula. Sem poluir e sem deixar um grama de lixo. Fiquei todo o tempo que quis ficar na peninsula.
Ficamos 5 dias em contato total com a natureza, fiz fotos incriveis dos animais e visitei lugares que nem mesmo os turistas argentinos visitam. No total foram 485km na peninsula.
Em alguns momentos me senti um pouco violentado e mal tratado. Pois eramos 4 pessoas inofenciveis viajando de bike... mas por algum motivo que desconheço nós incomodamos um pouco... talvez 4 viajantes independentes que levam e preparam sua propria comida, que nao compram pacotes turisticos e que nao tem guia, possam mesmo trazer problemas para a INDÚSTRIA do Turismo de Valdes.
Mas o saldo foi muito positivo... valeu a pena percorrer a peninsula. Nao foi facil... e neste momento o Vincent está mandando um email para nossos amigos reporteres de Buenos Aires, contando como sao tratados os turistas brasileiros e franceses que viagem de bike na peninsula. Provavelmente vamos sair no jornal de novo.
Nao compreendo como uma coisa supostamente Patrimonio da Humanidade, seja privada AS VEZES!... Talvez seja por isso que se cobre 8 pesos por uma coca-cola lata (6 reais), para pagar os donos da terra, os funcionarios e para engordar as pessoas que manejam o turismo massivo aqui.
Uma dica: venham por que vale a pena. Vao ver praias com centenas de leoes marinhos, focas e pinguins... e se tiverem sorte verao uma Orca se jogando em cima pra praia para comer uma foca... mas... venham de carro, de preferencia um carro a diesel bem barulhento e que faça muita fumaça. Ande sempre acima do limite de velocidade para atropelar os animais. Certamente nao serao incomodados por ninguem e vao adorar! Mas nao venham de bicicleta...
Hoje ainda pretendemos seguir para Trelew e dar continuidade a viagem para o Sul. Temos 2 amigos lá.
Vou ficar devendo as fotos ainda... acabei de quebrar meu leitor de cartao rs..
publicado por Fantinatti | 4:20:
LIVRO TRILHANDO SONHOS
Sentindo o vento da Patagônia? Tem muito mais no livro!
A imensidão da estepe patagônica, o isolamento absoluto e a força mental para cruzar o deserto argentino são contados com emoção crua e sem filtros na obra completa.
Fev de 2009 • Estreito de Magalhães, Ushuaia e Parque Nacional Tierra del Fuego
Relato #34(ID: 88)
Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009
Pinguins de Magalhaes, Nuvens de Magalhaes e Estreito de Magalhaes
Bom,
Primeiramente me desculpem pelos erros de portugues que ando cometendo no site. Escrevo sempre com pressa... é por isso.
Estou na cidade de Comodoro Rivadavia, a maior cidade da provincia de Chubut, com aproximadamente 300 mil habitantes. Sempre quis conhecer este lugar. Che Guevara passou por aqui quando fez sua viagem de moto pela América do Sul e, se nao me engano, foi a cidade mais ao Sul que visitou.
Estamos na casa do nosso amigo Roberto. Nos conhecemos em Puerto Piramides e quando chegamos aqui fomos pra casa dele. Ontem Roberto me presenteou com um livro sobre Che Guevara, meu primeiro livro em espanhol!
Alias é um pouco dificil falar de America do Sul sem falar de Che, que é Argentino tambem. Muitos acham que foi um assassino e muitos acham que foi um libertador.. hehe.. eu acho que foi os dois...
Outra figura historica que se deve falar quando se pensa em Sul é o navegador portugues Fernao de Magalhaes. No seculo XVI ele fez a primeira navegacao ao redor do globo terrestre com sua tripulacao espanhola. Infelizmente foi morto num conflito com nativos um pouco antes de voltar a Europa. Mas seu nome está em muitas coisas: Nos pinguins que descobriu aqui na Argentina (pinguins de Magalhaes), nas galaxias que sao vistas no céu do hemisferio Sul (nuvens de magalhaes) e no estreito de Magalhaes, que devo atravessar em breve de barco rumo a Terra do Fogo, extremo Sul da Argentina e Chile.
Dificuldades
Antes da Peninsula Valdes eu tinha 3 furos de pneu... agora eu tenho 13 rsrsr...
A Patagonia é pra gente grande. Deve ser realmente o trecho mais dificil de toda a viagem. Os ultimos dias foram realmente dias de luta extrema contra o calor, o vento, o frio e contra o isolamento. As vezes nao é facil!
Despedidas
... e o Vincent disse: "Este viagem é uma serie larga de despedidas". Eu concordo com ele. As vezes é dificil sair de uma cidade.
O Max vai seguir daqui de onibus para El Chalten e Vincent vai somente mais 78km comigo. Depois vou estar sozinho novamente. Devo enfrentar bastante dificuldade mais pro Sul. Mas estou com o pensamento firme no que quero fazer.
Devo ficar varios dias sem atualizar o site. As vezes atravesso regioes completamente isoladas e por isso internet é a ultima coisa na minha lista de prioridades.
publicado por Fantinatti | 8:35:
Relato #35(ID: 89)
Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
Sozinho de novo na estrada!
Vincent se foi... Depois de pedalarmos quase toda a Argentina, desde Buenos Aires, atravesando toda a Pampa plana e aguentando os fortes ventos juntos... Por mais de 2000km e mais de 40 dias... ele foi para a Cordilheira e para O Chile.
Agora estou sozinho de novo e tenho que reaprender a estar sozinho. Nao tenho mais quem me faça rir nas horas dificeis e nao tenho mais ajuda.
Eu, perticularmente gosto de estar sozinho. Posso decidir tudo do meu jeito e me sinto bem. Mas com o Vincent estava bem legal porque nunca discutimos. Sempre decidimos tudo de forma bem tranquila e vou sentir um pouco de falta.
Max tambem se foi. Pegou um onibus de Comodoro para El Chalten. Ele faz os percursos mais longos de onibus e depois pedala nas melhores e mais interessantes partes. Tchau frances maluco!
Agora estou cruzando a provincia de Santa Cruz sozinho rumo a cidade de Rio Gallegos... e depois terei mais uns 300km até Ushuaia, que é e sempre foi meu objetivo principal. Alem do mais Ushuaia será o ponto da viagem mais distante da minha casa. Quase 6500km. Depois volto a subir pelo Chile e Argentina até cruzar os Andes e seguir pro norte pela costa o Pacifico.
Comodoro Rivadavia
Eu pensava que Comodoro seria um lugar cheio de caipiras. Um lugar feio e sem graça. Mas me enganei. Nunca mais vou esquecer os dias que pessei lá. Ficamos uns dias na casa do Roberto, que foi muito gentil com a gente. Foi tudo muito divertido. Um muito Obrigado a Roberto e Quique. Estou esperando voces no Brasil.
publicado por Fantinatti | 4:16:
Relato #36(ID: 90)
Domingo, 8 de Fevereiro de 2009
Alguns videos do Max
Este é um dia normal na Patagonia. Estavamos cruzando uma regiao completamente deserta por varios dias antes de chegar a cidade de Comodoro Rivadavia, no sul da Argentina. Narraçao do Max, em frances. O video do Max é sempre muito engraçado. Nao apareço no video porque estou uns 500 metros a frente.
Nosso retorno a cidade de Puerto Madryn depois de percorrer a peninsula Valdes na Patagonia Argentina em 5 dias. Cinco dias sem banho e cruzando um deserto no lugar mais isolado que estive. Narraçao do meu amigo Max em frances.
publicado por Fantinatti | 2:18:
Relato #37(ID: 91)
Domingo, 15 de Fevereiro de 2009
Indo para o Fim do Mundo - Parte I
O Sul da Patagonia foi relativamente facil. Depois de passar alguns dias na casa do Roberto em Comodoro Rivadavia, segui para Caleta Olivia junto com o Vincent. Quando chegamos, nos despedimos e Vincent seguiu em direçao a cordilheira e ao Chile.
Passei mais de 45 dias com o Vincent e acho que ganhei um amigo para toda a vida. Percorremos mais de 200km juntos pelas pampas argentinas. Foi uma aventura inesquecivel.
Depois de Caleta, segui para o Sul sozinho. Para minha felicidade o vento me ajudou e fiz 3 dias com mais de 100km.
Cheguei a Rio Gallegos e realmente precisava de um banho e uma cama. Fui para um hotelzinho e dividi um quarto com um colombiano chamado Pablo que estava indo de moto para Ushuaia.
No dia seguinte segui com frio na barriga para a fronteira com o Chile e a Terra do Fogo.
Para se chegar a Ushuaia é necessário passar por um pedaço do Chile.
Ao sair de Rio Gallegos percebi que a coisa nao seria assim tao facil. Sofri muito com o forte vento contra no primeiro dia. As vezes nao se pode fazer nada alem de ter muita paciencia.
Logo vi a aduana. Toda vez que se cruza a fronteira tem que sair de um pais e entrar no outro, ou seja, é preciso passar por duas aduanas, uma em cada lado da fronteira. E sempre tem muita fila. É um saco! Meu passaporte esta ficando cheio de carimbos, pois ainda vou ter que passar pelo Chile, depois Argentina de novo e depois Chile finalmente. Basta dar uma olhadinha no mapa desta regiao pra entender o porque.
Depois que entrei no Chile tive que ficar muito tempo na aduana pois o vento estava terrivel. Rajadas de 120km/h.
Eu tinha que seguir e depois de 2h na aduana preparei a capa de chuva, pois chovia e fazia sol a cada 10 minutos. Ao sair vi um restaurante abandonado a uns 300m. Resolvi acampar ali pois havia protecao contra o vento. Armei a barraca, fiz uma bela macarronada e medeitei. Logo depois, por volta das 11 da noite, parou um carro. O restaurante nao estava abandonado, estava em reforma e havia sido comprado por dois irmaos. Me convidaram a entrar e comer churrasco com eles. Uma bela recepçao na entrada ao Chile.
No dia seguinte sai cedo com um frio de 2 graus, rumo a Terra do Fogo chilena. Fiz a travessia do Estreito de Magalhaes de balsa.
Finalmente estava na Terra do Fogo. É emocionante chegar depois de tanto tempo na estrada. Cruzei a parte chilena com 60km de asfalto e uns 120km de Terra. Demorei 4 dias pra cruzar a Terra do Fogo chilena. Acampei 3 vezes no meio do nada com ventos fortissimos.
Com certeza absoluta, este trecho da viagem foi o mais dificil até agora. Em alguns momentos tive que empurrar a bicicleta por 15km pois o vento lateral de 100km/h nao me permitia ficar na bike. As vezes nem empurrar a bike era possivel. Isso foi mais duro que as chuvas em Santa Catarina, Os ventos no RS, o calor de 42 graus no norte da patagonia e pior que o isolamento. Depois disso acho que sobrevivo a qualquer coisa!
Quando cheguei a aduana novamente, para entrar de novo na Argentina, os ventos pioraram. Rajadas de 120 e 140km/h... Ninguem pode seguir e até os caminhoes sofrem, pois tem que andar a 10km/h. O trecho entre a aduana chilena e a argentina, de uns 10km eu nao precisei pedalar, mesmo nas subidas eu tinha que usar o freio.
Nao consegui sair da aduana argentina e acabei dividindo um quarto com o americano Andy, que tambem nao conseguiu seguir, numa hosteria ao lado da aduana. Gastei meus ultimos 70 pesos pra fazer isso e fiquei sem nada!
Hoje saí cedo para Rio Grande, com pouco vento e foi tranquilo. Estou a 220km de Ushuaia, que considero o ponto principal de toda a viagem.
Ushuaia é pra mim e cereja do bolo. O cume da montanha. Vai ser incrivel chegar la de bicicleta, ja que muito fazem de moto e já é uma historia fantastica.
publicado por Fantinatti | 5:00:
Relato #38(ID: 92)
Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
Indo para o fim do mundo - Parte II
Estou em Ushuaia, minha principal meta na viagem.
Ushuaia leva o titulo de cidade mais austral do mundo, ou seja, é a cidade que se localiza mais ao Sul de todo o planeta. A 1000km ao Sul está a penisula Antartica e muito gelo.
Ushuaia tem cerca de 50 mil habitantes e é a capital da provincia da Terra do Fogo. No mes de janeiro, que é o mais quente, tem uma tempertura media de 9,6 graus. Ponto de encontro de aventureiros e viajantes de dodo o mundo!
No ultimo post escrevi errado dizendo que fiz mais de 200km com o Vincent, na verdade foram mais de 2000km e fazendo bem as contas, foram quase 3000.
Estou num hostel incrivel. Ambiente familiar com gente do mundo todo. Hoje quando acordei, sai na rua e pude ver a minha direita o Canal de Beagle, por onde passou o naturalista britanico Charles Darwin com seu barco HMS Beagle, no seculo XIX; e a minha esquerda pude ver as montanhas nevadas... branquinhas de neve.
Boas surpresas
Quando cheguei a cidade de Rio Grande, a 220km daqui, liguei para duas pessoas que conheci 2500km antes na cidade de Las Grutas e acabei ficando na casa deles, Pablo e Noelia. Pensava em sair no dia seguinte para Ushuaia mas me convidaram para ir de carro com eles até Ushuaia pois a Noelia tinha que ir ao medico. De inicio eu disse nao, pois pensava que iria quebrar o encanto, mas logo pensei que seria uma boa conhecer o caminho antes de cruza-lo de bike. Entao deixei minha bike na casa deles e fomos de carro. Fui uma viagem muito divertida e o caminho lindo me deu mais vontade de cruza-lo de bike. Em Ushuaia almoçamos e fizemos um tour pela cidade. A tarde fomos até um glaciar na montanha. Subimos de teleferico até uns 780 metros e depois subimos até 1100 metros caminhando. Pude entao tocar a neve branquinha e macia pela primeira vez. Foi incrivel. Depois voltamos para Rio Grande.
No dia seguinte sai para cruzar o caminho de bike. No caminho encontrei duas alemas que estavam começando sua viagem de 1 ano aqui. Logo cheguei a cidade de Tolhuin. Um povoado lindo perto do lago Fagnano, que é o quinto maior lago da America do Sul.
Quando cheguei ao camping a margem do lago fiquei sem palavras. Sempre digo alguma coisa, mesmo quando estou sozinho, mas desta vez nao consegui dizer nada. A paisagem é maravilhosa, parece uma pintura. A agua azul do lago e ao fundo as montanhas nevadas. Uau!
No camping conheci um muchacho argentino chamado Matias que esta viajando de bicicleta pela Argentina. Decidi ficar mais um dia no camping pois nao consegui ir embora. O lugar é incrivel.
Aqui é incrivel. O céu nunca fica completamente escuro a noite. As 12 da noite ainda é possivel ver aquele clarao do Sol, quando se poe.
Para uma pessoa como eu, que conhece o nome proprio de dezenas de estrelas, poder ver o cruzeiro do Sul no alto do céu é impressionante! Onde moro está sempre ao Sul, mas aqui fica bem no alto do céu!
Quando sai de Tolhuin o Matias foi comigo. Encontramos 2 suiços de bicicleta tambem. Cruzamos os ultimos 105km até Ushuaia juntos, pegamos chuva, granizo e um pouco de neve tambem e estamos hospedados no mesmo hostel. Matias quer ficar em Ushuaia mais umas 3 semanas. Quer conseguir trabalhar num barco para ver se chega a Antartida. Acho que ele vai conseguir.
Hoje vou fazer umas coisa aqui. Comprar algum suvenir e colocar fotos no site. Quero tambem visitar uma ilha chilena que tem ao Sul daqui. Que tem realmente a cidade mais ao sul, que é chamada Puerto Williams. Tambem quero ficar pelo menos um dia no camping no parque nacional de Tierra del Fuego, a 15km daqui.
Eu devo ficar aqui até segunda-feira. Depois sigo pro Chile de novo.
Aprendizado
Nos ultimos meses tenho aprendido o significado de muitas palavras e nao estou falando do meu vocabulario em espanhol, estou falando de portugues. Descobri as palavras: sonho, amizade, companheirismo, paciencia, garra, perseverança, luta, solidao e agora entendo o significado pleno da palavra glória! Nao foi facil chegar aqui. Só eu sei. Rodei de bicicleta mais de 6600km até aqui em 111 dias. Mas valeu cada dia, cada dia!
publicado por Fantinatti | 11:17
Relato #39(ID: 93)
Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
A viagem de carro com meus amigos de Rio Grande (fotos)
Eu, Noelia, Pablo e Gerardo
Pablo, Noelia, Gerardo e eu
Pisando a neve pela primeira vez
Tocando a neve pela primeira vez
... comendo a neve pela primeira vez
publicado por Fantinatti | 5:17:
Relato #40(ID: 94)
Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009
Aventura no Parque Nacional de Tierra del Fuego
Saimos sabado as 7 da manha para ir ao parque nacional de Tierra del Fuego a 15 km de Ushuaia. Linda e Daniel alugaram umas bicicletas e fomos junto com o Matias. Tinhamos que chegar antes das 8 da manha pois depois deste horario se paga 50 pesos para entrar. No caminho a bike do Daniel teve um probleminha e por isso atrasamos um pouco. Segui na frente e consegui chegar antes do horario. Logo depois chegaram Matias, Linda e Daniel. O caminho é lindo, cheio de montanhas nevadas e rios. Vimos tambem uns cavalos que me pareceram nunca ter sido montados. No caminho tirei fotos de lugares lindos. Decidimos fazer uma trilha de 6 km que no nosso mapa estava marcada como somente para se fazer a pé. Eu e Matias estavamos com as bikes carregadas com tudo que tinhamos, inclusive 4 kg de carne de cordeiro para fazer um assado quando chegassemos ao camping. Entramos na trilha ao meio dia mais ou menos e logo descobrimos a besteira que tinhamos feito. O caminho é muito dificil, mesno quando se vai a pé. Escadas de madeira e um boque fechado com um relevo muito acidentado. Depois que cruzamos 1 km já era tarde para voltar e tinhamos sempre a esperanca de que o caminho fosse melhorar a qualquer momento. Mas nao, o caminho foi ficando mais duro e complicado. O que mais deixava triste é que logo acima havia uma estrada lisinha e otima para andar de bicicleta. O dia foi passando e nosso ritimo era lento. Tinhamos que praticamente carregar as bicicletas e principalmente a minha, as vezes precisava de tres pessoas para subir. O resultado foi que fizemos 6 km em 6 horas! e eu particularmente fiquei exausto. Foi muito pior que pedalar 80 km. Mas valeu, foi um dia bom que reforcou nossa amizade. Inclusive fizemos um macarrao no meio do caminho com agua do mar. Nao é recomendavel, pois é muito salgado, mas precisamos comer e tinhamos pouca agua.
Chegamos ao camping e logo encontramos Max e Sofia, que estao viajando de carona. Fizemos o cordeiro e comemos. A noite dormi junto com Matias na minha barraca, Linda e Daniel dormiram na barraca do Matias. Fez muito frio a noite e eu nao dormi muito bem.
Pela manha me despedi do Matias e voltei para o hostel em Ushuaia com Linda e Daniel.
Ao todo foram 50 km de passeio. E os 6 km de trilha nao vou esquecer nunca mais. :-)
Uma decisao importante
Estou em Ushuaia ainda e vou embora somente quarta-feira. Tomei uma decisao dificil mas muito importante pra mim.
Para seguir para Punta Arenas, no Sul do Chile, eu precisava cruzar o caminho que fiz para chegar até aqui e cruzar a parte chilena da Terra do Fogo que me causou tanto sofrimento por causa do vento de 100km/h. O pior é que para vir eu peguei o vento de lado e a favor, e mesmo assim estava dificil andar de bicicleta. Tique que empurrar a bicicleta por mais de 15km porque o vento estava fortissimo. Para voltar eu pegaria este vento de lado e contra e sinceramente acho que uma passoa nao precisa passar por aquela experiencia mais de uma vez. Foi de longe a parte mais dura e em alguns momentos senti medo devido ao vento. Caí de leve algumas vezes e nao quero outra fratura. Tambem nao quero demorar 10 dias para cruzar esta área, que é o que vou demorar seguramente. Num caminho que já conheco.
Procurei um barco pra me levar a Punta Arenas, mas nao tem. Somente navios grandes e muito caros.
Devido a estes fatores eu cheguei a conclusao que é hora de tomar o primeiro (e espero que único) onibus da viagem. Já comprei a minha passagem. Vou sair de Ushuaia e vou até Punta Arenas. Nao é nada longe, mas nao quero passar por todo aquele sofrimento de novo.
Depois de Punta Arenas sigo de bicicleta para cruzar parte da Argentina e Chile até o Peru. Esta quilometragem de onibus eu nao vou somar a quilometragem pedalada, obviamente.
Nao gosto da ideia, mas tenho meus limites e tenho que desfrutar a viagem, e nao passar por aquele martírio de novo. Sozinho de novo nao.
Em Punta Arenas já sei que tudo é mais barato que aqui e vou reforcar meu guarda-roupa de inverno pois vou pegar o outono na cordilheira e é bem frio!
Talvez Linda e Daniel sigam comigo. Nao está facil conseguir passagens.
publicado por Fantinatti | 2:23:
Relato #41(ID: 95)
Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009
Tchau Ushuaia!
Estou em Punta Arenas, Sul do Chile.
No ultimo dia em Ushuaia fomos visitar a Laguna Esmeralda a 17 km de Ushuaia. Acho que nao preciso comentar a respeito porque as fotos falam por si.
Fiquei muito tempo em Ushuaia e essa cidade é uma daquelas que eu poderia ficar mais tempo se nao tivesse que seguir. Adorei.
Gostei tambem do hostel onde fiquei hospedado. As pessoas do hostel te tratam como se fosse da familia. No meu caso saiu mais barato pois me acharam na rua e quando isso acontece te dao um descontao. Paguei o equivalente a 30 reais a diaria. Baratissimo.
Daniel e Lindalva vieram pra Punta Arenas tambem e hoje seguiram viagem. Mais uma despedida...
Quando saí de Ushuaia fiz uma besteira. Esqueci meu palm na cama que contem todas minhas anotacoes e contatos. Só percebi quando cheguei a Punta Arenas. Por sorte, havia um cara de Israel que estava no mesmo hostel e trouxe pra Punta Arenas hoje pra mim.. rs.. Ufa!
Amanha vou trocar os pneus gastos que tao na bike desde Mar del Plata e depois de amanha vou seguir para Puerto Natales. Serao uns 300km sem nada! nao há cidades... Depois creio que volto a Argentina para visitar Calafate e o Glaciar Perito Moreno.
publicado por Fantinatti | 10:54
LIVRO TRILHANDO SONHOS
Chegou ao Fim do Mundo! Mas a jornada vai muito além no livro.
Alcançar Ushuaia de bicicleta foi um marco, mas os perrengues, o frio extremo e as histórias de bastidores que não couberam nos posts diários esperam por você no livro.
Mar a Abr de 2009 • Perito Moreno, Villa O'Higgins, Coyhaique, Chaitén e fiordes
Relato #42(ID: 96)
Quarta-feira, 4 de Março de 2009
Pessoas, Pessoas e diferencas culturais
Pessoas, Pessoas e diferencas culturais
Estou viajando pela America do Sul, mas estou conhecendo o mundo.
Ja conheci centenas de pessoas de todo lugar. Eh mais facil dizer de que parte eu nao conheci do que o contrario.
Quando se viaja por muito tempo e lentamente, como eu estou viajando, algumas questoes culturais, sociais e economicas comecam a martelar na cabeca.
Tenho que ser muito diplomatico com meus comentario aqui. Mas tambem acho que minhas opinioes devem ser respeitadas.
Nos ultimos dias tenho encontrado muita gente de um pais que nao vou dizer o nome e que têm me decepcionado bastante. Entre os latinos, espanhois, franceses, italianos e ate mesmo com os alemaes e suicos ha uma empatia natural. As pessoas se entendem bem e principalmente com os italianos e franceses eu me sinto muito bem.
Ja as pessoas deste pais a que me referi sao muito estranhas. Nao te olham nos olhos, nao dizem ola ou bom dia, mesmo quando estao hospedadas no mesmo lugar que voce. Alem do mais, nao se esforcam o minimo para aprender a lingua de onde estao.
Quando voce esta na casa de outra pessoa deve ser no minimo educado. Acho que boa educacao eh uma coisa universal, senao eh melhor ficar no seu pais de origem.
Chile X Argentina
Ha uma questao interessante entre o Chile e a Argentina.
A Bolivia, antes tinha saida pro mar. Mas Peru e Chile revolveram brigar por este pedaco de terra e o Chile acabou ficando com a parte que era da Bolivia, onde hoje ha a cidade de Arica. Me parece que em seguida, a Argentina tomou metade da Terra do Fogo do Chile. A parte em que fica hoje Ushuaia, Tolhuin e Rio Grande.
O fato eh que depois de todos estes conflitos veio a guerra das Malvinas, em que os Argentinos disputaram com os ingleses ha 26 anos. Os ingleses venceram e hoje, embora os argentinos digam que nao, as ilhas sao de fato inglesas. Por isso os argentinos culpam os chilenos por terem ajudados os ingleses, o que acho que realmente ocorreu.
Hoje os chilenos dizem que nao tem nada contra os argentinos, mas os argentinos nao gostam muito dos chilenos.
Mas no meio disso tudo eles tem que conviver, pois dependem um do outro. Os Argentinos tem que passar por territorio chileno para ir ao extremo sul do pais e os chilenos usam as estradas argentinas do sul pois nao tem boas estradas no sul. :-)
publicado por Fantinatti | 7:01:
Relato #43(ID: 97)
Quarta-feira, 4 de Março de 2009
De Punta Arenas a Puerto Natales
Estou em Puerto Natales, Chile. Uma pequena cidade de menos de 30 mil habitantes que eh usada basicamente para se chegar aos glaciares e eh caminho certo dos viajantes rumo ao sul da Argentina.
Hoje esta fazendo um calorzinho bom aqui, uns 17 graus. Da ate para sair na rua de camiseta.
Foram 250km de Punta Arenas ate aqui. O vento nao deu tregua, por isso demorei 4 dias.
No primeiro dia encontrei um holandes na estrada. Ele saiu ha 5 anos do Alaska rsrs.. A noite passei a noite sozinho numa casa abandonada. Sozinho e com muito vento la fora... Nao foi facil.
No segundo dia encontrei mais alguns ciclistas de varios paises. Parece que todos os ciclistas doidos do mundo vem para o sul do chile congelar seus traseiros no verao caliente daqui. Neste eu estava abrigado numa pequena casa de madeira, em frente de uma fazenda, pois havia num vento muito frio e estava vindo uma tempestade que parecia ser de neve. Logo vi um senhor saindo de carro e perguntei se poderia armar a barraca na fazenda para passar a noite. Ele disse sim e logo em seguida vi um ciclista chegando. Foi entao que conheci o alemao Ralph, de 43 anos, que agora esta pedalando comigo.
Ralph eh gente boa e deve seguir comigo ate a carreteira austral, que eh uma estrada muito famosa no sul do Chile. Ele ja cruzou toda a africa de bike numa viagem de 22 meses!
No dia seguinte acampamos em outra fazenda. Estava bem frio, nao sei quanto, mas estava... No meio da noite acordei e percebi que eu podia ver as coisas dentro da barraca, nao estava completamente escuro. Entao sai da barraca e vi o ceu mais estrelado que vi na vida! A cidade mais proxima estava a 80km e realmente eu estava vendo a fazenda, a minha barraca e tudo mais somente com a luz das estrelas. Quase nao acreditei. Realmente impressionante! Fiquei de pe somente de camiseta, no meio daquele frio, olhando as estrelas por uns 10 minutos.
No dia seguinte seguimos com um vento fraco contra e 15km de Puerto Natales o Ralph deu comida a um cachorro e eles acabou nos seguindo ate a cidade... rsrs.. Nao se pode dar comida pra um cao abandonado.
publicado por Fantinatti | 7:05:
Relato #44(ID: 98)
Segunda-feira, 9 de Março de 2009
Amigos pelo caminho...
Quando eu estava em Ushuaia o Vincent me mandou um email dizendo que estava em Bariloche. Me deu varias dicas sobre a Carretera Austral e inclusive me passou nomes de pessoas e lugares que podem me ajudar. Disse que esta com saudade dos dias que cruzou metade da Argentina comigo. Disse tambem que ficou emocionado quando viu no meu site que eu havia chegado em Ushuaia. Ele entende bem o portugues que escreve e sabe o significado da palavra... entao fico muito feliz que ele tenha dito isso... pois sabe, como viajante ciclista, que nao eh como dar uma voltinha no quarteirao... rs
Outra coisa importante que tenho que dizer eh que meu amigo Antonio Olinto, esta descendo a Patagonia de bike com sua namorada Rafaela e eh bem provavel que nos encontremos nos proximos 15 dias... vai ser muito bacana, pois ele me inspirou bastante em fazer a viagem.
publicado por Fantinatti | 11:41
Relato #45(ID: 100)
Terça-feira, 10 de Março de 2009
O impressionante Glaciar Perito Moreno
Os ultimos dias foram bem interessantes. Estamos encontrando dezenas de ciclistas por semana. Cada um vindo de um lugar diferente e alguns com anos na estrada, como o Portugues Nuno, que esta viajando ha 2 anos e 9 meses desde o Canada.
Estou em El Calafate, uma cidade muito turistica. Como sempre depois de alguns dias no aperto, ficamos num hostelzinho legal.
Ralph encontrou no hostel uma moca da Austria chamada Conni, que ele havia conhecido num barco militar no Sul do Chile. Ele fez o que eu queria fazer e nao fiz: Pegar um barco da ilha Navarino até Punta Arenas. Ele fez e disse que foi bem legal. Um barco militar e bem barato.
Quando saimos de Puerto Natales, no Chile, o Ralph, brincou com dois caes de rua e infelizmete nos seguiram. O Ralph nao pode ver caes que mexe... Um dos caes nos seguiu por 40km e foi atropelado e o outro chegou até o povoado de Cerro Castillo, na fronteira com a Argentina. E como nao podia atravessar a fronteira, conseguimos uma pessoa para leva-lo de volta a Puerto Natales.
Ontem visitamos o Glaciar Perito Moreno, Acho que nao preciso falar muito pois as fotos que fiz ficaram incriveis. Nao por conta do fotografo, mas sim porque é o lugar mais bonito que ja estive em toda a minha vida. Imaginem 250 km quadrados com 60 metros de altura de gelo!!!.. Uau!!! Fizemos tambem um passeio de barco ao lado do Glaciar. Lugar incrivel.... Nao sei se pelas fotos é possivel ter a dimensao do lugar. As vezes o gelo se parte e cai na agua.. E eu to falando de centenas de toneladas de gelo e fazer um barulho forte como de um trovao. O mais interessante é que estava fazendo quase 30 graus em Calafate e todo aquele gelo somente a 70km daqui. Incrivel!! Eu recomendo a visita... Voces nunca mais vao esquecer!
publicado por Fantinatti | 11:52
Relato #46(ID: 101)
Sexta-feira, 13 de Março de 2009
Patagonia... Só para maiores...
Estou em El Chalten, uma pequena cidade cercada de montanhas e aos pés da famosa montanha Fitz Roy.
Chegamos aqui hoje, dia 13, e as ultimas duas noites foram um pouco incomuns. Vou descrever como foram.
Saimos de El Calafate e no primeiro dia fizemos 85km. Foi um dia tranquilo e acampamos ao lado de um rio muito bonito, com aguas cor esmeralda, aguas de glaciares.
A primeira noite é pra rir um pouco.
A noite fui cozinhar uma sopa e como havia vento tive que fazer isso dentro da barraca. Quando estava quase terminando toda a sopa virou dentro da barraca. Aí chamei o Ralph: - Ralph, come on!!! - I´m not hungry anymore -ele respondeu - I need your help! - Oh shit! What happened? - Come on to see by yourself. Ele saiu da sua barraca e quando viu disse: - Oh shit! Take off all the stuffs, take off! Lets wash the tent on the river!
Tiramos tudo da barraca e colocamos a barraca armada dentro do rio. Beleza... 30 minutos depois ela estava seca e terminou o dia mais limpa do que comecou. Resolvido. Mas nem tanto.
Quando tiramos a barraca do rio e viramos de cabeca pra baixo o meu ipod caiu de dentro limpinho. rsrsr... Pois eh, lembrei ate de tirar a minha colher e esqueci o ipod. Agora ele esta secando e vou liga-lo daqui uns dias. Tenho muitas fotos que só estao gravadas dentro do ipod. Depois eu conto se voltou a funcionar.
A segunda noite foi a pior da viagem ate agora.
Pedalamos contra o vento o dia todo e fizemos só 60km. Acampamos a beira da rodovia num lugar baixo, onde nao havia muito vento.
As 00:50 um vento fortissimo comecou, parecia que haviam 50 pessoas chutando e empurrando a barraca para todos os lados! Assustador. O vento mudou de direcao e comecou a pegar a barraca de lado. Coloquei meus dois alforges cheios em cima de mim, para aumentar meu peso e deitei no canto da barraca, pois se ela saisse do chao eu iria ser levado pelo vento junto com a barraca. Fiquei 2 horas segurando a barraca por dentro com um braco no chao e outro na parede... Eu nao podia sair da barraca, pois o vento iria levar tudo embora e eu precisava de abrigo. Depois alem do vento, comecou a chover forte e frio. Agarrei forte meu saco de dormir e fiquei deitado. O vento apertou e comecou a entrar agua dentro da barraca. Percebi que o saco de dormir comecava a ficar molhado. Entao mudei a minha postura passiva para uma ativa e pensei: danem-se as coisas, eu tenho que ME salvar e pronto. Entao prendi tudo que estava solto aos alforges e vesti minha blusa e a roupa impermeavel por cima. Eu estava no fio da navalha. Se o vento soprasse um pouco mais forte eu iria capotar 50m dentro da barraca até uma cerca que havia. Claro que iria destruir a barraca e iria me machucar tambem.
Me sentei e dobrei o saco de dormir que ja estava molhado. Tentei vestir minhas meias, mas estavam ensopadas. Fiquei sentado segurando a barraca por dentro com as costas. As 4 da manha a chuva parou e gritei pro Ralph pra saber se ele estava seco. Nessas horas vc tem que se manter seco a todo custo. Acabei dormindo um pouco e as 6 da manha choveu mais um pouco.
Foi uma noite terrivel e foi por muito pouco que o vento nao me levou com barraca e tudo. Passei tanto stress que tive dores de estomago. rsrsr... Isso é bem diferente de ficar estressado com o chefe no trabalho. Aqui é a sua vida que esta em jogo e tem que manter a calma, na medida do possivel. Pegar uma hipotermia a 76km da cidade mais proxima nao faz parte da ideia da viagem.
Tirando os problemas eu acho que tirei de letra o acontecido. Fiquei calmo e fiz o que tinha que fazer.
De manha sequei as coisas e saimos até uma fazenda a 5km dali, ode tomamos um cafe e fomos muito bem recebidos.
Foi uma noite terrivel, mas passou... :-) Sempre passa!
publicado por Fantinatti | 6:58:
Relato #47(ID: 102)
Sábado, 14 de Março de 2009
Carretera Austral... Ai vamos nos
Quaria aproveitar a mandar um abraco pra todo o pessoal da Santa Paula... e dizer que estou com saudades... e um agradecimento especial a todos que acreditaram no projeto da viagem desde o inicio.
Ah, Flavinha, eu nao esqueci do seu casamento. Dou um jeito de voltar para o Brasil em julho, fica tranquila! rsrsrs....
Bom, estamos em El Chalten e hoje fizemos uma caminhada (trekking) de uns 10km ate uma laguna e uma montanha linda com um pequeno glaciar. Nao eh facil caminhar 10km numa trilha complicada e voltar!
Segunda-feira vamos seguir viagem e tenho umas novidades sobre a minha rota.
Antes eu pensava em seguir pela Ruta 40 ate Chile Chico ou Bariloche, mas depois das dicas do Vincent e de outros ciclistas sobre a Carreteira Austral no Chile, eu mudei de ideia.
Quarta-feira vamos atravessar dois lagos enormes em direcao a cidade de Villa O Higgins (Chile). Neste lugar comeca uma estrada de terra de 1350km chamada Carreteira Austral. Pois eh ela que vou cruzar de bike. A Carreteira termina em Puerto Mont, onde tambem termina a segunda fase da minha viagem.
Nao vai ser facil, pois chove muito e a altitude fica variando entre 200 e 2000 metros... Eh possivel que peguemos um pouco de neve nas partes mais altas.
Mudei de ideia tambem porque estou cansado de pampa desertica e na Carreteira tem menos vento tambem.
Aqui tem um link sobre a Carretera Austral, mas esta em espanhol...
So devo voltar a Argentina em Bariloche e logo em seguida volto para o Chile definitivamente.
publicado por Fantinatti | 8:34:
Relato #48(ID: 103)
Segunda-feira, 16 de Março de 2009
La Poderoza!!!
As vezes nao estou com a camera na mao e acabo fazendo fotos com o celular. A qualidade eh pessima, mas a foto vale muito e o momento tambem.
Esta nao precisa de traducao neh...
Depois de um dia dificil na pampa da provincia de Buenos Aires, nada melhor que uma boa cerveza
Vincent, mandando ver num restaurante em Bahia Blanca, Argentina
hahah... eles sabem!!!
Vincent descansando num clube em Tres Arroyos, Argentina
Eu e Mariana em Punta del Este, Uruguay
Nossa saida de Buenos Aires... Eh sempre a mesma historia, eh tao dificil partir. Eh sempre a mesma historia, eh impossivel ficar!
Meu reencontro com meu amigo do Equador ao acaso na selva de Buenos Aires...
A familia de Noelia e Pablo, em Rio Grande, sul da Argentina
Tenho recebido mensagens de muitas pessoas que cruzaram meu caminho. Recebi um email do Matias, o argentino com quem convivi 5 dias. ¡Um abrazo hermanito! Espero que consiga vos llegar asta el continente Antartico. ¡Cuidado que hace frio alla! Tambem recebi um email da carioca Mariana que conheci em Punta del Este, no Uruguay. Um abraco garota! O Pablo de Rio Grande, na Argentina me disse que sua esposa, Noelia, finalmente conseguiu engravidar e provavelmente ja estava quando passei por la. Enviei um email com felicitaciones a eles... Suerte amigos! Recebi um email do Pablo do Equador... Pablito, vou bater na porta da sua casa em Quito hein! rsrsr... Um Beijo Tereza!!! Salvador me espera hahah...
Escolhi finalmente o nome para a minha bicicleta. Vai se chamar La Poderoza... em homenagem a moto que Ernesto Guevara e Alberto Granado usaram na sua viagem pelo continente em 1952.
Talvez eu fique umas duas ou tres semanas sem atualizar o site. Acessar a internet na Carretera Austral pode ser complicado.
publicado por Fantinatti | 6:09:
Relato #49(ID: 104)
Quinta-feira, 19 de Março de 2009
A chegada a Villa O Higgins - Chile
Estou em Villa O Higgins, Chile. Um pequeno povoado que nao é uma ilha, mas é uma ilha, pois é preciso pegar um barco para chegar pelo sul e tambem pelo norte. O povoado esta cercado de montanhas que ja podem ser chamadas de Cordilheira dos Andes. Mas o que mais tem me impressionado na viagem é que hoje, no seculo XXI, todos estao conectados. Mesmo este povoado com 420 moradores tem internet sem fio para todos! Nao tem bancos, mas tem internet.
Aqui em Villa O Higgins comeca a Carretera Austral. Amanha vamos comecar a cruza-la. Mas antes eu vou dizer como chegamos até aqui.
Saimos de El Chalten antes de ontem e pegamos uma estrada de terra rumo ao Lago del Desierto. O caminho nao é complicado mas pegamos um vento fortissimo contra. As vezes o vento chegou a mais de 100km/h seguramente. Trinta e sete quilometros depois, chegamos ao lago e descobrimos que o barco ja havia saido. A informacao sobre o horario que tinhamos estava equivocada. A solucao foi ir para o camping e esperar o barco da manha seguinte as 10:30.
O problema é que no dia seguinte tinhamos outro barco, para cruzar o lado O Higgins, rumo ao Chile e nao sabiamos se teriamos tempo. Seria o ultimo barco as quartas-feiras e depois somente aos sabados, pois a temporada esta acabando.
Depois que cruzamos de barco em 1h o lado del Desierto, chegamos a aduana argentina. Tivemos que alugar 2 cavalos para levar nossas coisas, pois teriamos quase 25km até o lago O Higgins, sendo que os primeiros 7 seriam bem dificeis, ate a fronteira.
Os cavalos levaram nossas coisas e fomos somente com as bikes. Mesmo assim foi complicado. Quase 3 horas caminhando numa trilha estreita e as vezes alagada.
No caminho, ja do lado chileno da fronteira, nos deparamos com um rio e um detalhe: A ponte estava completamente destruida. Tinhamos que cruza-lo, pois o tempo estava passando e iriamos perder o outro barco. Alem do mais, voltar pela mesma trilha era impossivel, levariamos 20 horas para fazer aquele percurso com a bagagem.
Ficamos ali uns 15 minutos pensando em como cruzar rio. Nao é o Amazonas, mas era um rio e com aguas congelantes de glaciar.
O Ralph foi na frente e empurrando a bike no meio das pedras e da agua gelada, conseguiu passar. Tirei minhas meias e coloquei o tenis de novo. Subi minhas calcas, tirei a bolsa de guidao que tem minhas cameras e caminhei até a metade do rio para jogar a bolsa para o Ralph. Neste momento senti como a agua é fria. Dói um pouco e em 2 minutos voce nao sente mais os pés.
Voltei, peguei a bike e comecei a travessia, segurando bem firme na bike. Com agua congelante batendo nos alforges consegui. Meus pés pareciam duas pedras de gelo. Ufa... Passamos!
Quando eu estava no meio do rio eu pensei: Puxa, isso que é aventura de verdade! rsrs... e dei um grito pro Ralph, um grito de satisfacao!
Ainda tinhamos uns 15 km para pedalar até a aduana chilena e ao barco. O Ralph foi na frente. A estrada estava terrivel. Depois de 5km vimos os primeiros chilenos.
Depois de muito esforco cheguei até a aduana chilena. Quando entrei o oficial me disse que o Ralph ja tinha passado e que o barco estava me esperando a 1km dali para sair. Novamente estavamos com a informacao de horario errada. Se tivessemos tardado mais 5 minutos ficariamos sem o barco.
Desci o morro a toda, e logo vi o barco. Embarquei e depois de duas horas e meia estavamos em Villa O Higgins. Ufa!
Pela terceira vez na viagem eu entrava no Chile.
publicado por Fantinatti | 5:50:
Relato #50(ID: 105)
Terça-feira, 24 de Março de 2009
A Carretera Austral
Estou em Cochrane, uma pequena cidade de 2500 habitantes.
Saimos de Villa O higgins e cruzamos 228 km em quatro dias. O sul da Carretera Austral é a parte mais bonita da estrada e está relativamente em bom estado. As vezes é bem dura, no seguindo dia demoramos 2h para cruzar 6 km... As vezes é necessario empurrar a bicicleta pois tem subidas muito ingremes e muita pedra solta.
Aqui na Carretera aprendi que o que está úmido pode ser considerado seco e o que está molhado pode estar molhado em varios níveis, isso depende da quantidade de dias que a coisa molhada demrora pra secar... rs Chove todos os dias e o tempo muda rapidamente. Nao há vento, mas as condicoes pessimas da estrada compensam. As vezes longos trechos com aquelas costelas de vaca que parecem que vao desmontar a bike. Alias a bike tem me surpreendido pela sua resistencia. Assim como todo o resto do equipamento.
A Carretera Austral serpenteia por dentre as montanhas e as vezes é bem perigosa, voce pode despencar 500m se nao tomar cuidado. Aqui nao precisamos levar muita agua, pois há agua em abundancia. A cada 50 metros tem uma queda dagua e se a agua vem da montanha pode ser consumida tranquilamente. Alias estamos bebendo a melhor agua natural que ja vi na vida, totalmente cristalina... impressionante!
A Carretera Austral é tambem conhecida com Carretera Pinochet pois foi feita na epoca da ditadura. Como a Transamazonica, foi criada para ligar uma regiao isolada do país e demorou muito tempo pra ficar pronta, se é que está pronta.
As paisagens sao alucinantes. Uma densa floresta, que a primeira vista parece uma floresta tropical, cercada de montanhas com picos nevados! Quase nada de trafego na rodovia.
Mais ao norte há um vulcao em erupcao. As cinzas do vulcao represaram um rio e este agora passa por dentro da cidade. Sorte que evacuaram a cidade antes. Vao ter que reconstruir a cidade mais ao norte. Uma catastrofe. Eu gostaria de visitar uma cidade assim, mas provavelmente nao vamos passar por la, pois nao sabemos se a estrada está aberta. Provavelmente vamos pegar um barco mais ao norte para a Ilha Grande e seguir por lá, ja que tem asfalto. Desta forma nao fariamos 1200km pela carretera e sim somente 600km, mas levando em conta as condicoes climaticas e da estrada, esta de bom tamanho pra mim.
Cheguei aqui na esperanca de sacar dinheiro, mas nao foi possivel. Gracas ao Ralph eu nao estou sem plata aca!
publicado por Fantinatti | 3:00:
Relato #51(ID: 107)
Quarta-feira, 1 de Abril de 2009
As belezas do Chile!
Estou em Chile Chico, uma pequena cidade de menos de 10 mil habitantes proxima a fronteira com a Argentina. Chile Chico foi a primeira cidade chilena que meu amigo Vincent visitou depois que nos separamos no litoral da Argentina.
Amanha vamos cruzar o lago General Carrera para continuar a viagem rumo ao norte. Depois do lago vamos pegar um pouco de asfalto! Ufa!
Os ultimos dias foram complicados, ficamos parados 2 dias pois choveu mais de 40 horas sem parar... Passamos momentos nada divertidos pois nao há material impermeavel que suporte 40 horas de chuva. Acabamos voltando para uma cafeteria que encontramos no caminho e alugamos um chalé para secar as coisas. Nao tinhamos mais dinheiro mas Patricio, o dono, confiou em nós e vamos fazer o deposito na conta dele. Alias eles foram muito legais conosco e tambem nos fizeram um descontao.
Chegamos aqui em Chile Chico ontem mas infelizmente nao conseguimos sacar dinheiro. Eu posso sacar dinheiro direto da minha conta no Brasil mas preciso de uma conexao VISA... e aqui só tem Marter Card... Ficamos sem dinheiro! Aí eu tive a ideia de ir até a cidade de Los Antiguos, na Argentina, a 15km daqui... la conseguimos sacar! rsr.. Pegamos um onibus até la e voltamos de carona. Cruzamos a fronteira somente pra sacar dinheiro! Mas deu certo!
Nao foi possivel encontrar meu amigo Antonio Olinto, pois quando eu saía de El Chalten por um lado ele entrava por outro... Mas nao faz mal, estivemos muito proximos um do outro.
Abaixo selecionei duas fotos dos ultimos dias. A patagonia chilena de dia e a noite!
publicado por Fantinatti | 7:21:
Relato #52(ID: 108)
Quinta-feira, 2 de Abril de 2009
Agua, agua e agua...
Tem uma foto que havia esquecido de postar aqui. A foto do momento que estou cruzando o rio de aguas congelantes perto da fronteira entre Chile e Argentina.
Recentemente, quando estavamos acampados a margem do Rio Baker, na Carretera Austral, começou a chover forte no meio da noite. Eu nao tenho mais problemas com agua na barraca pois quando estava em El Chalten, ganhei de presente uma lona plastica muito boa para cobrir a barraca. Quem me deu foi Alberto, o dono de um hostel de lá. É incrivel como as coisas acontecem na hora certa. Justamente quando eu estava para entrar na zona mais chuvosa da viagem... Pois bem, voltando ao assunto... A chuva comecou e nao parou mais. De manha deixamos as coisas no acampamento e pegamos uma carona até Puerto Bertrand, ha 5 km dali. Nao queriamos passar o dia todo dentro da barraca com a chuva la fora. Na noite seguinte, ainda chovendo, começamos ter problemas com a umidade. Depois de 24 horas de chuva a barraca começa a absorver agua, nao tem jeito. Nesta noite nao dormimos muito bem e de manha o Ralph me confessou que ficou muito preocupado com o nível do rio, pois subiu meio metro por causa da chuva. Ele disse que dormiu com seu canivete na mao, com medo de que a agua do rio pudesse subir e leva-lo com barraca e tudo... O incrivel é que eu fiz a mesma coisa... durante a noite deixei meu canivete a mao para sair da barraca facil numa emergencia. O rio subiu mais, mas nao chegou a nos pegar. E era impossivel mudar a barraca de lugar no meio da noite FRIA com chuva! De manha saimos debaixo de chuva até a cafeteria onde passamos duas noites, muito bem abrigados.
Outra coisa que esqueci de dizer é que o lago General Carrera, que vamos cruzar daqui a pouco é o segundo maior lago da America do Sul, perdendo somente para o lago Titicaca, na fronteira entre Bolivia e Peru, que devo visitar tambem.
publicado por Fantinatti | 1:32:
Relato #53(ID: 109)
Terça-feira, 7 de Abril de 2009
Coyhaique - Patagonia Chilena
Desde Punta Arenas que eu nao passava por uma cidade grande. Coyhaique pode ser chamada de cidade grande mesmo tendo somente 45 mil habitantes. Tem de tudo aqui e principalmente a cidade eh bonita e organizada, como quase todas as cidades pequenas do Chile. Alias esta cidade poe no bolso a maioria das cidades deste porte que conheco no Brasil. As vezes o Chile surpreende.
No caminho para Coyhaique pegamos neve, chuva e vento... Nao foi facil. E o relevo parece uma montanha russa.
Aqui comprei novos tenis. Agora meus pes vao continuar secos quando chover. Nao eh facil ficar com os pes como picoles...
Quando chegamos encontramos Zech e Thomas, dois americanos que estao viajando de bike e seguindo a mesma rota. As vezes pegam uma caroninha e por isso chegam antes.
Amanha vamos juntos para Puerto Chacabuco e de la vamos tomar um barco para visitar muitas comunidades nas ilhas do mar chileno e ir para a ilha de Chiloe. Vai ser melhor pois la tem asfalto.
Decidimos que depois de cruzar a ilha vamos tomar outro barco para Chaiten, a cidade que foi destruida por um vulcao. Eu conheci um fotografo frances em Puerto Ibañes e ele me disse que fez fotos muito boas la. Logicamente que nao se trata de uma atracao turistica e sim de uma catastrofe, mas eu gostaria de fazer umas fotos jornalisticas no local.
O vulcao esta mais tranquilinho agora, mas a cidade acabou...
Abaixo vou colocar um video da travassia do lago General Carrera. Saimos de Chile Chico rumo a Puerto Ibañes, num dia de aguas calmas! rs.
publicado por Fantinatti | 10:31
Relato #54(ID: 110)
Terça-feira, 14 de Abril de 2009
La poderoza naturaleza - Chaitén
Nos ultimos dias visitei o meu primeiro vulcao e de brinde ganhei pelo menos seis tremores de terra.
A cidade de Chaiten vem sofrendo com as erupcoes do vulcao Chaiten. No ano passado uma grande erupcao fez as autoridades evacuarem a cidade. Felizmente ninguem morreu, mas as mais de 5 mil pessoas tiveram que sair rapido e deixar tudo o que tinham para tras.
Uma cidade argentina tambem sofreu muito com as cinzas. A cidade de Esquel ficou cheia de cinzas, pois os ventos sempre sopram para leste nesta regiao.
Os moradores me falaram que no dia da erupcao a nuvem chegou a 35km de altitude. Agora a nuvem de vapor e cinzas nao chega a 6km.
Em fevereiro deste ano um enorme desmoronamento de terra aconteceu. O vulcao havia crescido demais e nao suportou seu proprio peso. Agora parece que tem duas crateras.
Duzentas pessoas retornaram, mas as condicoes nao estao boas. Nao há seguranca pois ninguem sabe se vai haver uma outra grande erupcao. Alem do mais as pessoas tem que conviver com as cinzas que ainda sao expelidas pelo vulcao e com tremores de terra. Vivenciamos pelo menos seis tremores em menos de 48 horas. O terceiro tremor foi bem forte. Minha cama balancou bastante. A terra se move lateralmente por uns 3 segundos e depois para. As vezes eh possivel sentir que após o abalo ainda ha uma fraca vibracao.
O governo indenizou as pessoas que perderam suas casas e as pessoas que foram embora podem até escolher em que lugar do país querem viver. Mas as pessoas que voltaram nao tem apoio algum. Parece que as obras que estao sendo feitas sao somente para salvar a ponte que ha, ja que outras cidades dependem dela.
Foi uma experiencia bem forte visitar essa cidade quase fantasma.
publicado por Fantinatti | 6:16:
Relato #55(ID: 111)
Quinta-feira, 16 de Abril de 2009
Chile
O ritimo da viagem está diminuindo rs... Se continuar assim vou acabar ficando por aqui... Nao... Brincadeira. Ainda tenho mais uns 8 mil km pra percorrer.
Quando eu saí da Argentina eu falava palavras usadas na Argentina e calculava o valor das coisas em pesos argentinos pra saber se era caro ou nao. Cinco mil pesos chilenos equivalem mais ou menos a 33 pesos argentinos, que por sua vez sao 25 reais...
Agora, depois de percorrer 1/3 do territorio chileno eu me sinto cada vez mais chileno. Adoro o sotaque das gurias daqui uau!
Estamos chegando proximo da zona central do Chile. Um Chile mais urbano e com mais desigualdade está comecando a aparecer.
Em poucos dias, talvez 3, devo chegar a Puerto Montt, onde termina a segunda fase da minha viagem. Thomas e Zach vao seguir pra Santiago de onibus e depois voar para os Estados Unidos. Zach é de Seatle e Thomas é do Alaska... Sao dois palhacos e dou muita risada com eles.
Depois de Puerto Montt é provavel que eu me separe do Ralph, pois vou para leste, visitar San Carlos de Bariloche, na Argentina. Será a quinta vez que entrarei na Argentina, mas logo em seguida volto pro Chile.
Viajar num grupo de 4 pessoas tem suas vantagens. Podemos ficar em chalés e rachamos, e como estamos fora da temporada fica baratinho. Mas eu sinto falta do contato maior com outras pessoas. Por isso tambem, depois de Puerto Montt talvez eu siga sozinho. Sozinho tambem tem suas vantagens, principalmente quando se quer conhecer gente. Quero descobrir Osorno, Temuco, Valdivia, Valparaiso e Santiago sozinho. Estou com saudade das cidades grandes rsrs...
publicado por Fantinatti | 6:48:
Relato #56(ID: 112)
Quinta-feira, 23 de Abril de 2009
Segunda Fase da viagem completada!
Bom, terminei a segunda fase da minha viagem. Até aqui foram mais de 8600 km realmente pedalados.
Estou em Puerto Montt, a somente 1000 km de Santiago. Daqui em diante vou continuar sozinho. Ralph, Thomas e Zach vao alugar uma pickup e vao para Santiago. Thomas e Zach tem que voltar pra casa e Ralph quer ir para o deserto do Atacama e para a Bolivia.
Ficar tanto tempo com o ralph e depois com Thomas e Zach foi muito bom pra mim, principalmente por ter que me comunicar em ingles com eles. Aprendi muito e acho que meu ingles está tao razoavel quanto meu castellano.
Se eu fosse seguir direto para Santiago teria somente 1000 km até lá, mas sabado vou me despedir dos meus amigos e vou para Bariloche na Argentina. Vou para leste e tenho que cruzar a cordilheira dos Andes. Logo em seguida volto pro Chile e pego a rodovia Panamericana rumo ao Norte. Alias esta rodovia comeca aqui e quando chegamos pude ve-la.
Ainda nao me acostumei com a ideia de partir. Ainda mais depois de tanto tempo com estes malucos nao é facil. Saber que vou voltar a viajar sozinho é estranho.
Vincent e Max
Vincent me mandou um email dizendo que está em Sucre, na Bolivia e disse que encontrou Max lá... da pra acreditar? rs... O mundo é realmente pequeno! Vincent tambem me passou uns enderecos em Santiago. Ele tem muitos parentes e amigos lá.
Chiloe
Na ultima semana cruzamos toda a ilha Grande de Chiloe. Foi muito legal e visitamos muitos povoados interessantes.
Pegamos uma carona num pequeno barco de um pescador da ilha grande para a pequena ilha de Mechuque... uau como balanca! Foi a primeira vez que naveguei num barco tao pequeno no mar. A sensacao é a mesma de voar num teco-teco. E como eu nao queria nadar nas aguas geladas do Pacifico Sul com todas as minhas coisas, confesso que fiquei um pouco preocupado.
Da ilha de Mechuque, mesmo a 100 km de distancia, o vulcao Chaiten ainda impressiona no horizonte.
O Chile
O País está mudando. Agora é mais urbano. Eu particularmente gosto do agito das grandes cidades e acho que ainda vai acontecer muita coisa boa pra mim neste país.
Puerto Montt tem mais ou menos 150 mil habitantes e é bem agitada e bonita. Gostei.
O frio parece que está chegando. Agora que estamos quase no meio do outono os dias estao ficando dramaticamente mais curtos aqui no Sul. Mas faz parte da viagem!
Alguns números
Somei a quilometragem que fiz com o Vincent e foram exatamente 2799km em 43 dias. Uma otima media. Com o Ralph em 53 dias fizemos cerca de 1750km. As razoes que contribuiram para a queda no desempenho foram as chuvas no sul e as duras condicoes da Carretera Austral, onde fazer 50km diarios era uma gloria!
Acredito que depois que eu pegar a rodovia Panamericana vou fazer uma media de mais de 90km diarios, pois a rodovia é fantastica.
Abaixo, em verde, o caminho que fizemos pela ilha de Chiloé:
publicado por Fantinatti | 7:07:
LIVRO TRILHANDO SONHOS
Fascinado pela Carretera Austral? Viva essa experiência no livro!
Ripio, chuva incessante, fiordes intocados e a força indomável da natureza chilena. O livro reúne relatos estendidos e dezenas de fotos coloridas de cada rincão do sul.
Abr a Mai de 2009 • Bariloche, Rota dos Sete Lagos e San Martín de los Andes
Relato #57(ID: 113)
Segunda-feira, 27 de Abril de 2009
Na Argentina de novo... e sozinho.
Bom,
Estou em San Carlos de Bariloche. Depois que mudei de ideia e cruzei o Sul do Chile todo e nao pela Argentina, Bariloche ficou um pouco fora de mao, mas estou aqui. Nunca imaginei que um dia fosse chegar a Bariloche vindo do Chile.
Depois de conversar com umas pessoas decidi que vou para San Martin de los Andes depois daqui. Ou seja, vou voltar pro Chile um pouquinho mais pro norte. Isso significa que nao vou passar em Osorno no Chile.
Fiz de Puerto Montt, na costa do Pacifico até aqui em 3 dias. Metade da distancia pedalando e a outra cruzando 3 lagos de barco. Um lago chileno e dois argentinos.
O caminho nao foi facil. Tive que cruzar a cordilheira e escolhi um caminho que passa tanta gente que nem oficiais haviam na aduana chilena. Tive que esperar meia hora até aparecer alguem. Tudo anda em ritimo lento nestes pasos de fronteira.
Um caminho rodeado de vulcoes e montanhas de até 3500 metros. A estrada de terra bem dificil e com uma subida de 8 km. Cruzei Paso (le-se passo e significa passagem) da fronteira depois de subir 800m em 8km. O paso fica a 1015 metros. Estes 8km valeram por 50. E alem do mais eu estava preocupado com o horario do barco. Quando eu estava bem no paso da montanha ja eram 11 da manha, a hora do barco, e eu ainda tinha 4 km pra cruzar. Por sorte o barco tambem atrasou rsrs. Demorei 2 horas para cruzar os 8km da subida.
Cruzar os lagos de barco foi um evento a parte. O barco do primeiro lago foi o mais rapido e bonito que tomei até agora. Os guias falam sempre em espanhol, portugues e ingles, e inclusive me deram muitas informacoes sobre as estradas mesmo sem eu ter perguntado. Claro que tudo tem um preco, cerca de 95 reais.
Nao estou tomando barcos porque sou preguicoso... e sim porque as estradas simplesmente ababam nos lagos, pois assim como eles, ficam nos vales dentre as montanhas.
Acho que ja tomei uns 16 barcos durante toda a viagem até agora.
Depois vou postar umas fotos do trajeto.
A despedida
Em Puerto Montt me despedi dos meus amigos. Eles alugaram uma pickup e partiram para Santiago. Na hora da despedida demos um abraco forte e ficou evidente que todos estavam um pouco emocionados. Nao sei se vou reve-los um dia.
Ralph, Zach and Thomas... Cycling with you was incredible my friends. Thank you for everything guys! And I wanna know news!!! At least a little bit... rsrsr...
Bariloche é um lugar tao turistico quanto Ushuaia ou Calafate e como cheguei agora no inicio da noite, nao deu tempo ainda de conhecer a cidade.
publicado por Fantinatti | 9:34:
Relato #58(ID: 114)
Quarta-feira, 29 de Abril de 2009
Ainda em Bariloche.
Bom, ainda estou em Bariloche. Ontem troquei todo o sistema de freios da bike porque ja estava na hora... e hoje precisei fazer um ajuste nos raios da roda traseira, por isso tive que ficar aqui um dia mais. Ficar um dia mais em Bariloche nao é um sacrificio tao grande rsrs.
Estou num hostel, um albergue, que tem desconto para ciclistas. Pago somente 30 pesos a diaria, o que equivale a uns 18 rais. Tenho internet a vontade e ainda lavam minha roupa. E como nao tem muita gente, estou com um quarto só pra mim. Acho que vale a pena.
Aqui conheci um espanhol que trabalha com as mesmas tecnologias e metodologias que eu na internet. Podemos trocar umas figurinhas. Fazia tempo que nao falava de trabalho com alguem. Mesmo que eu nao esteja trabalhando há 10 meses.
Bariloche está calma. Aqui tem duas temporadas, uma no verao e outra no inverno... e agora nao é nem verao e nem inverno...
Curiosidade
Este é o vulcao Pontiagudo...
O guia do barco disse que ele tem esta forma pontuda porque entrou em erupcao pela ultima vez a 300 mil anos e a lava solidificou dentro do vulcao criando uma rocha muito dura chamada basalto. Depois de 300 mil anos a erosao causada pelos ventos, chuva e gelo levou embora a parte de fora e ficou somente o basalto que havia dentro. Incrivel nao? Bom eles sabem exatamente quando foi isso somente datando as rochas. E é uma datacao muito precisa. Antes, provavelmente, ele era bem parecido com o vulcao Osorno.
publicado por Fantinatti | 11:33
Relato #59(ID: 115)
Sábado, 2 de Maio de 2009
Regiao dos lagos Argentinos
Estou em San Martin de Los Andes. Um lugar que nao fazia parte dos meus planos, mas que me surpreendeu totalmente. Me apaixonei pela cidade a primeira vista. Com certeza é a cidade mais bonita que visitei até agora e olha que nao foram poucas as cidades por onde passei.
Bom, o nome do personagem da vez é Mariano. Quando saí de Bariloche, mais ou menos 30km depois, encontrei um espanhol vindo no sentido contrário, tambem de bicicleta, havia saído do Alaska e iria terminar sua viagem em Buenos Aires. Este muchacho me disse que a minha frente havia um ciclista argentino chamado Mariano e que este iria passar a noite em Villa La Angostura, uma cidadezinha de montanha linda de 12 mil habitantes. Fui até a cidade e encontrei Mariano. Decidimos seguir juntos até San Martin.
Mariano és muy buena onda (um cara legal), como dizem aqui. Mariano é de Buenos Aires e comecou sua viagem em Ushuaia. Acho que vou seguir mais 40km com o Mariano e cruzar para o Chile em Junin de los Andes... Realmemte o lado Argentino da cordilheira é incrivel!
Foi uma decisao acertada seguir este trecho pela Argentina.
O caminho de Angostura até aqui é lindo. Fizemos os 110km em 2 dias. No meio do primeiro dia um calor de uns 25 graus nos fez companhia e como estou acostumado com o frio nao é facil pedalar, alem do mais pegamos 40km de terra.
Acampamos ontem a beira de um dos muitos lagos da regiao. Durante a noite, umas 4 horas da manha senti um pouco de frio, vesti uma blusa de lana e uma calca... depois dormi muito bem rs... pela manha percebi porque tinha despertado no meio da noite, uma garrafa de agua que tinha ficado fora da barraca havia congelado durante a madrugada. Com certeza tinha sido a noite mais fria que passei na barraca até agora. Claro que para a agua congelar daquele jeito, a temperatura caiu abaixo de zero. Eu fiquei muito feliz, pois vi que com o equipamento que tenho posso ficar tranquilo. Creio que é possivel passar uma noite a -15 se for necessario e dormir. Isso pode acontecer no norte do Chile, no Atacama.
Hoje subimos até 1160 metros de altitude e depois tivemos uma descida de 11km... hummm que beleza!
Estranhamente o ponto mais alto até agora foi no planaldo paranaense, pertinho de casa, com quase 1300 metros. Fora do Brasil os pontos mais altos foram em Cerro Castillo, no Chile, onde peguei neve, com 1122 metros e o passo da fronteira para Bariloche com 1015 metros. Com certeza, quando eu chegar a Bolivia vou rir destes numeros.
Amanha vamos visitar um museu que tem aqui sobre Che.
Aqui em San Martin de Los Andes há uma lei que diz que as construcoes tem que usar no minimo 30% de madeira e pedras. As placas, as fachadas das lojas e letreiros sao todos feitos em madeira, é lindo e alem do mais, agora no outono as arvores estao todas com um tom que vai do verde ao vermelho, passando pelo amarelo. Acho que dá pra imaginar como está a cidade.
Se eu "arrumar" uma argentina amanha eu juro que fico por aqui! rsrs...
publicado por Fantinatti | 9:46:
Relato #60(ID: 116)
Segunda-feira, 4 de Maio de 2009
San Martin de los Andes
As vezes eu tenho que ficar mais um pouco. Nao da simplesmente para dizer: "Oi eu sou Thiago e estou viajando de bici ha seis meses, cheguei hoje e amanha tenho que ir pois tenho ainda muito que viajar... voce é muito legal e quem sabe a gente se encontra por aí..." Nao dá... as vezes nao dá...
Já abandonei qualquer coisa que possa ser chamada de pressa...
Bom, Mariano foi embora hoje. Seguiu para o Norte e depois de Mendoza vai para Santiago e Valparaíso... Acho que temos boas chances de nos encontrar em Valparaíso, pois ele quer ficar algum tempo por lá.
Antes de ontem, quando chegamos, Mariano ligou para uma moca daqui chamada Victoria, que conheceu no site CoachSurfing.com... Todos saímos para tomar uma cerveja e terminamos a noite as 5 da manha tommando um vinho na casa de Victoria.
É justamente isso que me encanta na viagem. Nunca sei como, onde ou com quem vou terminar o dia.
Ontem fomos ao museu de Che que tem aqui. Fica numa casa que Che dormiu em 1952 quando passou por aqui. Depois vou colocar umas fotos.
Aqui tambem conheci um ciclista da suiÇa chamado Christian que viajando ha 2 anos. O mais engracado é que ele cruzou com um monte de gente que conheci pelo caminho. Inclusive os americanos Thomas e Zach... Ontem ele me perguntou se eu os conhecia, pois tinha visto uma foto minha no site deles rsrs. Me perguntou tambem se eu conhecia Vincent, pois conhece um outro ciclista que parece que está ou estava viajando com Vincent na Bolivia... haha... Eu disse: "Claro que conheco Vincent... ficamos juntos por 45 dias!"
Christian tambem me deu muitas informacoes sobre Bolivia e Peru.
O ciclista espanhol que encontrei perto de Bariloche me enviou muitas informacoes sobre o deserto de Atacama tambem, como lugares onde posso ficar, conseguir agua e comida... Incrivel... um arguivo super organizado com todas as informacoes.
Ahhh... e Saudacoes Corinthianas a todos! Acabei de ver na internet que foi campeao!
publicado por Fantinatti | 2:28:
Relato #61(ID: 117)
Quarta-feira, 6 de Maio de 2009
Adeus San Martin de los Andes
Escute, GAROTA O vento canta uma canção Dessas que uma banda Nunca canta sem razão Me diga, GAROTA Será estrada, uma prisão? Eu acho que sim Você finge que não
Eu vejo o horizonte trêmulo Eu tenho os olhos úmidos Eu posso estar Completamente enganado Eu posso estar correndo Pro lado errado Mas a dúvida É o preço da pureza E é inútil ter certeza Eu vejo as placas dizendo Não corra, não morra Não fume Eu vejo as placas Cortando o horizonte Elas parecem facas De dois gumes...
Minha vida é tão confusa Quanto a América Central Por isso não me acuse De ser irracional Escute, GAROTA Façamos um trato Você desliga o telefone Se eu ficar muito abstrato Eu posso ser um Beatle Um beatnik, ou um bitolado Mas eu não sou ator Eu não tô à toa Do teu lado...
Na boca em vez de um beijo Um chiclete de menta E a sombra do sorriso Que eu deixei...
Numa das curvas Da Highway Highway!
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Sore a Argentina
Acho que foi a ultima vez que pisei o solo da Argentina... pelo menos nesta viagem.
Eu tenho um guia de viagem que ganhei da baiana tereza no Uruguay, mas leio muito pouco.... mas nas vezes que li estava escrito que a maioria dos brasileiros acha que a Argentina é simplesmente o segundo melhor futebol do mundo, que é o segundo maior país da América do Sul e que segundo alguns, os porteños (moradores de Buenos Aires) sao um pouco arrogantes.
Se voce pensa só isso da Argentina eu te convido a visitar este país...
Linda Argentina! Muchas Gracias!
publicado por Fantinatti | 2:28:
Relato #62(ID: 118)
Quinta-feira, 7 de Maio de 2009
Relatos de viaje...
Daqui a pouco vou sair de junin de los Andes rumo a fronteira com Chile. Serao 50 km de asfalto e 10 de terra, cruzando a fronteira e a cordilheira.
Mas antes de sair da Argentina eu gostaria de postar aqui outro relato de viagem de Che... sobre la cidade que fiquei 4 noites e que foi tao boa pra mim.
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San Martin de los Andes
"O caminho serpenteia por dentre as montanhas baixas que apenas sinalizam o comeco da grande cordilheira e vai baixando pronunciadamente até desembocar na cidade, triste e feucho (nao sei o q é feucho), mas rodeado de montanhas cobertas de uma linda vegetacao. Sobre a estreita lingua de 500 metros de largura por 35 km de comprimento está o lago Lacar, com seu azul profundo e os verdes amarelados das laderas que alí morrem na cidade, vencedora de todas as dificuldades climaticas e meios de transporte, o dia que foi descoberto como lugar de turismo e ficara assegurada sua subsistencia. O primeira tentativa num ponto de saude publica falhou completamente, mas nos indicou que poderiamos fazer outra tentativa nas dependencias do Parque Nacional, cujo atendente nos permitiu e nos deu em seguida alojamento em um dos galpoes de ferramentas da citada dependencia. A noite chegou o sereno, um gordo de 140 kilos bem medido e com uma cara aprova de balas, que nos tratou com muita gentileza, nos deu permissao para cozinhar alí. Essa primeira noite passamos perfeitamente, durmindo entre a palha que havia no galpao, bien abrigados, o que se faz necessario em localidades como esta onde as noites sao bastante frias".
Ernesto Guevara. "Notas de viaje" Enero 1952
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Bom, acho que a traducao nao ficou tao ruim...
Realmente faz frio a noite Che!
publicado por Fantinatti | 11:29
LIVRO TRILHANDO SONHOS
Curtiu os Lagos Andinos? Aprofunde-se no livro Trilhando Sonhos!
Entre montanhas imponentes e águas cristalinas em Bariloche e San Martín de los Andes, a viagem ganha novos rumos. Descubra os pensamentos mais íntimos do autor nas páginas impressas.
Mai a Jun de 2009 • Ruta 5 Panamericana, Santiago, Valparaíso e marca de 10.000 km
Relato #63(ID: 119)
Sábado, 9 de Maio de 2009
De volta ao Chile pela quinta vez
Estou em Pucón, Chile... Uma cidade tao bonita e turistica quanto San Martin. Fica aos pés do vulcao Villarrica, que entrou em erupcao pela ultima vez em 1985.
Hoje saí de Curarrehue, proximo a fronteira e pedalei os 39km até aqui debaixo de uma constante chuva. Na verdade a chuva nao atrapalhou muito pois estava frio tambem e neste caso consigo usar tranquilamente a roupa de chuva sem ficar transpirando demais.
Bom, vou contar como foram os ultimos dias e a passagem pela cordilheira...
Quando saí de Junin de los Andes, ainda do lado argentino eu cruzei com um ciclista americano e trocamos umas figurinhas. Estave indo pro Sul, um pouco tarde, mas estava.
A uns 30km da fronteira pude ver, uns 500 metros a minha frente, uma movimentacao estranha na rodovia. Umas pessoas de preto e aparentemente estavam parando os carros. Conforme fui me aproximando pude ver que estavam fortemente armados. Reduzi o passo e deixei um carro com uma familia me passar. Estava estranho pois nao havia posto policial por perto.
Assim que cheguei pude ver os coletes da policia federal argentina e claro ja me acalmei um pouco.
Perguntei o que estava acontecendo e o agente me pediu o passaporte... Me disse que estavam procurando um criminoso perigoso. Me devolveu o passaporte e me mandou seguir. Menos mal rs.
Foram 55 km de asfalto e um pouco antes de comecar a estrada de terra cruzei com outro ciclista. Um chileno muito simpatico chamado Cesar. Estava no seu primeiro dia da viagem. Tiramos fotos um do outro e ele disse: - ¡Mira! Mira lo que tengo aca! Enfiou a mao na sua bolsa e tirou uma bandeira do Brasil! Entao disse: - ¡Mi sueño es conocer Brasil! Eu disse que eu tinha certeza que iria conseguir e que iria gostar. Me disse tambem que quer chegar até o México e que vai cruzar todo o litoral brasileiro...
Seguimos. O forte vento frio e contra nao me deu tregua neste dia. Conforme pedalava rumo a fronteira o caminho foi ficando pior. Uma estrada pessima com costelas de vaca e pedras soltas. O vento frio foi me desanimando e quando olhei estava pedalando a 4km por hora! Decidi caminhar um pouco... Eu tinha passado o dia comendo bobagem e estava fraco tambem.
O frio piorou e podia ver neve caindo alguns kilometros a frente. Eu tinha menos de 1h de luz e decidi queimar as ultimas energias para, pelo menos chegar até a aduana argentina.
A 2km da aduana encontrei um camping e decidi ficar por alí. Estava tarde e frio para tentar cruzar o passo. Acampei ao lado do Vulcao Lanin.
Logo percebi que tinha esquecido de comprar alcool e nao podia cozinhar. Por sorte tinha biscoitos, granola e leite em pó. Nada mal... Deixei uma carrafa com agua pra fora da barraca para usar como um termometro improvisado. Se congelasse parcialmente eu teria zero grau e se congelasse totalmente eu teria menos. Dormi muito bem, mas nunca vou saber se congelou ou nao pois acordei as 10:30 (horario argentino), 9:30 (chile) rsrsrs... Tomei o café da manha e segui.
Cruzei o passo a 1260 metros de altitude e depois a estrada comecou a baixar. Mas as condicoes da estrada de terra estavam pessimas e foi muito dificil, mesmo baixando. Na aduana chilena o oficial pediu pra eu abrir as bolsas em busca de frutos ou carne e me perguntou se eu estava doente. Talvez por causa da gripe "porcina", como chamam aqui.
Bom, eu nunca fiquei doente em 6 meses de viagem.
Do lado chileno, cheguei a um povoado chamado Curarrehue e fiquei por la.. pois eu estava acabado.
Toda vez que cruzo a fronteira com o Chile tenho que fazer duas coisas: Atrazar meu relogio e tentar esquecer o jeito argentino de falar.
Alias, os chilenos tem um modo peculiar de falar e alguns acham que é o espanol mais dificil de entender. Um exemplo eu tive uma vez. Fui comprar uma coca e custava 850 pesos. A pessoa me disse "chocincuenta" (tchocincuenta)... hehe.. Tem que treinar o ouvido.
Voltar ao Chile tambem é bom porque eu gosto muito da TV chilena, quando tenho acesso... Tem alguns programas que eu gosto de ver.
Agora tenho que cruzar todo o resto do Chile até o Peru. Estou num país que tem 4300km de comprimento por 180 (medio) de largura... Um país que tem umas das regioes mais chuvosas do mudo ao Sul e tambem a terceira maior cobertura de gelo do mundo, depois da Antartida e Polo Norte... E tem ao norte o deserto mais seco do mundo, o Atacama.
Daqui de Pucón vou para Villarrica, a 26km e depois tenho mais 86km até Temuco. Aí vou estar a pouco mais de 600km de Santiago.
publicado por Fantinatti | 8:37:
Relato #64(ID: 120)
Terça-feira, 12 de Maio de 2009
Seguindo para o coraçao do Chile...
Bom, antes de mais nada, mais uma pra entrar para a galeria dos encontros e desencontros da viagem...
Cheguei em Temuco agora a tarde. Eh uma cidade grande para os padroes chilenos, com mais de 250 mil habitantes. Quando cheguei fui direto para o centro da cidade, pois nao sabia onde iria ficar... parei numa esquina e fiquei pensando se comia algo ou procurava um lugar pra ficar. Decidi caminhar, empurrando a bike uma quadra mais. Foi entao que escutei alguem me chamar.. haha.. olhei e era o argentino Mariano... Nao pudemos acreditar. A cidade eh grande e eu estava meio perdido nela e alem do mais nao sabia que Mariano estava no Chile. Incrivel.
Ah, o Vincent me mandou um email dizendo que pedalou um pouco com o Ralph tambem haha! E que o Max ficou na Bolivia pois está namorando por lá! :-)
Essa viagem é realmente inacreditavel.
Hoje pedalei 80km de Villarrica até aqui. Boa parte com chuva e bastante frio.
Estou somente a pouco mais de 650km de Santiago. E pisar na ruta 5 (a Panamericana) faz o coracao bater mais forte... era um sonho antigo andar de bicicleta nesta rodovia. Em breve estarei no coracao do Chile!
O frio chegou de vez e é normal fazer zero grau ou proximo durante as noites, as vezes menos.
Fiquei 2 dias em Pucon pois estava chovendo muito. Valeu a pena esperar, pois o céu limpou e pude ver o lindo e ativo vulcao Villarrica, branquinho de neve. Tirei umas fotos e depois vou colocar no site.
Mariano me disse que decidiu vir para o Chile pois o caminho que havia escolhido pela Argentina estava muito duro. Me disse que pegou mais de 20 centimetros de neve para cruzar a cordilheira. Acho que eu tive sorte. Agora os passos ficam mais altos para o norte e acho que ele vai seguir pelo Chile tambem. Pretendo cruzar a cordilheira de novo somente para ir para a Bolivia. Aí sim vou sentir pois o passo fica a 4660 metros acima do nivel do mar.
Bom, nao é todo mundo que sabe, mas agora em julho sou padrinho de casamento de dois amigos muito especiais. Por isso vou voar para o Brasil e ficar umas duas semanas por la. Em julho faço 8 meses de viagem e será bom uma pequena pausa. Nao sei até onde chego até commeco de julho, provavelmente alguma cidade no deserto do Atacama, norte do Chile. Deixo minha bike por la e volto de onibus até Santiago para pegar o aviao. Depois da pausa de 2 semanas, volto pra Santiago e vou ao encontro da bike de onibus para pedalar o resto da viagem, Bolivia, Peru e Equador.
O meu amigo Martinho sempre me disse que 8 meses nao seriam suficientes... ele estava certissimo. Agora sei que preciso de mais tempo, talvez outros 4 meses. Fechando mais ou menos com 1 ano.
publicado por Fantinatti | 10:51
Relato #65(ID: 122)
Sábado, 16 de Maio de 2009
Mais kilometros pela Ruta 5
Estou numa cidade chamada Los Angeles, com cerca de 150 mil habitantes, que diferentemente de Temuco, eh uma cidade bonita e organizada.
Nos ultimos dois dias fiz 190km... foram 110 da pequena cidade de Victoria ateh aqui.
Tive que ficar um dia aqui pois precisava lavar roupas e fazer uma manutencao na bike.
Agora estou a pouco mais de 500km de Santiago e acho que mais uma semana estarei la. A Ruta 5 eh uma rodovia muito boa e tem um otimo acostamento, os kilometros passam voando.
Mariano ficou em Temuco pois queria descansar um pouco. Ele passou bons bocados na cordilheira rsrs.
Daqui vou direto para Chillan e nao vou visitar Concepcion, uma grande cidade que fica na costa, pois fica um pouco fora de mao. Estou ansioso para visitar Santiago e Valparaiso. Alem do mais quero ver se consigo chegar ao deserto do Atacama antes de julho.
Acho que vou chegar aos 10.000 kilometros pedalados quando estiver perto de Santiago. Isso vai merecer uma comemoracao rsrs...
Agora, no site, eh possivel clicar no mapa que ha na pagina inicial pra saber onde estou com mais detalhes. Inseri um link para o Google Maps e sempre vou atualizar quando chegar a uma cidade. Soh preciso inserir a latitude e a longitude que o GPS me da e pronto...
Tambem queria postar uma foto aqui:
Foto roubada do FaceBook da argentina Paola... rsrrs. Até que nao saimos mal. San Martin de los Andes, Argentina... ao fundo o Lago Lacar. Perdoneme Paolita jejeje... pero ahora la foto és mía! :-)
publicado por Fantinatti | 5:46:
Relato #66(ID: 123)
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
A 250 km de Santiago...
Bom, estou somente a 250km de Santiago. Conforme vou me aproximando aumenta o trafego na rodovia. Mais ou menos como ir se aproximando de Sao Paulo. O caminho nao tem muitos atrativos naturais, por isso a quantidade de fotos que tenho tirado tem diminuido.
Estou em Talca, uma bonita cidade... nao sei quantos habitantes tem mas aparenta uns 150 mil. Hoje ta calor aqui, mais de 25 graus com certeza.
Vou ficar aqui pois preciso de uma bicicletaria. Hoje, saindo de Linares, um raio da roda traseira se rompeu. Fazia muito tempo que isso nao acontecia, desde Comodoro Rivadavia, na Argentina, mais ou menos 5000 km atras. Quando isso acontece o aro entorta e tenho que soltar o freio, pois nao funciona mais. Entao preciso arrumar isso. No mais, a bike e seus componentes tem me surpreendido muito pela durabilidade e resistencia, ja que estou proximo dos 10000km... e somando o que rodei com ela antes da viagem, seguramente ja passei dos 10000. Ah, esta semana tambem tive o 17º e o 18º furo no pneu... rs
Em Los Angeles fiz o rodizio de correntes que nao fazia desde Punta Arenas. Sempre faco eu mesmo a troca da corrente, pois a ultima vez que fiz num profissional ela se rompeu.
Foi muito bom ter comprado esta bike e gostaria de recomendar o lugar onde comprei. Me lembro que fui muito bem atendido por um vendedor muito especializado no assunto e sempre com as respostas tecnicas na ponta da lingua. Me mediram e mediram as minhas pernas tambem para me ajudar a escolher o tamanho do quadro ideal. Mas como eu disse eu gostaria de recomendar, mas infelizmente nao posso, em respeito as pessoas que me ajudaram no projeto, pois, na ocasiao, o dono da loja nao se mostrou muito propenso a acreditar no meu projeto e nem sequer me deu um descontinho. :-)
Hoje, quando estava para sair de Linares, estava na praca central quando apareceu uma familia chilena vestida com trajes tipicos. Estavam tirando uma foto em frente a igreja. Como eu estava com a camera na mao resolvi tirar uma foto deles. Vieram falar comigo, disseram que estavam felizes por eu estar visitando sua cidade e foram excepcionalmente simpaticos comigo. Inclusive me mostraram muitas fotos de um festival de danca que tem na cidade todo ano e que comecaria hoje a noite... me convidaram, mas eu ja estava de saida. Muito legal a receptividade das pessoas as vezes... Os chilenos sao muito legais.
Estou um pouco cansado hoje. Tenho feito um ritimo forte na Panamericana e depois de alguns dias o corpo quer um descanso, por isso tambem, fiz somente 50km hoje.
publicado por Fantinatti | 3:26:
Relato #67(ID: 124)
Sábado, 23 de Maio de 2009
Pronto para o ataque final! :-)
Ataque final a Santiago... rsrsrs...
Antes de ontem tive meu 19º furo no pneu. Na verdade foi um buraco. Este é o problema das estradas movimentadas, tem muita coisa perdida no acostamento que pode furar o pneu. Perdi um pneu e uma camara.. E aqui em Curico resolvi trocar os dois pneus.
O Vincent me mandou um email com dicas sobre Santiago e disse que ta um frio fortissimo na Bolivia e no Peru... e que talvez eu pegue -20 graus a noite no deserto do Atacama rsrs... Na verdade eu to louco pra sair do conforto dessas grandes cidades chilenas e estar de novo no meio do nada!
A possibilidade desta temperatura nao me assusta muito ja que vou me preparar bem pra isso. Mas o fato é que se voce ficar desprotegido a -20, voce morre! Entao talvez eu compre mais umas coisas em Santiago. Aqui na zona central do Chile a temperatura esta muito agradavel.
O Mariano me mandou um email tambem, vou colocar um trecho aqui e acho que nao precisa de traducao:
"... un dia tarde a la noche, directo de victoria, hice los 110 km de un saque, y como era tarde me fui a alojar a un residencial...adivina a donde?...en el mismo donde vos te habias alojado...increible; yo llegue a eso de las 19 hs y vos te habias ido a la mañana; estamos realmente predestinados a cruzarnos hermano."
rsrsr... Eu acho que ainda vou encontra-lo por aí...
O mais incrivel é que estamos seguindo a mesma rota, muito proximos mas nao juntos rsrs... Esse é o espirito dos cicloturistas. De fato é indiferente estarmos juntos ou nao, pois cada um tem seu ritimo de viagem. E tambem, de certa forma, isso reflete uma certa independencia que temos na viagem.
As vezes me pego observando a bicicleta. Minha "relacao" (rsrs) com ela se estreitou e ela esta ficando cada vez mais bonita, com os adesivos de alguns lugares que passei e com um pouco da poeira de cada lugar. Sinto uma mescla de orgulho, felicidade e gratidao... por ter chegado onde cheguei com um meio de transporte tao simples...
publicado por Fantinatti | 12:14
Relato #68(ID: 125)
Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Santiago do Chile
Estou em Santiago, a capital do Chile. Cheguei agora a tarde pouco antes das 18 horas. Queria ir ateh a praca de armas, onde tem o kilometro Zero, onde teoricamnete fica o coracao do Chile, mas como comecou a escurecer eu achei melhor buscar um lugar pra ficar. Estou num hostel chamado La Casa Roja (a casa vermelha(... muito bacana e bem movimentado. Hoje pedalei 92km ateh achar o lugar.
Entrar de bicicleta numa cidade do tamanho de Santiago no horario de pico eh uma grande aventura. Talvez mais aventura que o norte da Patagonia, com 42 graus a sombra ou ainda mais aventura que os ventos de mais de 100km na Terra do Fogo chilena... ou ainda mais aventura que curzar a cordilheira e pedalar na carretera austral com neve... rs Logicamente as autopistas nao sao feitas para bicicletas rsrs.. Rola um pouco de stress as vezes. Tem que ser bem vivo e ignorar as placas que dizem que bicicleta eh proibido.
Amanha vou conhecer a cidade, pelo menos o centro, a pe... Nao eh seguro andar de bicicleta. A cidade me pareceu mais tranquila que Buenos Aires e muito mais tranquila que Sao Paulo, mas ainda sim utilizar o transporte publico ou ir a Pata, como dizem aqui, eh melhor.
Talvez eu fique duas ou tres noites aqui... depois vou para Valparaiso, no litoral, onde devo ficar mais tempo e tambem em Vina del Mar. Em Valparaiso vou ver se espero o Mariano, que ainda esta em Chillan, mais para o Sul.
Fiquei duas noites em Curico e tambem duas noites em ramcagua. Meu rendimento nao anda bom... acho que eu to numa semana ruim. A bicicleta parece que ta mais pesada rsrs.
publicado por Fantinatti | 8:14:
Relato #69(ID: 126)
Sábado, 30 de Maio de 2009
10.000 km !!!
Estou em Valparaiso, ou Valpo, como é conhecida tambem, no litoral do Chile. Uma cidade que ja foi destruida por terremoto e que era a principal entrada dos espanhois na epoca da colonia.
Ainda nao tive muito tempo de conhecer a cidade direito e tambem a vizinha Viña del Mar.
Bom, em Santiago fiz pela primeira vez a troca de um raio que se rompeu na roda traseira. Sempre levo a uma bicicletaria mas desta vez eu mesmo quis fazer pois tinha dois raios guardados. Deu certo, troquei o raio e alinhei a roda. Agora perdi o medo, e ficou muito bom.
Em Santiago fui a uma loja de artigos esportivos que o Vincent tinha me recomendado, comprei um fogareiro a gas muito bom. Decidi que nao vou precisar de mais roupas, pois percebi que tenho o suficiente para as noites frias do Atacama. Lá encontrei um ciclista frances que esta viajando pelo mundo. Comecou sua viagem na europa, passou pelo norte da Africa e tomou um barco para o nordeste do Brasil. Agora esta seguindo para o Norte pelo Chile. Acho que vou espera-lo aqui para seguirmos um pouco junto.
No hostel, que parecia estar em um pais de lingua inglesa, conheci uma alema muito legal chamada Barbara e apesar de nao sermos totalmente fluentes em ingles, conversamos por horas. Ela me mostrou varias fotos da sua viagem pelo mundo: India, China, Nova Zelandia e Bolivia. Agora vai para Colombia.
Conheci tambem um casal muito bacana que vive em Sao Paulo ha 10 anos. Israel e Esther, ele é mexicano e ela é espanhola. Estavam tristes pois a viagem estava no ultimo dia e tinham que voltar pra Sao Paulo.
Santiago agora esta no topo da minha listinha, junto com San Martin de los Andes, como um dos lugares que eu moraria tranquilamente. Cidade bonita e organizada e nao é absurdamente grande. O unico problema de Santiago é a poluiçao atmosferica, já que fica cercada pela cordilheira dos Andes. Me pareceu um pouco mais poluida que Sao Paulo, neste sentido.
Demorei 2 dias para cruzar os 120km de Santiago até aqui em Valparaiso. Atrasei pois nao sai tao cedo de Santiago, tive tambem um furo no pneu e tive que esperar a caminhonete do pessoal da rodovia para cruzar um tunel muito estreito. Me disseram que chamasse a caminhonete pelo fone de SOS quando chegasse ao tunel.
Durante o percurso para Valparaiso cheguei a marca de 10 mil kilometros pedalados. É uma marca importante e de certa forma um pouco rara. Só atinge esta marca quem esta cruzando todo um continente ou entao iniciando uma volta ao mundo. Logico que devem haver dezenas de ciclistas que estao fazendo uma viagem longa assim neste momento, mas mesmo assim nao é muito comum fazer 10 mil em bike. Daqui 3 dias faço 7 meses de viagem.
A bike ta bem, somente vou levar pro Brasil as rodas ja que tenho que trocar os rolamentos, só por garantia rsrs...
publicado por Fantinatti | 8:24:
Relato #70(ID: 127)
Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Valparaiso
Hoje fiz um pesseio pela cidade de Valparaiso. Eh uma cidade que pede pra ser fotografada... Eh pitoresca. Como as pessoas que conheci ontem me disseram: "Valparaiso eh suja mas eh linda" rsrs.
Alias, o dia de ontem foi um daqueles pra ficar na memoria. Eu cheguei na cidade, fiz umas fotos e fui pro hostel. Dormi um pouco e umas 8 da noite sai pra comer. Fui num restaurante daqueles que eu adoro. Servico ruim, feio, sujo, mas com comida otima rs... Eu estava sentado comendo quando chegaram umas pessoas com cara de turista. De pronto me disseram: "Vem, senta com a gente"... Bom, eu fui. Eram uma chilena, um chileno e tres francesas que estao morando em Santiago fazendo intercambio. Acabamos tomando umas cervejas. Nessas horas todo o esforco de economizar o dinheiro, que eh cada vez mais escasso pra mim, vai por agua abaixo. Depois saimos e fomos a um bar... Foi entao que apareceu uma italiana pra fechar a galera. Mais tarde, ja de madrugada, saimos procurar outro lugar. Andamos, andamos e andamos pelas ruas de Valparaiso e terminamos num show de Heavy Metal no sobsolo de um predio. O lugar mais "underground" (literalmente) que ja vi. Choramos a entrada e ficou baratinho... Depois fomos a outro bar que tinha um som mais tranquilinho de violao rsrs. Soh sei que voltei pra "casa" depois das 5 da manha, quase perdido pelas ruas estreitas da cidade. rsrs. Fazia tempo que nao fazia isso.
Aquela historia que ja contei aqui. Nunca sei como, onde ou com quem vou terminar o dia haha... Essa eh uma das partes boas da viagem.
Valparaiso me recebeu muitissimo bem... O pessoal ficou de mandar as fotos. Vamos ver se mandam.
publicado por Fantinatti | 4:58:
Relato #71(ID: 128)
Domingo, 7 de Junho de 2009
Em Valparaiso ate quarta-feira
Bom... Ainda estou em Valparaiso. Ja sao 8 dias aqui e vou ficar pelo menos ate quarta-feira. Queria mesmo descancar aqui e esta muito bom.
Tenho visitado muitos lugares interessants e conhecido muita gente bacana aqui. Eh uma cidade que pede pra ser fotografada e eh inspiradora. Ha muita cultura aqui e historia tambem.
Fui tambem a Viña del Mar, um balneario que fica ha 9km daqui. Fui em bicicleta para la duas vezes. Eh uma cidade moderna e linda. Mas eu prefiro Valparaiso.
Conheci aqui uma colombiana chamada Laura e esta sendo minha companhia em todos os lugares. Trabalha com arte e esta fazendo um trabalho aqui em Valpo.
Esta semana tambem fui ao cinema. Foi a primeira vez desde que passei por Florianopolis rsrs.. ou seja, fazia muito tempo. Fui assistir Angeles y Demonios...
Ontem fomos a casa de uns amigos de Laura e fizemos uma comida tipica colombiana. Bananas verdes fritas com queijo e molho de tomates com cebola... uau! Gostei!
Meu amigo argentino Mariano ainda nao chegou. Seria interessante encontra-lo aqui.
Quarta-feira sigo pra o Norte. Depois de 10 dias em Valpo estou com as baterias renovadas.
publicado por Fantinatti | 6:10:
Relato #72(ID: 129)
Terça-feira, 9 de Junho de 2009
Valparaiso por Laura Pardo
Algumas fotos da colombiana Laura tiradas em Valparaiso...
publicado por Fantinatti | 4:40:
Relato #73(ID: 130)
Sábado, 13 de Junho de 2009
O terceiro Chile
Estou em El Rincon, perto de Maitencillo, no litoral do Chile.
Depois de 10 dias em Valparaiso, estou na estrada de novo.
Bom, meu amigo Mariano teve que voltar a Buenos Aires para resolver coisas particulares. Isso significa que nao vou mais encontra-lo.
No meu ultimo dia em Valpo recebi a visita do frances Olivier, de 28 anos, que encontrei numa loja em Santiago. Decidimos seguir juntos, pelo menos até dia 28 de junho, quando tenho que voltar para Santiago para voar ao Brasil.
Tambem neste ultimo dia Laura recebeu a noticia que ganhou uma bolsa de estudos com tudo pago para estudar arte na Holanda. Estava muito feliz.
Quando chegamos em Maitencillo ligamos para um contato de Olivier chamado Arturo e agora estamos em sua casa.
Bom, o frances Olivier esta fazendo uma viagem de bicicleta de 4 anos ao redor do mundo. Iniciou sua viagem na Franca, cruzou Espanha, Marrocos e Senegal. Tomou um barco a vela, de carona, para cruzar o Oceano Atlantico até Salvador na Bahia, numa viagem de 3 meses. Da Bahia fez o litoral brasileiro até Sao Paulo e depois cruzou Paraguay, Argentina e agora Chile. Depois do Chile vai até o Panamá para tentar uma caroninha até Nova Zelandia para depois cruzar Oceania e Asia até a volta a Franca em 2012. rsrs...
Bom, cada vez que conheco uma pessoa como Olivier, eu percebo como sou tranquilo e normal hahah..
Ah, alem do mais, o frances tem na sua bicicleta um Parapente... Sim, um parapente, para voar. Eh um parapente super compacto e leve e pesa somente 3kg.
Arturo eh instrutor de Parapente e estamos passando dias muito interessantes aqui. Inclusive fiz meu primeiro voo de parapente... e de graca. rsrs. Eh muito bom, gostei. Depois vou mostrar algumas fotos.
Estaremos até segunda-feira aqui, pois Olivier quer fazer outros voos amanha. Talvez eu voe de novo.
Cada vez que estou "me recuperando" da ultima boa surpresa que me aconteceu e comecando a seguir viagem, me acontece uma surpresa mais... como este voo de parapente. Realmente a viagem eh uma sequencia louca de surpresas e coisas boas. Nao digo uma vida, mas eh como se pelo menos alguns anos de uma vida estivessem condensados, comprimidos nestes meses de viagem. Vamos ver o que acontecerá na proxima cidade.
O terceiro Chile
O Chile esta mudando de novo. Esta cada vez mais arido. Daqui para o norte a paisagem vai ficar cada vez mais seca e desertica. Depois do frio, gelo e da umidade no Sul, depois da parte central do Chile, com suas cidades, agora estou entrando no terceiro Chile: O Chile desertico.
Nao sei ate aonde vou chegar antes da pausa no Brasil, mas seguramente vou alem de La Serena, que fica a uns 500km ao Norte daqui.
publicado por Fantinatti | 10:17
Relato #74(ID: 131)
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Fotos enviadas
As vezes encontro algumas pessoas na estrada e algumas vezes tiram fotos de mim e enviam posteriormente. Vou postar algumas aqui.
Brasileiros que pararam o carro numa rodovia do Uruguay para falar comigo. Essa foto tem uns 7 meses.
Foto enviada por uma familia de argentinos que encontrei no Parque Nacional Tierra del Fuego, no extremo sul da Argentina.
Foto enviada pelo carioca Gilberto, que tambem encontrei no Parque Nacional perto de Ushuaia. Eu, Lindalva e Daniel.
O brasileiro Marcio, motociclista de MG que encontramos perto de Puerto Natales, Sul do Chile
A brasileira Regina que encontrei em Peulla, indo para San Carlos de Bariloche.
publicado por Fantinatti | 1:42:
Relato #75(ID: 132)
Sábado, 20 de Junho de 2009
Norte do Chile. Outro país.
Amigos, desculpem o tempo que fiquei "fora do ar"... Nos ultimos 5 dias estavamos cruzando uma regiao nao muito habitada, acampando e cozinhando todos os dias.
Agora a pouco chegamos em La Serena. Estamos oficialmente no norte do Chile e é uma regiao de transicao para o deserto do Atacama. A paisagem mudou drasticamente e em nada lembra o Sul do Chile. Parece outro pais, cada vez mais seco.
Ja estou mais ou menos na latitude de Porto Alegre. Trocando em miudos, ja estou na altura de Porto Alegre. A cada quilometro mais perto dos tropicos que chego, sinto mais Sol sobre minha cabeca.
Amanha, com mais tempo, vou escrever mais e colocar as fotos dos ultimos 500km.
publicado por Fantinatti | 4:25:
Relato #76(ID: 133)
Domingo, 21 de Junho de 2009
Primeiros 8 meses terminados...
Adoro a foto que a Laura tirou quando eu e Olivier estavamos saindo de Valparaiso. Mostra como somos pequenos e frageis com aquelas bicicletas e como a cidade é grande... e o mundo.
Laura ja deve estar na Colombia agora. Voou de Santiago hoje as 4 da manha.
Os ultimos 500km foram incriveis. É como se a aventura estivesse recomecando. Mais um deserto pra cruzar. Nao gastamos quase nada e acampamos quase todos os dias. Somente nao acampamos um dia pois conseguimos um quarto otimo numa casa a beira mar rsrs, claro que de graça.
O Olivier é um louco completo. Dos companheiros que tive ele é o mais "fora do cabo" rsrs. To aprendendo muito com ele. Cada viajante tem muito o que ensinar.
É, de certa forma, uma pena parar a viagem para ir ao Brasil agora em julho mas tambem é uma honra e uma felicidade ser padrinho do casamento dos meus amigos.
Aqui em La Serena estamos na casa de Ramon, um chileno gente boa que nos abrigou. Ainda nao conheci bem a cidade. Da varanda do apartamento do Ramon eu posso ver o oceano Pacífico, a cordilheira dos Andes e a rodovia Panamericana, como uma artéria pulsante que nunca pára, ligando o Norte ao Sul e o Sul ao Norte. Decidi que nao vou seguir mais pro norte antes de ir ao Brasil simplesmente porque nao tenho tempo suficiente. Poderia tentar chegar até Copiapó, no meio do deserto mas nao quero arriscar ter um problema e perder meu voo que sai dia 30 as 7 da manha de Santiago. Entao a bici vai ficar aqui na casa de Ramon e somente vou voltar a pedalar dia 20 de julho, quando estarei aqui em La Serena de novo. Vou até Santiago de bus. Sao quase 500km.
Amanha vou desmontar a bike, pois vou levar comigo algumas peças e os aros tambem. Vou levar tambem meu saco de dormir pois precisa de cuidados especiais para ser lavado. O resto vai ficar tudo aqui.
Para o pessoal que está acompanhando pelo site ja vou avisando que da minha casa vou colocar muita coisa nova no site e tambem muitos videos. Entao vou ficar "parado" quase 1 mes, mas o site vai ter algumas novidades.
Bom, planejei minha viagem para 8 meses e me sobram somente 10 dias. Em teoria... pois logicamente vou esticar o prazo o quanto for necessario. Sinceramente eu gostaria de voltar com a bike pra casa. Mas tenho um pequeno problema: Meu dinheiro nao vai durar pra sempre. Entao vou TENTAR, depois que chegar a Belem do Pará, percorrer o Nordeste do Brasil até a foz do rio Sao Francisco.. e de lá tomar um barco até proximo a Brasilia e de lá fazer os ultimos 1000km até aminha casa. Claro que tudo isso é muito cedo pra pensar, mas eu realmente nao gostaria de voltar pra casa de bus. Embora minha viagem termine em Belem... de fato.
Talvez terça-feira eu tome um bus até uma cidadezinha muito bonita que fica a Leste daqui. Fico uns 2 dias lá e pego minhas coisas aqui na casa do Ramon. Depois quero dar uma passadinha em Valparaiso e dia 28 vou para Santiago. Valparaiso me traz boas lembranças.
Ainda vou postar algumas fotos tiradas pelo Olivier e talvez algumas do lugar que vou visitar esta semana.
Ah, uma coisa que tinha esquecido de postar aqui... Quando estavamos passando por Viña del Mar um casal me chamou na rua... rsrs.. Era um brasileiro que eu tinha encontrado no Uruguay, quase 7 meses atras... hehehe... Ele me disse que acompanha minha viagem pelo site! O mundo é realmente pequeno. haha... Comecei texto dizendo que o mundo é grande. Bom, depende do ponto de vista.
publicado por Fantinatti | 8:05:
Relato #77(ID: 134)
Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Impossivel ficar parado
Bom,
Decidi ir a Vicuña com a bici. Nao consegui ficar parado. Estou em Vicuña e agora vou para Pisco Elqui, ainda mais para o interior. A cordilheira é linda e valeu a pena. Hoje no final do dia estarei mais perto da Argentina que do Oceano Pacifico.
Quando eu voltar a La Serena na sexta-feira vou contar mais novidades e colocar fotos.
publicado por Fantinatti | 12:27
LIVRO TRILHANDO SONHOS
10.000 km pedalados! Quer saber o que passa pela mente na estrada?
O contraste das metrópoles, a travessia das vinícolas chilenas e a preparação para o deserto mais árido do planeta: tudo registrado com riqueza de detalhes no livro.
Jun a Ago de 2009 • Antofagasta, Calama, San Pedro de Atacama e Valle de la Luna
Relato #78(ID: 135)
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Aventura na cordilheira dos Andes
Segunda-feira eu estava olhando umas anotaçoes que havia feito antes da viagem sobre lugares que gostaria de visitar e dentre estas anotacoes haviam dois observatorios astronomicos grandes. O Chile e principalmente o norte do Chile, é uma das melhores regioes do mundo para se colocar observatorios astronomicos. Aqui ha 300 dias de céu limpo por ano. Alguns dos maiores e mais potentes telescopios do mundo estao no Chile. Pois bem, quando olhei as anotacoes vi que havia um telescopio grande chamado Gemini Sul, num lugar chamado Cerro Vicuña e que ficava na latitude de 30 graus Sul. Eu sabia que tinha uma cidade a leste chamada Vicuña mas nao sabia que ficava no Cerro Vicuña... Quando olhei as coordenadas de La Serena no GPS percebi que eu estava em 30 graus Sul e que provavelmente estava perto deste enorme telescopio. Entao eu disse ao Olivier: Cara vou em bici... nos vemos lá. E fui na terça-feira cedo.
Antes de sair dei uma olhadinha na internet pra saber qual era a altitude de Vicuña e de um povoado chamado Pisco Elqui, ainda mais para dentro da cordilheira. Descobri que eu teria que subir 1250 metros, pois aqui em La Serena estou ao nivel do mar.
Pouco antes de chegar a Vicuña, que fica a 65km daqui, vi uma placa que dizia "El Tololo", neste momento lembrei que o grande teslescopio Gemini Sul ficava num Observatorio chamado Tololo... e entao vi no alto do Cerro, a uns 10km de distancia sua enorme cupula prateada... Lindo, e fiz a foto que segue.
Resolvi que nao tomaria o caminho do observatorio por alguns motivos. O primeiro é que ele fica a mais de 2000 metros de altitude, o segundo é que o caminho é de terra e o terceiro é que jamais deixariam um sujeito com uma bicicleta chegar perto de um telescopio de centenas de milhoes de dolares. Entao decidi seguir a Vicuña.
Provavelmente vou agendar uma visita pela internet para poder ir ao observatorio quando eu estiver de volta ao Chile no mes que vem.
A foto que segue eu retirei do site do projeto Gemini.
O projeto Gemini, que inclusive tem participacao brasileira, tem esse nome porque sao telescopios Gemeos, um fica aqui, chamado Gemini Sul, e outro fica no monte Mauna Hea, no Hawaii, Gemini Norte. E inclusive podem trabalhar em conjunto, olhando a mesma coisa ao mesmo tempo com seus espelhos de 8 metros cada.
Outro telscopio que quero visitar é o VLT (Very Large Telescope) ou Telescopio muito grande... que fica a uns 800 km mais ao norte, perto de Antofagasta, num lugar chamado Cerro Paranal. Segue foto.
Estes 4 principais telescopios com espelhos de 8 metros cada podem trabalhar em conjunto e juntos sao o mais poderoso telescopio da atualidade. Estao, dentre outras coisas, realizando um mapeamento detalhado do universo visivel e criando um modelo tridimensional sem precedentes.
Os espelhos deste telescopio levaram 1 ano de viagem da europa até o Chile rsrs e sao peças tao grandes que levaram meses para esfriar depois que foram feitos.
Ah. Olivier tambem vai tentar visitar um observatorio no Atacama. Ele tem um contato de um frances que trabalha no projeto A.L.M.A., uma rede enorme de radio telescopios que esta sendo contruida.
Bom, O caminho pela cordilheira é fenomenal. Uma das melhores coisas que fiz na viagem foi este passeio. E como fui mais leve foi muito facil. Deixei metade das minhas coisas aqui na casa do Ramon.
Seguem algumas fotos do caminho:
Quando cheguei na pequena cidade de Vicuña fui direto ao escritorio de um observatorio pequeno que tem na cidade chamado Mamalluca e reservei a entrada para a noite.
Junto com turistas do mundo todo, fui ao observatorio. Tivemos uma palestra sobre astronomia basica e depois observamos Saturno e seus anéis e algumas outras coisas tambem.
Enquanto estava la aproveitei para tirar umas fotos do céu, que estava perfeito:
No dia seguinte segui para Pisco Elqui. Aí comecou a subida forte. Quando cheguei a 1000 metros de altitude eu disse: MIL! e escutei TAC, TAC, TAC... e tres raios da roda traseira se romperam... Era como se a bike me falasse: "Voce disse que ia descansar e decide subir a Cordilheira!" rsrs.. A bike nao podia andar. A roda entortou demais. Tive que improvisar tirando um raio do outro lado da roda e usando o ultimo reserva que tinha. Ficou como um bambole, terrivel, mas foi possivel seguir.
Em Pisco Elqui encontrei Olivier, que foi de Carona, sem bici. La tambem comprei uma garrafa de Pisco, a bebida tipica do norte do Chile e Peru. Esta vou levar para meu pai.
Bom, para fechar a aventura andina astronomica faltava somente encontrar um astronomo... e foi justamente o que aconteceu! Conheci o Astronomo da USP Roman e sua familia. Conversamos um pouco e ele me disse que ja trabalhou em El Tololo, mas no SOAR, um telescopio que fica ao lado do Gemini.
A noite acampamos e no dia seguinte iniciei o retorno a La Serena. No total foram 212km... por um caminho espetacular!
Agora estou com 10773km pedalados. Mas o odometro da bike esta com 11242km. Essa diferença é porque no site eu nao conto o que ando dentro das cidades. Geralmente quando chego ao centro da cidade anoto a quilometragem e o que rodo dentro da cidade eu desprezo. Sao 469km de diferença.
Agora sim vou desmontar a bike rs.
publicado por Fantinatti | 8:45:
Relato #79(ID: 136)
Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
Seleção de paisagens dos primeiros 8 meses de viagem
Bom pessoal... Voltar pra casa de avião em poucas horas depois de viajar 8 meses de bicicleta é um pouco estranho.
Aí vai uma foto bonita:
Tambem fiz uma seleção de paisagens por onde passei nesses 8 meses...
Dia 19 de julho voo para o Chile para continuar a viagem.
publicado por Fantinatti | 6:22:
Relato #80(ID: 137)
Sábado, 4 de Julho de 2009
Algumas fotos tiradas por Olivier Peyre
Aqui vão algumas fotos tiradas por Olivier, que me acompanhou de Valparaiso a La Serena, no Chile. Foram quase 500km juntos. Um dos pontos positivos de ter um companheiro de viagem é que tem alguem pra tirar umas fotos suas! rs...
Eu em Valparaiso
Casa de Pablo Neruda em Valparaiso
Ex prisão... Valparaiso
Saindo de Valpo
Saindo de Valpo
O encontro com o casal brasileiro em Vina del Mar
Casa de Paola em Concon... onde tomamos o segundo café da manha do dia! rs
Meu pouso em El Rincon, Chile
Arturo voando com o Parapente de Olivier
Café da manha com os chienos numa fazenda
Tentando me proteger do Sol atras da bicicleta
La Serena...
Ah, a Laura vai vir dia 9 para o Brasil para ir ao casamento da minha amiga comigo. Vai passar uma semana aqui. :-)
publicado por Fantinatti | 12:02
Relato #81(ID: 138)
Sábado, 4 de Julho de 2009
Momentos marcantes de 8 meses de estrada.
Fiz um resumo dos momentos mais marcantes da viagem. Claro que nao tenho foto de fotos os momentos marcantes, mas aqui coloquei as que tenho.
O medo no dia da saída e o coração apertado. A fratura do braço no segundo dia. As chuvas em Santa Catarina. A solidão do extremo Sul do Brasil. O verão escaldante do Uruguai e os 42 graus a sombra no norte da Patagonia argentina. A improvisação de comer o que tem e quando tem. Dormir em barraca, as vezes sozinho num lugar deserto. O isolamento, calor, poeira e falta de agua na Peninsula Valdes, Argentina. As duras condições das estradas de terra. Os longos trechos onde não se encontra nada pelo caminho. O racionamento de comida quando o vento não nos deixava avançar na Patagonia. O frio e o isolamento do extremo Sul. Os ventos de 120km/h na Terra do Fogo chilena. A neve e a chuva no sul do Chile. A saudade...
A vida não é provada, é meramente sobrevivida, se você nao se arisca nunca... se você fica fora do fogo.
publicado por Fantinatti | 1:31:
Relato #82(ID: 139)
Sábado, 4 de Julho de 2009
Possibilidades para a continuação da viagem
Bom, depois de percorrer quase 11 mil quilometros em 8 meses, precisei fazer uma pausa e dia 19 estarei no Chile de novo para continuar a viagem.
Abaixo coloquei um mapa com os destinos mais provaveis e possibilidades:
Em vermelho está o caminho que fiz de 10773km em 240 dias de viagem. Iniciado em Ourinhos e terminado em La Serena, onde está a seta azul.
O destino principal da viagem sempre foi MACHU PICCHU, no Peru (representado pelo numero 1). Mas eu sempre deixei em aberto a possibilidade de seguir alem e seguramente com os recursos financeiros que tenho consigo chegar até QUITO, no Equador (representado pelo numero 2).
Obviamente eu gostaria de voltar pedalando para minha casa, por isso pensei na possibilidade de usar 2 dos principais rios do Brasil para agilizar e baratear a viagem.
Nao quero tomar um onibus e por isso acho que navegar seria uma ideia interessante.
Se eu apertar o bolso é possivel chegar até Belem do Pará (representado pelo numero 3). Na verdade eu vou fazer de tudo pra conseguir isso.
Realizar o trajeto do Nordeste do Brasil até a minha casa é uma tarefa praticamente impossivel com os recursos que tenho. Por este motivo estou iniciando a captação de apoio e patrocínio enquanto estou no Brasil.
Realmente, realizar a volta completa e retornar a minha casa, seria incrivel.
Parece um longo caminho, mas se desconsiderar a parte navegada, em azul, nao me resta muito a pedalar. Comparado ao que já fiz, não é muito.
Bom, estas são as possibilidades e estou ansioso para continuar.
publicado por Fantinatti | 2:36:
Relato #83(ID: 140)
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Asas redondas da liberdade!
Ainda olho pra elas e penso que é incrivel viajar tanto com um mecanismo tão simples.
Bom, minhas queridas rodas que rodaram 10773km estão com raios novos de aço inox, novos cubos shimano e a catraca está tão limpa que parece nova!
Tambem fiz uma limpeza profunda nas duas correntes que eu trouxe e no mecanismo que faz as mudanças de marcha.
No Chile só preciso montar a bike e seguir. Está pronta para o segundo round!
publicado por Fantinatti | 12:57
Relato #84(ID: 141)
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Topos do site. Primeiros 8 meses de viagem
Sempre mudo as imagens do topo do site durante a viagem. Criei uma página e coloquei todas imagens do topo do site dos ultimos 8 meses de viagem:
Ja estou de volta a La Serena, no Chile. Foram 4 horas de voo e 6 de onibus. Cheguei ontem, domindo as 10 da noite. Estou hospedado na casa de uma amiga daqui.
Hoje vou montar a bike e devo sair para a estrada na quarta-feira cedo. Terei 800 km pelo deserto do Atacama ate a cidade de Antofagasta. Depois sigo para a cordilheira, para a cidade de San Pedro de Atacama.
Eh muito dificil saber quanto tempo ainda tenho ate a Bolivia. Nao sei que dificuldades vou encontrar e se eu decidir visitar o observatorio astronomico perto de Antofagasta devo atrasar um pouco, pois a minha visita está agendada para o dia 22 de agosto. Ainda vou pensar nisso.
As rodas da bike chegaram intactas e estao perfeitas. Somente vou comprar um pneu novo hoje.
O descanso no Brasil foi otimo e sinto as baterias recarregadas, mas eu realmente estava com saudade do Chile.
publicado por Fantinatti | 2:51:
Relato #87(ID: 144)
Sábado, 25 de Julho de 2009
No caminho do deserto
Bom,
Estou em Vallenar, ao Sul da terceira regiao do Chile. Hoje pude tomar um banho depois de 4 dias e vou domir numa cama! rs. Nao é tao ruim assim quanto parece... No deserto fico mais em barraca, o que é bom pra economizar dinheiro. O chato é ficar sozinho.
Foram quase 200km em 4 dias. Media de 50 km somente, devido a varios fatores, como subidas e falta de pressa mesmo.
Amanha já sigo. Tenho mais quase 150 km até Copiapó, ja no deserto. Depois sigo para o litoral de novo. Tem praias lindas nesta parte do Chile.
As vezes tenho saudade do frio do Sul. Eu explico: No Sul o frio era constante. Fica mais facil. Já aqui a sensacao termica pode ir de 35 graus a 15 em dois minutos... Tem que ter boa saude... e alem do mais é muito seco. A boca esta sempre seca... Ainda estou me adaptando a essa nova condicao. Tenho que me adaptar pois tenho mais uns 800 km pelo Chile e exatamente no deserto.
Eu gosto do deserto. Quando nao tem carro passando o silencio é mortal!
publicado por Fantinatti | 8:52:
Relato #88(ID: 145)
Segunda-feira, 27 de Julho de 2009
Às portas do deserto do Atacama
Cheguei agora a pouco as 6 da tarde em Copiapó. A maior cidade da terceira regiao do Chile. A cidade parece ter mais de 100 mil habitantes e apesar de se ver mais desigualdade pelas ruas, a parte central da cidade é linda.
Nos ultimos 3 dias fiz 220 km. Aumentei o ritimo e hoje senti umas fisgadas no joelho esquerdo. Nunca havia sentido nada neste joelho. Certamente é o comeco de uma tendinite devido a parada de quase um mes que tive. A dor é similar a que tive em Santa Catarina no outro joelho. Ja tomei um anti-inflamatorio e acredito que seja possivel seguir amanha até Caldera, ja no litoral, onde devo descansar uns 2 dias.
Em Caldera devo encontrar praias lindas de areia branca e aguas azuis com uma brisa caliente!! como diz meu guia de viagem rsrs...
Ja estou praticamente no deserto do Atacama. Mais um pouco estarei na regiao mais seca do planeta. Há partes que acredita-se que tenha chovido poucas vezes nos ultimos 500 anos.
A primeira constatacao que fiz é que se fosse verao seria impossivel cruzar esta regiao em bici. As vezes o calor é forte e somado ao clima seco torna-se mais desgastante. No mais, é tranquilo e nao é taaao deserto assim... Sempre se encontra um restaurante de comida caseira onde se pode conseguir agua.
Acampar sozinho no meio de uma regiao isolada assim é sempre uma experiencia forte.
Hoje, pouco antes de chegar aqui encontrei 3 cliclistas da Coreia do Sul. Muito animados e muito jovens. Estao indo até Santiago, a 800km ao Sul.
Nos proximos dias devo cruzar o Trópico de Capricornio e retornar a regiao tropical depois de 8 meses.
(11119km - 247 dias)
publicado por Fantinatti | 8:51:
Relato #89(ID: 146)
Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
Playas de arena blanca y agua azul
É verdade... hoje fui até Bahia Inglesa, uma praia que fica a 7 km daqui de Caldera e fiquei deslumbrado com a beleza da praia. A primeira vista lembra uma praia do Caribe ou nordeste do Brasil. Areia branquinha e aguas azul turquesa. Incrivel... Mas quando voce poe os pés na agua já era a primeira vista rsrsr... Geladinha e ainda mais se voce ver um pinguim se exibindo nas aguas rasas.
Apesar de eu estar proximo ao tropico de capricornio as aguas seguem frias pois essas aguas vem do Sul por isso é possivel encontrar pinguins e focas até na costa do Equador. Ainda nao tive meu banho de mar no Pacífico. Talvez consiga somente no Peru.
Amanha vou pegar minhas coisas e voltar a Bahia Inglesa para acampar na praia. Ainda nao sinto meu joelho apto a cruzar um deserto. E alem do mais nao é sacrificio nenhum ficar um dia acampado lá. Seguramente é uma das praias mais bonitas que vi até agora na viagem. Depois vou por algumas fotos no site.
Caldera nao tem praias tao bonitas e aqui tem um vento um pouco frio. Caldera é como a maioria das cidades chilenas. Tem uma praça linda e bem cuidada no centro que sempre chama-se Plaza de Armas e sempre tem uma rua Arturo Prat e outra Bernardo O´Higgins ao lado... via de regra... Sao duas figuras historicas importantes aqui.
Depois daqui vou seguir pela costa até Chañaral, que tambem tem praias muito bonitas. De Chañaral vou até proximo a Taltal e depois tenho uns 250km duros na parte mais deserta, ja entrando na segunda regiáo do Chile, onde fica a cidade de Antofagasta e San Pedro de Atacama.
publicado por Fantinatti | 11:01
Relato #90(ID: 147)
Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
O que me resta pelo Chile ainda
Abaixo coloquei um mapa que mostra em VERDE o caminho de 424 km que fiz na ultima semana e em AZUL o restante até San Pedro de Atacama... Depois de San Pedro tenho que escolher o Passo de fronteira mais baixo para cruzar a Bolivia.
publicado por Fantinatti | 11:14
Relato #91(ID: 148)
Terça-feira, 4 de Agosto de 2009
Seguindo pelo deserto do Atacama
Meu ultimo dia naquela praia maravilhosa chamada Bahia Inglesa foi bem bacana. Eu queria acampar bem na praia mas 3 chilenos de Santiago me convidaram a acampar com eles num camping ao lado da praia... Mais a noite apareceu um casal de chilenos e ficamos até tarde bebendo Piscola (pisco com coca-cola) rsrs.
No dia seguinte saí super tarde rumo ao Parque Nacional Pan de Azucar. Rodei 45km e acampei numa praia deserta. Depois segui rumo ao Parque. Infelizmente a noite chegou e tive que acampar a somente 15km de Caleta Pan de Azucar. Esta noite eu nao dormi. Tive a primeira experiencia ruim com animais. Um rato minusculo passou a noite toda tentando entrar na minha barraca. Só me deu tregua as 6 da manha. Foi tragico e comico ao mesmo tempo...
Em Pan de Azucar acampei na praia. Um lugar muito bonito. A noite 3 professores de Santiago me convidaram a tomar uma bebida e jogar conversa fora com eles... Foi muito bacana.
Quando passei por Chañaral decidi nao comprar mantimentos pois iria passar por Caleta Pan de Azucar e poderia comprar lá... mas, desafortunadamente nao tinha sequer um mercado ou armazem por lá... somente restaurantes caros... e é justamente por isso que tive que vir a Taltal. Para comprar mantimentos para os ultimos 250km até Antofagasta. O problema é que até aqui sáo 22km de descida, desde 820 metros de altitude até o nivel do mar. Amanha tenho que voltar por este mesmo caminho e subir tudo de novo até a Carretera Panamericana. Ou seja, por falta de planejamento vou perder um dia de pedalada! Ao menos tem uma cidade aqui... senao tivesse teria que apelar para a ajuda de caminhoneiros rsrs. Pelo que me disseram este proximo trecho é o mais deserto da regiáo.
Ontem acampei no lugar mais incrivel de toda a viagem. Ao lado de um morro vermelho... Numa parte totalmente deserta, como de outro planeta. Incrivel paisagem.
Tenho um monte de novas fotos mas somente vou colocar no site todas em Antofagasta... mais ou menos daqui 4 ou no maximo 5 dias.
Abaixo somente algumas para aperitivo:
publicado por Fantinatti | 6:49:
Relato #92(ID: 149)
Domingo, 9 de Agosto de 2009
Em Antofagasta
Cheguei... Depois de 5 dias cruzando uma das mais desertas partes do Atacama consegui chegar em Antofagasta. Uma cidade de 285 mil habitantes.
Depois, mais tarde ou amanha, eu escrevo mais. Tenho que encontar um lugar pra ficar.
publicado por Fantinatti | 6:13:
Relato #93(ID: 150)
Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
5 dias cruzando o deserto
Bom,
Os ultimos 5 dias eu passei cruzando mais de 300 km por uma area que è seguramente uma das mais desertas do Atacama.
Quando saí de Taltal tive que subir desde o nivel do mar até 820 metros. Este caminho eu ja conhecia. Achava que o caminho iria ficar mais ou menos nesta altitude, mas me enganei feio. Foram 3 dias de subida forte sendo que o ultimo dos 3 com vento forte contra. Cheguei até 2180 metros acima do nivel do mar. Até agora é meu recorde. A unica coisa que percebi foi que o saquinho de amendoim que eu tinha comprado no nivel do mar estava inflado como um balao rsrs.
Na noite do terceiro dia eu cozinhei e fui dormir. Pela manha tinha um pouco de gelo na barraca. Creio que deve ter feito um pouco menos de zero grau na madrugada. Desarmei o acampamento e o tempo ficou horrivel. O ceu ficou totalmente branco e um vento frio, muito frio comecou. Cheguei a sentir um pouco de medo pois nao sabia o que iria acontecer. Tive que pedalar todo o dia com minha blusa de polartec e outra blusa de la por baixo. Isso nunca tinha acontecido. Realmente estava frio e o vento contra deixava a sensacao termica uma loucura. Quando comecei a baixar e cheguei a 1400 metros o frio diminuiu mas o vento contra foi comigo até Antofagasta... ou seja, nao aproveitei sequer um seguundo a descida de 2000 metros... tinha que pedalar forte mesmo na descida. A sensacao é de estar numa moto a 70km por hora... mas nao, eu estava numa bicicleta a 10km por hora... uhh.
Agradecimento aos caminhoneiros do Deserto
Queria deixar aqui um agradecimento a todos os caminhoneiros que cruzam o deserto. Se eu ganhasse 10 centavos por cada caminhoneiro que acena com um sorriso dando forca eu ja estaria rico.
No segundo dia eu fiquei sem agua e um caminhoneiro me deu 3 litros! rsrs.... Outra coisa boa dos caminhoneiros é que a informacao que eles passam é impecavel.. Conhecem perfeitamente a estrada, até melhor que a policia.
Hoje pouco antes de chegar a Antofagasta até ajudei um caminhoneiro a trocar um pneu. Ele nao estava conseguindo tirar os parafusos e me pediu ajuda quando eu passava.
Este trecho do Atacama foi tao duro quanto algumas partes da Patagonia Argentina e Chilena... Me lembrou os ventos fortes da Pampa Argentina e o vento frio do Sul do Chile.
Daqui de Antofagasta tenho que subir atè 2500 metros de altitude atè San Pedro de Atacama. Tenho 200km até Calama e mais 100 até San Pedro. Só saio de San Pedro sabendo exatamente como é a estrada, a altitude, os ventos e a temperatura no altiplano Boliviano... Devo cruzar a fronteira entre 4500 a 5800 metros acima do nivel do mar.
Desde que voltei ao Chile ja fiz 1034km. Agora estou com 11807km num total de 260 dias contados a partir do comeco de novembro mais os dois dias antes de quebrar o braco e menos os 20 dias que fiquei no Brasil.
publicado por Fantinatti | 1:41:
Relato #94(ID: 151)
Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
Foto enviada....
Os Chilenos que conheci em Bahia Inglesa enviaram a foto que tiraram na praia:
Domingo, Adrian, eu, Javier
O argentino Mariano, com quem fiz o ultimo trecho pela Argentina perto de Bariloche, me escreveu e disse que esta no Norte da Argentina, ou seja, está relativamente proximo de mim... talvez uns 500km a Leste. É possivel que nos encontremos em San Pedro.
publicado por Fantinatti | 1:46:
Relato #95(ID: 152)
Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
Altiplano Boliviano
Estava pesquisando o melhor, ou menos pior, "passo" de fronteira a Bolivia. Creio que vou cruzar o Passo Ollague que fica somente a 3695 metros sobre o nivel do mar. De San Pedro até lá tenho que voltar a Calama e depois seguir a Chiu Chiu e de lá tenho um longo caminho de terra até a fronteira.
No altiplano poderei ter no mesmo dia de -5ºC a 25ºC. Sobre os ventos, provavelmente sopram predominantemente de oeste a leste, mas nao tenho certeza. Acredito que vai ser dificil ter a minha agua congelada lá em cima pois a pressao atmosferica é importante para a ebulicao e congelamento da agua. A 3000 metros a agua deve ferver a menos de 90ºC. Isso quer dizer que para congelar a temperatura tem que cair bem a menos de zero grau. Me corrijam se eu estiver errado. rsrs.
Amanha saio de Antofagasta. Vou subir pela costa cerca de 21km até um ponto turistico importante. Volto a cidade e subo até um posto de serviços que tem uns 20km pra cima, onde devo passar a noite antes de seguir a Calama... sempre subindo. Entao, amanha provavelmente eu faça uns 60km, mais ou menos.
publicado por Fantinatti | 8:36:
Relato #96(ID: 153)
Sábado, 15 de Agosto de 2009
San Pedro de Atacama
Pessoal, cheguei rsrs.. Ufa.. O dia de hoje foi daqueles de dar 110%. Foram 93 quilometros de Calama até aqui, sendo os primeiros 57km somente de subida até 3470 metros de altitude. Realmente foi um dia de supercao total.
A cidade é o lugar mais incrivel que ja estive na viagem.
Amanha atualizo o site com fotos e escrevo mais. Vou descansar.
(265 dias, 12165km)
publicado por Fantinatti | 7:39:
Relato #97(ID: 154)
Domingo, 16 de Agosto de 2009
O caminho a San Pedro de Atacama
Depois que saí de Antofagasta fui visitar "La Portada" que é um monumento natural que fica 20km ao norte:
Quando saí de La Portada decidi seguir pela costa até Tocopilla, uns 160 km mais ao norte. Mas aí encontrei uma estrada que nao tinha no meu mapa que fazia aligacao entre a Ruta 1 (litoral) e a Ruta 5 (a panamericana). Conversei com uns caminhoneiros e me disseram que era melhor eu subir por este caminho que seria menos inclinado. Realmente o caminho foi facil. No dia seguinte encontrei um casal de Brasileiros de Minas Gerais que estao viajando de moto. Vieram pela transoceanica, que liga o Acre ao Peru. A noite dormi num vagao de carga de um trem em Baquedano. Recomendacao de uma moradora do povoado, que disse que ninguem iria me incomodar alí... Sim.. dormi muito tranquilo. Depois segui a Sierra Gorda e Calama, que já fica a 2250 metros de altitude. Eu achava que o caminho de Calama a San Pedro iria ficar mais ou menos neste nivel pois San Pedro fica a 2470 metros. Mas nao, subi 57km até 3428 metros de altitude... Foi um dia de superacao Total. A unica coisa que senti foi uma dorzinha de cabeça acima de 3100 metros. Normal, pois eu nao estava aclimatado. Nesta altitude é muito estranho. O Sol estava muito quente, mas tambem tinha um vento muito frio junto rsrs... e o céu é absurdamente azul.
Os 93km de Calama a San Pedro eu nao vou esquecer jamais. Quando cheguei a San Pedro eu ria compulsivamente como um louco rsrsrs... Senti muita satisfacao de ter conseguido... de verdade.
Ah... ontem eu estava andando por uma das ruas estreitas de terra de San Pedro as 9 da moite e alguem me chamou... era a chilena Laura, que me hospedou em La Serena, a mais de 1000km ao Sul rsrs.. que mundo pequeno.
Ainda tenho muito o que fazer aqui. Quero visitar os muitos lugares que tem ao redor de San Pedro, incluindo o Valle de la Luna. Depois tenho que voltar a Calama e seguir um pouco pro Norte até o Passo Ollague, à Bolivia.
(266 dias, 12165 km)
publicado por Fantinatti | 12:38
Relato #98(ID: 155)
Domingo, 16 de Agosto de 2009
Valle de la Luna
Hoje pedalei 33km e fui visitar o Valle de La Luna que fica perto de San Pedro de Atacama. Vou colocar todas as fotos só quando eu voltar a Calama. Mas vou por só duas agora.
Hoje tambem descobri que tenho um problema com a bicicleta e vou ter que trocar o aro traseiro em Calama antes de seguir pra Bolivia. O aro que levei pro Brasil e trouxe de volta com todo cuidado está se partindo, provavelmente devido aos raios muito apertados. Estou bem chateado com isso, mas tenho que arrumar isso pois a Bolivia estao pintando como a parte mais dura da viagem e nao posso bobear.
Em Calama vou deixar tudo pronto pra guerra rsrs... Devo comprar alguns itens importantes tambem. Só saio de Calama com tudo perfeito.
Depois de Calama vou até a fronteira, o "Passo" Ollague a 3680 metros, onde ja sei que posso me hospedar e depois na Bolivia é outro mundo, principalmente a parte que vou entrar, proximo ao salar de Uyuni.
Hoje conversei uma hora com um chileno que conhece bem a Bolivia e me deu uma aula.
publicado por Fantinatti | 10:32
Relato #99(ID: 156)
Terça-feira, 18 de Agosto de 2009
Chao Chile !!!
Bom,
Estou de volta a Calama, Chile e amanha, se a minha bicicleta ficar pronta, eu saio numa jornada de mais ou menos 200km até a fronteira com a Bolivia. Devo demorar de 3 a 6 dias dependendo do relevo e da direcao do vento.
San Pedro foi demais. Logicamente é muito turistica. Tao turistica como Ushuaia, Calafate ou San Martin de los Andes, mas tambem é Zen... tranquila...
Igreja de San Pedro de Atacama
Hoje levei a bike pra trocar o aro traseiro, troquei 80 mil pesos chilenos por 700 bolivianos (uns 150 dolares) e comprei uma manta de "polar", muito leve e barata pra me proteger ainda mais do frio. Costurei a manta e fiz um pequeno saco de dormir improvisado, para usar junto com meu saco de dormir se for necessario. Tambem bolei um jeito de colocar uma garrafa a mais de agua no quadro da bici. Assim posso levar mais agua e tiro um pouco de peso da roda traseira. Na altitude tenho que beber muita agua. Isso deixa o sangue mais fluído e evita congelamentos, principalmente nos dedos do pé. Mas sinceramente acho que nao devo ter temperatutas mais frias que -5 graus. Se tiver, estou preparado. Nao vou ter problema algum.
Tambem comprei agulha grossa e uma linha grossa e forte para costurar o pneu, se for necessario. Me disseram que o tipo de rochas, que posso encontrar na Bolivia, pode rasgar pneus. Nao sei. Mas em todo caso, comprei.
Em Ollague, a poucos quilometros da fronteira devo ter acesso a internet e escrevo pela ultima vez no Chile.
Conheco o Chile bem. Isso eu posso dizer. Conheco o Chile desde a inóspita Terra do Fogo até o Deserto do Atacama. Só ficará Iquique e Arica pra conhecer numa proxima oportunidades. Tenho que ir a Bolivia.
Estes ultimos meses no Chile foram os melhores da viagem. Aqui meu espanhol passou de um nivel tímido a um nivel metido e falador rsrs. Aprendi espanhol no pais onde se fala mais rapido. Os chilenos cortam as palavras no meio, tiram o "s" quase completamente das palavras e tem uma gama de palavras somente usadas aqui. Dizem "Como estay" em vez de "como estas". Dizem "cachai?" (catchai) que é o "endendeu?" deles rsrs... "Weon" que tem pelo menos cinco significados diferentes... e o classico "pó" (pô) que é usado como exclamacao no final de uma frase...
¿¿¿ Cachai pó ??? rsrsrs.
Até a fronteira com a Bolivia...
publicado por Fantinatti | 7:37:
LIVRO TRILHANDO SONHOS
O silêncio do Atacama te tocou? Tem muito mais no livro!
Pedalar a mais de 3.400 metros em pleno deserto, sem água e no limite da resistência humana. No livro, cada dia dessa provação é narrado com um impacto arrebatador.
Ago a Set de 2009 • Salar de Uyuni, La Paz, Lago Titicaca e Ilha do Sol (300 dias)
Relato #100(ID: 157)
Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009
Do Chile a Bolivia - Dureza!!!!
Bom pessoal, estou na Bolivia!!!
Vou contar como foram os ultimos 6 dias.
Sai de Calama, no Chile, no dia 19. Calama fica a 2250 metros de altitude. Tive 205km ate o povoado que fica na fronteira com a Bolivia e fiz em tres dias. 70% do caminho foi de terra, com a pior estrada que ja vi na vida. Fiz respectivamente 75, 61 e 69km... Foram dias de paisagens absolutamente lindas e altitude de ate 4000 metros.
Nao tem muita coisa pelo caminho entao tive que acampar. No penultimo dia no Chile passei por Ascotan, um passo a 4000 metros de altitude. Perguntei ao oficial carabinero onde eu poderia acampar e ele me disse que 5 km a frente e 200 metros mais abaixo havia um acampamento de trabalhadores do Salar de Ascotan. Me disse que ali conde estavamos fazia 15 graus abaixo de zero, principalmente por causa dos ventos. Entao sai rapidinho dali. Quando cheguei ao acampamento me ofereceram cha e um lugar protegido do vento por uma parede. Armei a barraca e esperei o frio. Me protegi como pude. Vesti meias de la, calca de polartec, uma camiseta de manga comprida, blusa de polartec e um gorro de la. Entrei no saco de dormir e vesti a manta de polar, que conprei em Calama, por cima. Durante a madrugada senti um pouco de frio e envolvi ate os joelhos com o plastico aluminizado que tenho. Dormi muito bem e quentinho...
Pela manha as 7 da manha clareou e vi que as duas garrafas de agua que estavam dentro da barraca estavam completamente congeledas. Tirei uma foto, depois vou por no site. Perguntei ao chefe dos trabalhadores se ele sabia que temperatura tinha feito e me disse -10... Pois eh... sobrevivi a 10 graus negativos na barraca a 3800 metros de altitude rsrs. Ufa!
Como eu nao tinha agua pro cafe pois estava congelada, o pessoal me deu agua quente... Fiz um bom cafe da manha. A garrafa de 1,5 litro que estava na bike virou uma pedra de gelo e ao meio dia ainda tinha uma pedra de gelo dentro. O bom do altiplano eh isso. Voce bebe agua estupidamente gelada o dia todo.
O ultimo dia no Chile foi demais. Vi paisagens incriveis. Salares, montanhas, vulcoes ativos e lagoas. Inesquecivel.
Quando cheguei a Ollague (Oiague no chile e Olhague na Bolivia) busquei hospedagem. Comi, tomei banho e dormi 13 horas sem parar rsrs.
No dia seguinte sai para a aduana e as 8 e meia da manha a temperatura ainda estava abaixo de zero.
Bolivia
Cinco quilometros depois cheguei a aduana Boliviana. O oficial de imigracao me disse: Bienvenido a mi pais!!! rsrs...
O caminho pela Bolivia foi relativamente plano. E o vento forte nas costas me ajudou. Achei que faria em 4 dias os 240km ate Uyuni.
Assim que rodei uns 5 km percebi que estava sem bateria na camera e que as pilhas do GPS estavam por acabar. Foi uma decepcao. Eu tinha chegado tao cansado em Ollague que me esqueci de carregar as baterias. O resultado eh que as unicas fotos do caminho ate Uyuni sao do meu celular. Depois vou postar algumas. Passei por alguns povoados mas nenhum tinha energia eletrica de dia. Somente a noite via gerador. Nao tenho registros de altitude neste trajeto, infelizmente. Mas creio que ficou entre 3600 e 3900 metros.
A paisagem eh desertica e cercada de montanhas. Tem um trecho de uns 5km com rochas de todo formato possivel. O vento esculpe formas incriveis. Tem rocha em forma de arvore, em forma de passaro, garrafa e ate de urso fumando charuto rsrs...
Hoje eu ja estava esgotado a ainda tinha 70km ate Aqui. Entao rodei mais 10km e meu pneu furou. Quando estava arrumando o pneu percebi que o pino da corrente estava se soltando. Minha corrente estava em mal estado. Senti uma mescla de desanimo e cansaco extremo. Me sentei ao lado da bike pra descansar um pouco. Ja eram quase 3 da tarde e eu estava num lugar descampado e o vento comecou a piorar... Acho que ja estava fazendo menos de 15 graus. Certamente teria -15 a noite. Foi entao que encostou um senhor numa pickup vermelha e me perguntou se eu queria carona... Ah... Pensei: Eh a minha unica chance...
Entao os ultimos 50km do caminho eu fiz de carona (a primeira da viagem)... O resultado eh que pedalei 405 e nao 455km nos ultimos 6 dias. Estes 50 ultimos nao somei na quilometragem total.
Pessoalmente para mim eh um pouco frustrante pegar carona, mas naquele momento foi a minha salvacao. As vezes se percebe que tudo tem limite e ninguem eh sozinho realmente.
Ja fiz umas fotos da cidade e amanha vou colocar fotos no site. O povo Boliviano eh incrivel com aquelas roupas tradicionais... pedem pra ser fotografados. Aqui eh tudo um pouco pitoresco. O velho, o bem velho e o novo mesclados. Turistas por todo lado e ainda sim se pode comer com 4 reais. Uma loucura de lugar!
Amanha devo ir ao Salar de Uyuni. O maior salar do mundo.
publicado por Fantinatti | 6:21:
Relato #101(ID: 158)
Terça-feira, 25 de Agosto de 2009
Uyuni
Aqui em Uyuni eh normal fazer temperaturas negativas a noite. Ja estou me acostumando. Na ultima noite fez 18 graus abaixo de zero e a dona do lugar que estou hospedado me disse que ha um mes atras chegou a fazer 25 graus negativos. Hoje pela manha tinha gelo num balde com agua no corredor da "hospedaje" rsrs.
Hoje fiz um tour (muito barato como tudo aqui) de carro com mais 5 turistas e fomos ao salar de Uyuni. O salar eh absurdamente grande e rodamos 160km somente dentro dele. tem mais de 100km de extensao. Eh a coisa mais incrivel que vi ateh agora na viagem. Depois vou por umas fotos.
No Tour tinha um italiano que vive no Brasil, uma brasileira de Belem, um boliviano de Cochabamba e um casal frances. Foi um passeio de um dia, inesquecivel.
Ontem conheci outro casal frances e saimos pra tomar uma cerveja (muito barata). Ficamos jogando conversa fora durante uma duas horas. Pra mim estes momentos da viagem sao os melhores. Quando estavamos no bar chegou um cara e comecou a falar algo com eles (em ingles), na hora peguei o sotaque do cara e disse: - Do you have brasilian accent! (voce tem sotaque brasileiro) heheh... Nao deu outra... Ele me disse: - Im brasilian! (eu sou brasileiro) Ficamos os quatro bebendo e conversando... Pra mim, que as vezes fico solitario na estrada, sem ter NINGUEM pra conversar, estes momentos sao deliciosos.
Amanha vou fazer umas fotos do povo boliviano e suas roupas caracteristicas, tenho que fazer uma manutencao na bike e estudar muito bem o caminho de 200km ateh Potosi, que fica a 4070 metros de altitude. Talvez, depois de amanha, eu saia para la.
publicado por Fantinatti | 9:22:
Relato #102(ID: 159)
Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009
A Bolivia
Pra voces terem ideia dos precos aqui. Eu estou hospedado num lugar com banheiro privado e TV e estou pagando 35 bolivianos por dia. Isso é o equivalente a R$ 11,50.
Ontem tomei uma cerveja com o italiano que conheci e é muito engracado porque a cerveja estava geladinha, mas foi retirada da caixa que estava fora do freezer rsrs...
Hoje almocei de novo no mercado publico. Toda cidade da Bolivia tem um mercado onde se vende de tudo e onde se pode comer. Os turistas nao vao aí, mas se pode comer uma comida deliciosa por apenas 10 bolivianos, ou seja mais ou menos R$ 3,50... Comi sopa de quinua com carne de llama e de segundo prato macarrao com batadas, salada e bucho de llama rsrsr. Uma delicia.
Mas se voce quiser comer num bom restaurante pode comer muito bem por 35 bolivianos, uns 12 reais.
Se voce for vir a Bolivia, principalmente a parte sudoeste, onde estou, se prepare pra talvez nao ter agua todo o dia onde voce se hospedar.
Hoje comprei um mapa da Bolivia e i que no caminho para Potosi tem pelo menos 5 povoados onde poderei comer e passar a noite. Claro que o caminho é todo de terra. Somente a partir de Potosi vou ter asfalto, que ainda nao sei as condicoes.
Depois de Potosi vou para Oruro, La Paz e para o Lago Titicaca, que faz a fronteira com o Peru. Minha estada na Bolivia nao será tao longa.
A Bolivia de hoje é pobre. É o pais mais pobre da America do Sul. É o resultado de politicas equivocadas e conflitos com seus vizinhos. Em 1880 a Bolivia perdeu sua saida para o Pacico na Guerra do Pacifico para o Chile. Em 1903 teve que vender barato para o Brasil a area que hoje é o Acre porque ja estava invadida por seringueiros brasileiros. Alguns anos mais tarde perdeu uma area grande para o Paraguay... é...
Sobre a altitude, ja estou bem adaptado. Nao sinto mas dor de cabeca ou falta de ar. Alias, senti muito pouco. Só é complicado subir escadas longas e correr, mas pra andar de bicicleta é tranquilo.
Foi duro encontrar uma Lan House que me permitisse usar conexao USB pra trabalhar com as fotos. Vou ver se consigo aqui. Se nao conseguir, o site ficará mais uns dias sem foto, pelo menos até Potosi.
Paisagem a 3900 metros de altitude. Regiao de fronteira entre Chile e Bolivia
Duas pessoas caminhando na imensidao de Sal. Uyuni - Bolivia
Eu e o cactus gigante
O salar de Uyuni se formou quando toda esta area do altiplano se elevou do fundo do mar a milhoes de anos atras.
A America do Sul se move alguns centimetros por ano rumo ao Pacifico. Durante milhoes de anos vem fazendo isso e a superficie da Terra se "enrrugou", como quando alguem chuta um tapete... O resultado é que aos poucos se formou um imenso lago que demorou outros milhoes de anos pra secar. O que ficou foi o sal. Durante a epoca de chuva (verao), esta area toda fica alagada com uns 30 cm de agua. No inverno volta a secar. Toda a cordilheira dos Andes ainda esta se elevando aos ceus, pois o movimento da placa sulamericana continua rumo a Oeste. Por isso tem vulcoes e terremotos nessa regiao.
publicado por Fantinatti | 4:34:
Relato #103(ID: 160)
Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
Tres vivas a Bolivia... Viva, viva e viva!!!
A ultima semana foi muito dificil e até me fez chorar. Quem me conhece sabe como isso é dificil rsrs...
Vou tentar escrever tudo sem esquecer de nada.
Quando saí de Uyuni decidi visitar o Salar com a bicicleta. Fazia parte do meu sonho andar de bicicleta lá e eu tinha que fazer. Como estava, estava incompleto.
De Uyuni ao Salar sao 25km e depois andei uns 20km pela imensidao de sal. Foi incrivel. Fui numa hora que quase nao haviam turistas. Tive o Salar só pra mim.
Claro que andar 20km numa coisa que tem quase 200km é o mesmo que visitar a borda somente, mas foi demais... inesquecivel. Este lugar é seguramente o melhor da Bolivia até agora.
Depois do Salar fui até o povoado de Colchani onde passei a noite num quarto feito de sal rsrs. Uma hospedagem de somente 25 bolivianos, que equivale a menos de 7 reais.
Conforme fui saindo do eixo turistico fui entrando na dura e cruel realidade boliviana. Há muita pobreza e as duras condicoes das "estradas" foram aos poucos minando meu animo e o encanto inicial.
De Uyuni até a "cidade" de Santiago de Huari foi um sofrimento sem fim. A estrada é cheia de costelas de vaca, pedras e areia fofa. O pior cenario para um ciclista. Alem do mais tenho pedalado em altitudes que variaram entre 2700 a 2900 metros.
No povoado de La Chita, dormi dentro de uma escola publica. Um professor de ensino fundamental chamado Waldo me convidou. Foi a segunda escola que dormi na viagem. A primeira foi no Sul do Chile com o Ralph. Tirei uma foto do professor com seus aluninhos...
No dia que passei a noite na escola comecei a ter um problema que viria ser o meu martirio. Consegui uma bela intoxicacao alimentar e acabei convivendo com diarreia os ultimos 5 dias. Terrivel. Até agora nao sei se foi uma super intoxicacao ou uma sequencia de intoxicacoes. Incusive com fortes dores de estomago. Perdi uns 3kg.
Quem conhece bem a Bolivia deve estar rindo agora... Pode rir... Eu tambem dou risada agora.
Ontem, no povoado de Machacamarca tive inclusive vomitos. Foi como se tivesse saido do meu estomago algo de dois dias... (me perdoem os detalhes rsrs) Hoje cedo fui ao centro de saude em Machacamarca, fui atendido, examinado e me receitaram 3 remedios. Entao logo em seguida pedalei os 32km que faltavam até aqui, Oruro.
Esta chovendo aqui e é otimo pois deixa o ar mais respiravel. Fazia 2 meses que nao via uma chuva rsrs...
Ainda nao estou 100%, mas tirando isso esta tudo perfeito. srsrs. Os turistas brincam dizendo que ir a Bolivia e nao ter uma diarreia é como ir a Paris e nao visitar a Torre Eiffel...
Aqui sou diferente. É a primeira vez que sinto um contraste cultural e social tao grande com relacao ao meu cotidiano. Aqui me olham como um ET, principalmente nos povoados pequenos. Nao tenho o tipo fisico comum aqui.
Os bolivianos falam muito diferente dos chilenos e argentinos. Quando falam rapido entre si nao da pra entender nada. No fundo é espanhol, mas com um sotaque fortissimo e que me parece um pouco feio.
Planos e futuro
Ate agora pedalei 552km pela Bolivia. Daqui a La Paz tenho somente 230km de asfalto e depois de La Paz vou mais uns 150km até Copacabana (a original) já no Lago Titicaca, fronteira com o Peru.
Ainda nao cheguei ao meu limite fisico mas o moral sim. Sou muito resistente, apesar de tudo que me aconteceu. Mas decidi que vou tomar o segundo onibus da viagem até La Paz. Serao 230km de onibus. De La Paz termino a Bolivia pedalando. Entao farei mais ou menos 700km de pedal pela Bolivia. Cinquenta de carona e 230km de bus. No total terei viajado quase 1000km pela Bolivia.
Sinto muito em tomar o onibus, mas é a opcao mais sensata no momento. Tenho meus limites.
Obviamente a quilometragem do bus eu nao somarei a pedalada. Na verdade vou inserir no site, alem da quilometragem existente de pedal, uma de barco e tambem os 680km feitos me veiculos automotores (ja somando os 230 daqui a La Paz). A quilometragem em barco é importante pois ja tomei mais de 15 barcos para cruzar lagos, por exemplo, e se tudo der certo vou navegar mais de 3000km pelo Rio Amazonas ainda.
Bom, depois de Copacabana (a original rsrs) devo cruzar o Lago Titicaca que fica a 3810 metros. Ja do lado peruano, em Puno, de vo visitar as comunidades que vivem em ilhas flutuantes no lago. Depois quero conseguir um guia peruano e ir até um lugar chamado Nevado Mismi, que fica perto da fronteira com a Bolivia, que é onde nasce o Rio Amazonas. Lugar reconhecido no ano 2000. O que faz deste Rio o mais longo do mundo alem de se o mais volumoso. Nevado mismi fica a 5000 metros de altitude e só é possivel chegar caminhando. Vou tentar.
Depois sigo rumo a Cuzco e Aguas Calientes, onde devo deixar a bici e caminhar até Machu Pichiu.
A viagem promete!!! rsrs...
Vou tentar por fotos no site desta Lan onde estou...
publicado por Fantinatti | 7:08:
Relato #104(ID: 161)
Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
Em La Paz
Bom,
Conforme eu havia dito, tomei um bus de Oruro até aqui (215km). Pude descansar um pouco e ja me sinto bem melhor, depois do que me passou.
O onibus nao veio até o centro de La Paz e sim parou na periferia da cidade a uns 15km do centro rsrsrs... É o jeitinho boliviano de fazer negocio rsrsr... E já eram 18 horas.
Pedalei, ou melhor, desci 15km no meio de um transito TOTALMENTE caótico... Acontecem coisas nos transito na Bolivia que eu só tinha visto na TV em documentarios sobre a India ou Nepal... mas blz. Ah.. e acho que os bolivianos sao educados na escola em apertar o botao da buzina. Resolvem tudo na buzinada!
A cidade vista de cima da serra é impressionante e o centro me surpreendeu totalmente. La Paz me pareceu linda. É uma verdadeira metropole cosmopolita. A primeira impressao foi otima.
De modo geral, o interior da Bolivia me decepcionou bastante. Fiquei bastante deprimido em ver tanta pobreza e desorganizacao, mas La Paz eu adorei. Bom, gosto das grandes cidades.
Amanha vou conhecer a cidade, ou pelo menos um pouco.
publicado por Fantinatti | 8:27:
Relato #105(ID: 162)
Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
Quilometragem feita em barcos até agora
Eu tive que tomar varios barcos, principalmente no Sul, onde tem muitos lagos e tambem no Chile até a ilha de Chiloe. Segue lista:
Lista de barcos que tomei na viagem até agora
1 - Lagoa dos Patos, RS, Brasil (3km) 2 - De Colonia (URU) a Buenos Aires (40km) 3 - Estreito de Magalhaes (CHI) para Terra do Fogo (aprox 3km) 4 - De Porvenir (Terra do Fogo) a Punta Arenas (35km) 5 - Lago del Desierto (ARG) (10km) 6 - Lago O´Higgins (CHI) para Villa O´Higgins (aprox 25km) 7 - De Chile Chico a Puerto Ibañes (aprox 15km) 8 - De Puerto Chacabuco a Ilha de Chiloe (CHI) (aprox 250km) 9 - De Quellon (Chiloe) a Chaitén (60km) 10 - De Chaitén a Quellon (60km) 11 - De Quenchi (Chiloe) a pequena ilha Mechuque (aprox 10km) 12 - De Mechuque a Chiloe (aprox 10km) 13 - De Puerto Chacao (Chiloe) ao continente (5km) 14 - Lago de Todos os Santos (CHI) rumo a Bariloche (ARG) (30km) 15 - Lago Frias (ARG) (4km) 16 - Lago Nahuel Huapi ao porto de Bariloche (25km)
Total de 585 km (aproximados) feitos em barco.
Comecei a me preocupar com a quilometragem navegada pois em breve vou navegar muito mais.
publicado por Fantinatti | 9:08:
Relato #106(ID: 163)
Sábado, 5 de Setembro de 2009
Comunidade no Orkut
Pessoal,
Enquanto eu estou de molho aqui em La Paz, Bolivia (ainda nao estou 100%), criei uma comunidade no Orkut sobre a Trilha Sulamericana.
Gostaria de saber quem esta acessando o site e essa é uma boa maneira. Gostaria de pedir aos interessados que entrem na comunidade.
Um abraço a todos
Segue link abaixo: http://www.orkut.com/Main#Community?cmm=93863369
publicado por Fantinatti | 1:28:
Relato #107(ID: 164)
Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
De La Paz ao Lago Titicaca (lugar magico)
Sai de La Paz dia 6 e cheguei a Copacabana no dia 7 a noite. Foram 171 km. Fiz 70 num dia e 101km no segundo dia. Sempre pedalando a 4000 metros de altitude. Cheguei a estar a 4259 metros, este eh meu recorde.
Passei uma noite em Copacabana e no dia seguinte fui visitar a Ilha do Sol, que fica 23km a dentro do lago. Pensei que iria somente visitar mas acabei passando a noite. O lugar eh o mais incrivel que ja estive. Totalmente zen rsrs.... A paisagem do Titicaca eh inacreditavel....
Hoje, dia 9, voltei a Copa buscar minha bike pois decidi ficar mais uns dias na ilha. Estamos num lugar onde se paga o basico (como 4 reais) e todos se ajudam, como uma comunidade... Muito bacana. Acho que passo mais uns 2 ou 3 dias na ilha... Nao creio que vou voltar a encontrar um lugar tao especial e barato assim pra ficar.
Hoje faz exatamente 1 ano que quebrei meu braco no segundo dia de viagem rsrs...
Eh inacreditavel o tamanho do lago e eh incrivel que possa existir tanta agua a 3820 metros de altitude.
A influencia peruana ja eh sentida aqui. As pessoas sao mais tranquilas e a paisagem ao redor do lago eh riquissima.
A proxima vez que eu escrever, daqui uns 5 dias, ja estarei em Puno, Peru... do outro lado do Titicaca....
publicado por Fantinatti | 1:16:
Relato #108(ID: 165)
Domingo, 13 de Setembro de 2009
Ilha do Sol - Lago Titicaca - Bolivia
Bom, ainda estou na ilha do Sol, no meio do Lago Titicaca boliviano..
Ontem me banhei pela primeira vez no lago. Eh a unica forma de tomar um banho de verdade na ilha. A agua eh geladissima e o sol fortissimo...
O lugar que estou se chama Refugio del Alfonso. Estou pagando 10 bolivianos por dia pra ter a minha barraca la. Posso pagar de 5 a 15... Dez bolivianos sao 3 reais.
A todo momento chega gente de varias partes do mundo, mas ainda sim eh um lugar tranquilo.
Ontem fizemos pizza a noite para umas 40 pessoas. Argentinos, australianos, bolivianos, uruguaios, americanos, austriacos, chilenos, dinamarqueses, mexicanos.... e vai...
O rapaz que trabalha no lugar se chama Ezequiel, eh argentino e faz 3 meses que esta na ilha.
Estou na parte norte da ilha e eh possivel caminhar ateh a parte sul por uma trilha inca, sao 8 km. Mais ao norte ha umas ruinas incas, ao estilo de Machu Picchiu, mas muito mais simples. Caminhando pela ilha se chega a 4040 metros de altitude.
Boa parte da ilha tem as "terrazas" (terracas), onde os antigos moradores plantavam. Sao como grandes degraus na montanha.
Estou em Copacabana por 2h somente para ir ao banco e usar um pouco a internet.
O lugar eh realmente especial e muitissimo barato. Nao sei quantos dias mais eu fico. Se tem gente, eu fico... se nao tem, eu vou rsrs...
publicado por Fantinatti | 12:42
Relato #109(ID: 166)
Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
300 dias
Estou em Puno, Peru. Pedalei de Copacabana na Bolivia ate aqui. Foram 2 dias e um total de 146km.
Cada pais tem sua peculiaridade. Aqui no Peru sao os veiculos de 3 rodas, como motos adaptadas rsrs...
O povo Peruano eh mais amistoso que o Boliviano, muito mais.
Agora a pouco estava caminhando pelas ruas estreitas de Puno. O centro da cidade eh muito agitado. Eh um dos lugares mais turisticos que ja estive. Da inveja a qualquer cidade brasileira em relacao ao turismo. Eh uma pena que a maioria das pessoas que estudam turismo no Brasil pensem em faze-lo no exterior e nao tentam fomentar o turismo brasileiro.
Amanha vou visitar as ilhas flutuantes no lago Titicaca. Ja comprei o ticket... Sai 35 soles, o que equivale a uns 23 reais. Eh um dia todo de passeio.
300 dias de viagem
Amanha faco 300 dias de viagem. Tenho lembrancas de 10 meses atras e ja estava viajando.
Renunciei a muita coisa pra viver o que vivi nestes 300 dias. Na viagem, como na vida, as vezes eh necessario renunciar a algumas coisas diante de um objetivo maior. Pensando nisso eu tomei algumas decisoes importantes hoje. Decidi que agora meu objetivo maior eh voltal pra casa pedalando. Entao renuncio ao norte do Peru e ao Equador. Meu dinheiro nao vai durar pra sempre e quero passar o fim de ano com a minha familia. Entao daqui vou a Cusco e Machupicchu. Depois estou pensando em seguir em direcao ao Brasil. Estou olhando um mapa agora e talvez seja possivel seguir em bicicleta ateh Rio Branco, no Acre. E talvez, de Porto Velho, seja possivel tomar um barco ateh o Amazonas. Acho que tenho ainda muito a conhecer do Brasil, a floresta, Manaus, Belem e todo o litoral do norteste. Ou faco isso ou ficarei pelo caminho.
O lado bom de viajar sozinho eh justamente o fato de poder mudar os planos... afinal a viagem eh minha.
Estou a 10 dias de MachuPicchu. De fato sempre foi meu objetivo "final".... e de certo modo pode marcar o inicio do meu retorno a casa.
Equador, Colombia e Venezuela vao ficar para uma outra oportunidade, assim como Lima. Tambem nao visitarei a nascente do Rio Amazonas, pois teria que ir a Arequipa antes e ficaria realmente fora de mao, principalmente para um ciclista. Ja fiz bastante e me sinto realmente feliz e realizado....
Isla del Sol
Quero falar mais um pouco da ilha do Sol. Passei 7 dias la. Fui pra visitar e fiquei. Isso acontece com muita gente. Me banhei nas aguas congelantes do lago duas vezes... eh uma sensacao incrivel... Quero voltar a ilha do Sol um dia. Eh um lugar pra ficar pelo menos 15 dias. Fiz varios amigos la. Foi realmente uma experiencia incrivel.
Abaixo seguem algumas fotos que roubei do facebook de uma amiga que conheci na ilha.
A galera reunida
Pizza !!!
Ruinas Incas
Marcela, Juan e eu
O colombiano Willy e a francesa Malva
Copacabana... a princesinha do "mar"
¡¡¡Gracias Marcela, por las fotos!!!
Amanha a noite vou colocar as minhas fotos...
publicado por Fantinatti | 12:17
LIVRO TRILHANDO SONHOS
Encantado pela Bolívia e o Salar? Essa história está completa no livro!
O silêncio do Salar de Uyuni, o ar rarefeito a quase 5.000 metros e o choque cultural no Altiplano. Conheça os bastidores que transformaram essa expedição em aprendizado de vida.
Set a Out de 2009 • Cusco e as ruínas sagradas de Machu Picchu
Relato #110(ID: 167)
Sábado, 19 de Setembro de 2009
Rumo a Cusco e Machu-Picchu
A proxima vez que eu escrever sera de Cusco, antes de ir as ruinas da cidade perdida de Machu-Picchu.
Hoje fiz um passeio de turista convencional. Foi demais. Visitamos uma das ilhas flutuantes do Lago Titicaca. Foi realmente ua experiencia unica e as vezes eh bom ser um turista normal, com guia e tudo...
De Puno a Cusco sao uns 6 dias em bicicleta. Depois deixo a bici em Cusco e pego o trem ateh proximo a Machu-Picchu.
Depois de Machu-Picchu sigo para a selva Amazonica Peruana e Brasileira. A aventura promete!!! rsrs...
Ainda nao estou seguro, mas creio que entrarei no Brasil pela famosa Transoceanica... que liga o Brasil ao Pacifico, pelo Peru.
Algumas informacoes sobre o Lago Titicaca
O Lago tem 170km de extensao e 65km de largura. Tem uma area de 8500km quadrados. A temperatura da agua nesta epoca fica entre 9 e 11 graus. A altitide aproximada da supercicie da agua eh de 3818 metros sobre o nivel do mar. Aproximadamente 50% do lago pertence a Bolivia e 50% ao Peru. Nao eh o maior lago do mundo e sim o lago navegavel mais alto. Sua maior ilha fica na Bolivia, Ilha do Sol. A profundidade maxima fica proximo de 400m e foi medida pela primeira vez em 1968 por Jaques Cousteau. "Titi" em quechua e Aimara significa Puma e "kaka", pedra... Puma de Pedra...
publicado por Fantinatti | 3:10:
Relato #111(ID: 168)
Sábado, 19 de Setembro de 2009
Planejamento
Bom rsrs.... ainda estou em Puno...
Tive que ficar mais um dia pra fazer alguma manutencao na bike, ja que ontem fiquei todo o dia no lago.
Estou planejando efetivamente o meu retorno ao Brasil com a juda da internet.
De Puno a Cuzco tenho uns 350km (aproximados). Deixo minha bici em Cuzco e tomo o trem até Aguas Calientes e MachuPicchu. Depois que voltar a Cuzco, terei mais uns 350km até Puerto Maldonado, já na Amazonia peruana. De Puerto Maldonado a Rio Branco, no Acre, terei uns 375km e provavelmente deva passar por uma pontinha da Bolivia pra cortar caminho. Depois sigo a Porto Velho, em Rondonia. Serao mais 500km. Vi fotos da estrada e me pareceu otima. De Porto velho tomarei um barco até Manaus pelo Rio Madeira. Dez dias de barco com beliche e banheiro com um custo de 400 reais. E aí é só alegria!!! Manaus. Pelo andar da carruagem, devo chegar a minha casa quase sem grana, isso se eu conseguir cruzar o nordeste do Brasil. Bom, pelo menos até Belem do Pará, ja na costa, com certeza eu chego.
publicado por Fantinatti | 4:01:
Relato #112(ID: 169)
Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
Cusco... A cidade habitada mais antiga das americas
Bom, estou em Cusco, tambem conhecida como Cuzco ou ainda Qosqo... A historia diz que a cidade foi fundada por volta do ano 1200, ou seja, 330 anos antes dos espanhois chegarem.
A arquitetura, principalmente no centro da cidade, esta muito bem preservada. É uma mistura de arquitetura Inca e Espanhola... muito bonito. O mais interessante é a maneira como moldavam as pedras enormes para um encaixe perfeito...
O caminho de Puno até aqui foi muito bonito e duro. Quatro dias num total de 394km. Foram 98, 90, 95 e 111km... o ultimo dia foi de superacao fisica, sem duvida... Cheguei porque tinha muita vontade de chegar... Pedalei 3 dias com vento contra, sempre.
Pelo caminho encontrei muitos ciclistas. Uns seis franceses, dois australianos, dois holandeses e até um polones. Totos vindo no sentido contrario, ou seja, a favor do vento.
Seguem algumas fotos:
franceses
australianos
polones
franceses
franceses
eu com os franceses e holandeses a 4350 metros de altitude.
No caminho cheguei a 4350 metros de altitude. Certamente a maior da viagem, pois logo sigo a bacia amazonica... O ponto mais baixo foi de 3100 metros. A menor altitude em 1 mes de viagem.
Agora vou a Machu Picchu e devo ficar acampado por perto de Machu Picchu. Tambem devo visitar umas termas.
Machu Picchu e Cusco marcarao o meu retorno ao Brasil. Até ontem foi "ida" e daqui em diante será a "volta".
O auge da viagem deve ser na segunda-feira cedo, quando devo chegar as ruinas de Machu Picchu.
publicado por Fantinatti | 9:20:
Relato #113(ID: 170)
Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009
As ruinas da cidade Inca de Machu-Picchu
Na ultima semana deixei a bicicleta um pouco de lado e resolvi mochilar pelo Vale Sagrado. Subir com a bicicleta até Machu-Picchu nao é possivel e como vou ter que sair de Cusco em direcao ao Brasil, achei melhor ir por outros meios, como vans e 10 horas de caminhada com mochila pesada mas costas rsrs...
A chilena Marcela, que reencontrei em Cusco me acompanhou até Machu-Picchu. Foi bem interessante viajar um pouco no estilo mochileiro.
Existem 3 formas de se chegar a Machu-Picchu. Uma é tomar o trem que custa 31 dolares de Ollataytambo até Aguas Calientes , que fica a 2 horas de caminhada a Machu... A segunda forma é ir de bus ou vans, neste caso te deixam la em cima, na porta de entrada. A terceira maneira é caminhar 4 dias, num total de 38km pela trilha Inca... O que fizemos foi um pouco diferente. Seguimos em van de Cusco a Santa Maria, e de taxi até as Termas de Santa Tereza... Ficamos 2 dias nas Termas. Depois caminhamos 3 horas da Usina hidroeletrica de Santa Tereza até Aguas Calientes. E no dia Seguinte mais 2 horas subindo até Machu-Picchu, que fica no alto de uma montanha...
Agora entendo porque a cidade só foi descoberta em 1911. O caminho é muito duro e quem olha de baixo nao tem ideia que possa haver uma cidade la em cima.
Ainda estou em Cusco, pois a caminhada me causou um pouco de dor nas panturrilhas... O esforco é realmente acima do normal e alem do mais eu nao estou acostumado a caminhar tanto.
Realmente Machu-Picchu é uma das maiores atracoes da America do Sul e esta na minha listinha de lugares especiais... Valeu a pena e recomendo o passeio.
Devo sair de Cusco rumo a Puerto Maldonado no domingo.
publicado por Fantinatti | 9:42:
LIVRO TRILHANDO SONHOS
A magia inca te conquistou? Descubra cada detalhe no livro.
A chegada suada a Cusco e às montanhas sagradas de Machu Picchu foi uma das maiores recompensas da rota. No livro Trilhando Sonhos, essa conquista é contada com toda a reverência histórica.
Out a Nov de 2009 • Rodovia Transoceânica, Acre, Chico Mendes, Porto Velho e Manaus
Relato #114(ID: 171)
Domingo, 11 de Outubro de 2009
Na Amazonia!!!!
Ja estou em Puerto Maldonado, no meio da Amazonia Peruana. De Cusco ate aqui foram 499km em 7 dias. Cheguei a estar a 4700 metros de altitude e 3 horas depois ja estava a 1500 metros, em plena selva amazonica.
Agora estou a 220 metros de altitude, ou seja, ja atingi a planicie amazonica de fato.
Faz calor de 30 graus e o ar umido faz a gente transpirar o tempo todo.
Mas a noite ou amanha vou escrever mais e por fotos da rodovia Transoceanica... que ser cruzada em bici, por si só, ja seria uma aventura memoravel.... mas para mim é só mais um capitulo. Realmente valeu a pena.
Estou a 200km de Assis Brasil, na fronteira. Desde que entrei no Uruguai, no inicio da viagem, isso é o mais proximo do Brasil que ja cheguei. Mas ainda estou a 4400km de casa!
publicado por Fantinatti | 12:48
Relato #115(ID: 172)
Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
Rodovia Transoceanica - Aventura!
Bom, na ultima semana vivi um capitulo dos mais interessantes da viagem. A rodovia Transoceanica ou Interoceanica, que esta sendo construida e liga o Norte do Brasil ao Oceano Pacifico, que nao estava nos meus planos, se transformou numa aventura extrema.
De Cusco ate aqui em Puerto Maldonado foram 499km. Quando sai de Cusco, que fica perto de Machu-Picchu, pensava que teria somente descida ate a Selva Amazonica, mas nao foi bem assim. Subi, subi e subi ate os estratosfericos 4725 metros de altitude. Como ja estava a 45 dias no altiplano, nao fui afetado pela altitude, mas o frio la estava congelante.
Depois que cheguei ao ponto mais alto comecei a baixar. Foram uns 70km de descida, nos quais eu praticamente nao pedalei. Seguramente a maior descida que ja provei em bici. Claro que tem que tomar cuidado, pois a rodovia eh perigosa e uma distracao numa curva realmente pode te matar.
Duas horas depois eu ja estava a apenas 1500 metros de altitude, numa regiao ja quente, umida e com uma mata totalmente densa. No dia seguinte cheguei a menos de 300 metros de altitude, ja atingindo a Amazonia de fato.
Chuva e calor que varia de 25 a 35 graus tem me acompanhado. Nunca pensei que fosse rezar pra chover... Aqui a politica do "deixa molhar" entra em vigor... capa de chuva nao serve pra nada. O grande barato eh se refrescar com a chuva quentinha da Amazonia. Uma delicia! Inclusive me banhei num rio de aguas cristalinas no meio da selva e tambem aproveitei a chuva forte pra tomar banho de verdade. Nos Andes a chuva era o terror, na Amazonia eh um deleite!
Estou a pouco mais de 200km da fronteira com o estado do Acre e aqui o Peru ja sofre uma forte influencia do Brasil. Se escuta musica brasileira nas ruas e a gente eh mais mesclada... Se encontra gente de todas as cores, como no Brasil. Aqui ninguem me olha como se su fosse um "gringo", como acontecia na outra parte do Peru. Inclusive muitos me chamavam de "gringo", o que, via de regra, me deixava bastante irritado.
Ontem pude assistir TV brasileira depois de muito tempo. Vi o jogo da selecao em La Paz e pude matar a saudade de algumas coisas. Na ultima semana fiquei sabendo que o Rio foi escolhido como sede das Olimpiadas e que o Felipe Massa se acidentou!... Eh, ando meio por fora das noticias. Sou corinthiano mas hoje tomei um susto quando vi o Muricy com o emblema do Palmeiras no peito hahaha...
Amanha sigo rumo a fronteira com o Brasil. Acho que tenho uns 350km ate Rio Branco, no Acre. Estou perto do Brasil, mas ainda a mais de 4000km de casa... Eeee pais grande esse!
To descendo a serra Cego pela serracao Salvo pela imagem Pela imaginacao De uma bailarina no asfalto Fazendo curvas sobre patins
To descendo a serra Cego pela neblina Voce nem imagina Como tem curvas essa estrada Ela parece uma serpente morta As portas do paraiso... (engenheiros)
Brasil!!!
publicado por Fantinatti | 2:08:
Relato #116(ID: 173)
Sábado, 17 de Outubro de 2009
Brasil !!!!!!!!!!!!!!!!
Amigos... Ja estou no Brasil. Depois de 10 meses regressei ao meu pais de bicicleta.
Estou em uma pequena cidade chamada Assis Brasil, no estado do Acre. A cidade tem uns 6 mil habitantes e fica na triplice fronteira (Brasil, Bolivia e Peru).
Cheguei ontem, sexta, e o caminho foi de 230 km. Calor, muito calor tem me acompanhado.
Acampei no meio do nada. Dormindo com os sons dos bichos da selva... Nao da pra dizer que se dorme bem com o medo de algum animal aparecer no meio da noite, mas nao tenho outra opcao. O unico problema que tive foi um buraco do tamanho de uma moeda que uma formiga cortadeira fez na minha barraca.
Ontem passei pela aduana brasileira e pela primeira vez fizeram eu tirar e abrir toda a minha bagagem. Incluindo barraca e sado de dormir... tive que abrir tudo.
Fiz a minha licao de casa e cheguei aqui antes das 5 da tarde, pois sabia que so conseguiria sacar dinheiro na agencia dos correios... mas o meu problema comecou ai. Os correios daqui fecham as 4 da tarde. Fiquei na rua da amargura com 4 reais no bolso. HAHAH... Bom, conversei com a moca do hotel e vou ficar aqui ate segunda para esperar abrir os correios.
Hoje comprei uma coisinha numa loja e a dona fez a gentileza de fazer uma venda mais alta no cartao de debito para eu conseguir uma graninha pra poder comer, pois a minha comida acabou. Bom rsrs... coisas da viagem.
Beleza, descanso mais um dia e vejo a formula 1 tranquilo. Segunda sigo para Brasileia, a 100 km daqui e depois a Rio Branco.
Brasil...
Brasil eh Brasil em todo lugar. Cruzar a fronteira com o Peru eh incrivel. Temos uma unidade incrivel. Uma mescla de racas, gentileza e maneira de falar unicas... Sem falar da organizacao e tranquilidade que temos e que nao eh comum nas cidades peruanas... Ahhh que tranquilidade, estou em casa!
Me reservo o direito de um pouco de provincialismo ao falar do meu pais. Tive a oportunidade de ver este pais de fora e o que vi foi um pais grande e forte. Sinto orgulho de ser brasileiro.
Somos a metade da America do sul. Em area e populacao. Na America do Sul se fala ESPANHOL e PORTUGUES... Se somarmos a populacao dos outros 12 paises da America do Sul, temos um pouco menos que a populacao brasileira.
Agora vou conhecer o meu pais.
publicado por Fantinatti | 8:25:
Relato #117(ID: 174)
Terça-feira, 20 de Outubro de 2009
Acre
Estou em Brasileia, no estado do Acre.
Esta regiao somente foi incorporada ao territorio brasileiro em 1903 e somente em 1920 foi aceita como um estado da federaçao. Antes esta area pertencia a Bolivia mas foi obrigada a vende-la ao Brasil pois ja estava invadida pelos seringueiros brasileiros.
Estou em Brasileia, uma cidade de 15 mil habitantes que é uma das principais do estado.
Amanha sigo para Xapurí, a 72km daqui, que ficou famosa nos anos 80 como o lugar do assassinato de Chico Mendes, o defensor da selva e dos trabalhadores. Me disseram que ha um museu ou coisa assim sobre Chico Mendes lá... fica na casa que morou. Acho que vou visitar.
Eu ja sabia que o Acre tinha apenas metade do seu territorio coberto pela selva, mas as vezes impressiona. Principalmente perto das rodovias, nao ha mais quase mata. A mata que havia hoje faz parte apenas da estatistica, os 30% da Amazonia que ja foram devastados.
Acre, Mato Grosso e Pará são os estados mais afetados pela devastacao. É um contraste tremendo com a selva Peruana, que esta muito bem preservada.
Ainda tenho 240 km até Rio Branco, a capital do estado... e depois mais 500km até Porto Velho. Depois só voltarei a pedalar no litoral, depois de Belem do Pará. Terei uma longa viagem de barco pela Amazonia.
O calor esta absurdo. Isso torna a pedalada muito desgastante. Acho que os proximos 700km serao tao duros quanto o frio da cordilheira ou mesmo a Patagonia. A gente perde muitos sais pois transpira demais... as vezes fica realmente duro. Ainda estou me adaptando ao calor da selva.
Em Rio Branco tenho um contato de um conhecido... La, daqui 3 dias, vou por fotos no site.
publicado por Fantinatti | 8:45:
Relato #118(ID: 175)
Sábado, 24 de Outubro de 2009
Chico Mendes
Visitei em Xapurí a casa de Chico Mendes e tambem o pequeno museu que foi criado em sua homenagem.
As opinioes aqui no Acre sao divergentes. Metade acha que Chico foi um heroi e metade nao.
Defensor da selva e dos seringueiros, Chico Mendes criou muitos inimigos e recebeu muitos premios internacionais.
publicado por Fantinatti | 3:27:
Relato #119(ID: 176)
Sábado, 24 de Outubro de 2009
Fotos enviadas e uma pra rir um pouco!
Foto enviada pelo brasileiro Heitor quando eu ainda estava no Chile.
Copacabana (Bolivia) e os brazucas
Foto enviada por minha amiga Marines... quando fiz uma pausa na viagem para ir ao casamento dos meus amigos... Julho/2009
E esta ultima foto é pra rir um pouco. A cara nao é fingimento. Realmente estava duro pedalar com mais de 40 graus de temperatura. Regiao proxima a fronteira com o Brasil. Amazonia Peruana.
publicado por Fantinatti | 4:04:
Relato #120(ID: 177)
Domingo, 25 de Outubro de 2009
Videos de outros viajantes
Estou postando aqui alguns videos de outros viajantes que encontrei pela internet, inclusive 2 videos de meu amigo Antonio Olinto, que fez recentemente uma viagem de 2 meses de Bariloche a Terra do fogo.
É muito interessante ver experiencias que vivi sendo tao bem retratadas por outras pessoas... arrepia! rsrs....
Antonio Olinto e Rafaela Asprino (meus amigos)
Antonio Olinto e Rafaela Asprino
Eneko e Miyuki (America do Sul)
publicado por Fantinatti | 9:34:
Relato #121(ID: 178)
Domingo, 25 de Outubro de 2009
O tema é: Amazonia
Tenho aprendido mais sobre a Amazonia nas ultimas horas que em todo o resto da minha vida.
Aqui em Rio Branco reencontrei Lucas, o brasileiro que conheci em MachuPicchu.
Ontem me levaram conhecer outros pontos da cidade e tambem fomos a faculdade onde estudam. Visitei uma parte da floresta que fica ao lado do campus.
Descobri que a floresta se regenera... Eu nao fazia ideia que uma area desmatada poderia voltar a ser floresta, mas pode. Leva 15 ou 20 anos para voltar a ser o que eles chamam de floresta secundaria e depois de mais algumas decadas a mata volta ser o que era. Claro que isso depende muito das condicoes do local.
A noite saimos e fomos a uma festa de aniversario... passamos a noite toda bebendo e conversando. O tema principal foi a Amazonia... e entao recebi mais informacao sobre a selva que havia recebido em toda a minha vida. Saimos de la as 6 e meia da manha rsrs...
Bom, o estado do Acre tem 70% do seu territorio coberto por selva... e os jovens sao bem conscientes da necessidade de preservacao. Muita coisa tem melhorado nos ultimos anos, inclusive as queimadas, que antes deixavam o ceu escuro, hoje quase nao existem.
Descobri que no Acre ainda existem tribos indigenas que nao tiveram um contato oficial com a civilizacao. Os orgaos do govermo mudaram sua tatica e hoje nao querem mais fazer um contato pois sempre é perigoso para a tribo.
Rio Branco
Comecei a viagem pensando que o Brasil terminava aqui, mas na verdade, agora acho que começa por aqui. E começa bem... começa forte, com opiniao e personalidade. Fiquei impressionado com a cidade.
Amanha vou seguir até Porto Velho, no estato de Rondonia. Será um dos trechos mais duros da viagem até agora. 550km neste calor escaldante, atraves de um lugar onde nao ha muitas cidades. Vou com a vontade de sempre e sempre devagar. Até daqui uns 9 dias!
Vou terminar o post com algumas palavras que encontrei num video pela internet. Um video fantastico de tres viajantes brasileiros:
"Por medo de que ninguem fosse por nós, fomos. E ao partir, voce descobre que tudo que sempre disseram sobre o mundo estava errado. Quando é voce que está lá, tudo ganha um olhar novo. Qualquer sonho sem um passo é só um delírio, mas se voce der o primeiro, já nao precisa sonhar." (Renato Cabral, Adriano Fernandes e Leonardo Agostini)
publicado por Fantinatti | 10:05
Relato #122(ID: 179)
Sábado, 31 de Outubro de 2009
15000 km
Quando saí de Rio Branco pensava em fazer este trecho de mais de 500km em uns 7 dias, mas depois do primeiro dia, quando fiz 103km, pensei que talvez pudesse fazer em apenas 5, ou seja, uns 100km por dia... Até o quarto dia consegui manter uma media proxima dos 100km por dia. Apesar do calor o terreno é plano e nao tinha vento contra. Fiz 103, 83, 107 e 100... nos primeiros 4 dias. Faltavam uns 125km para o ultimo dia, entao saí cedo pra tentar. Meu ritimo estava forte, ando pedalando demais. As vezes mesmo depois de 4 horas debaixo de Sol forte eu ainda tenho a média de velocidade aumentando. No ultimo dia eu ja estava com 89km pedalados e pensava em chegar a Porto Velho de qualquer maneira, mas parei no "Balneario do Souza" para tomar um refrigerante e acabei passando a noite acampado. Um lugar super bacana com quiosques e um rio pra se banhar... rsrs. Entao fiquei nos 89km e hoje de manha fiz os 40km restantes. Cheguei cedo.
Nos ultimos dias venho tendo sorte com os lugares para acampar. Sempre consigo um lugar coberto e protegido da chuva para por a barraca.
Na semana que vem, segunda ou quarta-feira devo tomar o barco que segue a Manaus. Serao 4 dias navegando pelo Rio Madeira até o Rio Amazonas.
No caminho até aqui eu cruzei o Rio Madeira em balsa e impressiona... Ainda aqui, a mais de 3000km da foz do Rio Amazonas o Rio Madeira já é enorme e a temporada de chuvas ainda nem começou pra valer. Impressiona pela largura... A quantidade de agua é incrivel!
Na balsa um rapaz chamado Vanderley me presenteou com 50 reais... disse que gostaria de contribuir com a minha viagem... Nao é a primeira vez que isso acontece na viagem.
O estado de Rondonia tem esse nome em homenagem ao Marechal Candido Rondon, que dentre outras coisas, demarcou boa parte da fronteira brasileira no meio da selva. Tem até uma historia interessante sobre ele: Enquanto abria as picadas no meio da mata, picadas que viriam a se tornar nossas rodovias, ele passava os cabos de comunicação via telegrafo... o mais engraçado é que depois de anos de trabalho e centenas de quilometros de cabos, o telegrafo a radio foi inventado rsrsrs...
Estou com mais de 15000 km pedalados e a viagem vai se encaminhando para seu final. na verdade a cidade final seria Belem do Pará, mas vou seguir um pouco pelo litoral do nordeste enquanto tiver dinheiro pra isso.
Agora vou descansar as pernas no barco porque eu mereço!
publicado por Fantinatti | 5:47:
Relato #123(ID: 181)
Sábado, 31 de Outubro de 2009
Coisas do Brasil - Parte 1
Durante a viagem sempre se cruza com coisas bizarras, engraçadas ou estranhas... No Peru, por exemplo, é comum ver muita gente viajando em cima de caminhoes tanque cheios de combustivel. Neste caso é um exemplo de uma coisa bizarra negativa.
Vou criar aqui no site uma seção para falar de coisas bizarras que ando encontrando pelo Brasil. Quero, principalmente postar coisas engraçadas.
Episódio de hoje: O Pau do Souza
Antes que alguem pense besteira, vou explicar.
Quando cheguei ao Balneario do Souza, a 40km de Porto Velho, conheci Jorge (o proprietario), Fininho e Claudia... resolvi passar a noite la e tambem me banhar no rio.
No meio do Rio tem uma plaquinha escrito: Pau do Souza...
Na Verdade o Pau do Souza é um tronco que fica debaixo dagua no mio do rio e Souza é o nome do antigo proprietario do lugar.
O mais interessant~e é que o lugar virou um pequeno ponto turistico do local. Todos vao para tirar uma foto com o Pau do Souza...
Ninguem nunca o viu, pois a agua é turva, mas da pra senti-lo com os pés... rsrs.
Logo chegou a minha vez de tirar uma foto no local, mas como da pra perceber, eu mentive uma distancia minima de segurança... Vai saber né!
Ah, mudando de assunto... Outro dia falei com o Vincent, que pedalou comigo 45 dias na Argentina. Ele me disse que terminou sua viagem pela America do Sul sem problemas, mas que ao chegar em Paris, roubaram sua bicicleta! inacreditavel....
Agora pouco recebi um email do meu amigo Pablo, do Equador... Esta um pouco bravo comigo pois mudei meus planos e nao segui ao Equador rsrs... É realmente uma pena, mas Equador, Colombia e Venezuela eu vou deixar para uma outra oportunidade!
publicado por Fantinatti | 6:09:
Relato #124(ID: 182)
Terça-feira, 3 de Novembro de 2009
Porto Velho - Rondonia - Brasil
O Hotel
No dia que cheguei acabei ficando num hotelzinho barato... as vezes nao tenho outra opção. Quando cheguei ao hotel entrei com as minhas coisas, paguei e fui pro quarto. Cinco minutos depois eu lembrei que havia esquecido minha bolsinha (onde guardo carteira, celular e passaporte) na recepção. Voltei correndo mas nao encontrei... Aí começou meu susto. Perguntei ao senhor do hotel se ele havia visto a bolsinha... ele me disse que nao. Naquele mmento tive a certeza que tinha sido roubado. Revirei o quarto e nada... Saí na rua procurando alguem suspeito e nada... Entrei e comecei a suspeitar do senhor. Perguntei a ele se alguem tinha entrado lá e primeiro disse que uma moça havia entrado... depois disse que era um casal. Perguntei nomes e pedi pra ele mostrar no livro de hospedes... Me passou um nome de homem e a descrição TOSCA dos dois...
Perder o meu passaporte daria uma mão-de-obra tremenda... e alem do mais, meu celular contem todas as minhas anotacoes sobre quilometragem e contatos importantes. Sobre os cartoes do banco eu nao me preocupei, pois ninguem conseguiria usar sem a senha e eu tenho backup das tarjas magneticas no meu pendrive... ou seja, eu posso clonar meus cartoes se precisar...
Mas fiquei desesperado. Disse ao senhor que iria chamar a policia e saí na rua... e então, milagrosamente, minha bolsinha apareceu em cima da minha bike. hahah... pois é... estranho né...
Marco Aurelio
Bom, No dia seguinte eu nao podia mais ficar neste lugar. Tentei ligar para o pessoal que conheci na estrada, mas ninguem atendeu. Entao dei uma volta pela cidade pra conhecer um pouco. Vi uma banca de revistas e entrei. Foi aí que as coisas começaram a mudar. A dona da banca ficou einteressada na bike e na minha historia e chamou a atenção de um cara chamado Marco Aurelio.... que veio conversar comigo. Marco trabalha numa Radio daqui e tem um montao de contatos com gente da midia. Neste momento apareceu um outro cara e me deu 50 reais de presente... Marco me levou comer feijoada junto com seus amigos e arrumou um lugar super bacana pra eu ficar. Ontem de manhã eu participei de um programa de radio na radio RBN AM... muito bacana... Hoje vou dar uma passada no jornal Folha de Rondonia e talvez o pessoal faça uma reportagem comigo.
Porto Velho foi muito legal!!!
Ja comprei a passagem de barco para Manaus. Ficou 150 reais e tenho uma rede pra dormir... Saio amanha as 11 da manha. Será uma longa viagem pelo Rio Madeira até o Rio Amazonas.
Até Manaus!!!
publicado por Fantinatti | 2:23:
Relato #125(ID: 183)
Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
No coração da Amazonia brasileira
Ja estou em Manaus, a maior cidade as margens do maior rio do mundo. Foram 4 dias de barco de Porto Velho até aqui. Uma viagem muito interessante e tambem muito entediante. Ficar no barco nao é facil. Foi uma viagem de 1350km atraves do Rio Madeira até o Rio Amazonas.
No ultimo dia em Porto Velho eu passei na Radio RBN de novo para dar um tchauzinho para a cidade e fui pro porto tomar o barco a Manaus. No porto conheci dois gauchos que viajaram comigo, Rodolfo e Ulisses. Eles foram de camarote e eu de rede... mais barato.
Depois de 2 dias o barco fez uma parada numa cidade de uns 30 mil habitantes chamada Manicoré. Passamos uma noite lá, no barco, e no dia seguinte tomamos a conexao para Manaus num outro barco, maior e mais bonito. Paramos tambem numa cidade chamada Borba, mais proxima do Rio Amazonas.
Chegamos no Porto de Manaus as 4 horas da manha do domingo e saimos do barco as 7.
Tomar o barco foi muito importante pois o caminho por terra comeca a ficar impossivel nesta epoca e somente pode ser feito com carros 4X4... e mais para o fim do ano alguns trechos ficam realmente impossiveis de cruzar usando qualquer tipo de veiculo.
A viagem foi divertida. Os amigos gauchos dão apelidos para todos no barco rsrsr... Até um casal de turistas alemaes recebeu seu apelido: Gustavo Kuerten e Claudia Ohana rsrsrs ... por N motivos rsrs... Até eu ganhei um apelido: "Malarinha"... vou contar depois... No barco tambem conhecemos um Goiano chamado Carlos.
No ultimo dia no barco eu acordei com uma febre de 39 graus, dor de cabeça e nos olhos... Como nao tinha outros sintomas como garganta ruim ou gripe, eu fiquei bem preocupado com a possibilidade de ter pego Malária. Eu estive muitos dias na selva amazonica no norte de Rondonia, onde existem areas de medio e alto risco. Como eu ja havia me informado a respeito, ja sabia muito sobre a doença.. inclusive conversei com gente doente. Eu sabia que nao podia tomar remedio pois eles mascaram o resultado do exame. Entao passei o dia tomando duchas frias para controlar a febre ao inves de tomar uma medicação.
Quando cheguei a Manaus, um cara daqui que conheci no barco, me levou ao centro de saude. Fui atendido, medicado e fiz o exame que diagnostica a Malaria... Deu negativo. Ainda bem. Mesmo sabendo que Malaria é super comum na regiao amazonica (500 mil casos por ano).
Hoje ja acordei sem febre e acho que era mesmo uma "virose"... rsrsr.. sempre que os medicos nao sabem o que voce tem, eles dizem que é uma virose!
Mas nao fiquei parado. Ontem fomos no carro alugado pelo Ulisses e Rodolfo até uma cidade 110km ao norte de Manaus chamada Presidente Figueiredo e tomamos banho de rio no meio da mata. Fabiano, um paranaense de Londrina que conhecemos, foi com a gente.
Manaus e incrivel. Um desses lugares do mundo onde voce encontra turistas do mundo todo a todo momento. Estou hospedado num hostel do Hostelling Internacional e sai super barato. Pago 21 reais. E sempre cheio de turistas.
Nuestra Mayúscula América
Bom, a America do Sul é mesmo um lugar de superlativos... Depois de cruzar o deserto mais seco do mundo (Atacama, Chile), visitar o maior salar do mundo (Uyuni, Bolivia), visitar o lago navegavel mais alto do mundo (Titicaca, Bolivia e Peru), a capital mais alta do mundo (La Paz), pedalar ao longo da mais longa cadeia de montanhas do mundo (os Andes), estar na região mais austral do mundo (Terra do Fogo), visitar a maior cobertura de gelo fora dos polos (sul do Chile e Argentina)... Agora estou as margens do maior e mais volumoso rio do mundo, no meio da maior floresta tropical que existe!!! Louco não???
Manaus é uma cidade incrivel e devo ficar aqui até quarta ou sexta, quando saem os barcos até Belem do Pará, na foz do Rio Amazonas... Serão mais longos 5 dias de barco...
Depois vou colocar novas fotos no site.. provavelmente ainda hoje. Assim que eu encontrar uma lan house que nao tenha estes sistemas idiotas que bloqueiam tudo que a gente quer fazer e so servem pro usuario comum que só usa MSN e Orkut!!!!!
publicado por Fantinatti | 3:41:
Relato #126(ID: 184)
Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
Longe de casa ha mais de uma semana...
Longe de casa ha mais de uma semana. Milhas e milhas distante do meu amor. Será que ela está me esperando? Eu fico aqui sonhando. Voando alto. Bem perto do céu... (Blitz)
Na verdade, se eu somar os 20 dias que fiquei parado no Brasil em julho, eu ja estou ha mais de 1 ano na estrada!!! rsrsr.
Lembrei de uma coisa que aconteceu no barco. Uma das passageiras era uma mocinha com sindrome de down. Muito divertida e simpatica... Quando eu estava em Porto Velho tomei um sorvete e ganhei um brinde, um brinquedo. No barco eu lembrei que tinha um brinquedo na bagagem e resolvi presentear a menina Judith... rsrsr... Ela adorou , me deu um abraço super demorado e me encheu de beijos rsrs... Uma figurinha realmente. O interessante é que as pessoas com este problema são muito sinceras e amaveis...
Historia de pescador
No Hostel Manaus (que recomendo) conhecemos, ou melhor, está no nosso quarto, um japones muito doido. No começo achamos que ele nao entendia portugues, mas aos poucos ele foi mostrando que sabe pelo menos o basico. Primeiro descobrimos que ele viaja o mundo pra pescar... Achamos bem original... Ele disse que ja pescou na Russia, Mexico, Estados Unidos... e que faz pesca esportiva. Só depois entendemos que ele trabalha num aquario no Japão e o que ele faz na verdade é tirar foto dos peixes exoticos e perguntar se o aquario quer um exemplar... Bom, não sei até onde este negocio é legal e nem como ele envia os peixes... Mas o fato é que ja demos muita gargalhada com o japones doido. Desde a hora que chegamos os gauchos ja o apelidaram de "Fujimori", mas ele não sabe.
Ainda vou ver se vou visitar o encontro das aguas do Rio Negro com o Solimoes. É um pouco caro e vou falar direto com os donos dos barcos e molhar a mãozinha deles. Nao to podendo pagar muito.
publicado por Fantinatti | 11:06
Relato #127(ID: 185)
Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
O encontro das aguas
Ontem fomos ao encontro das aguas que fica aqui pertinho de Manaus. Baixamos o preco de 150 pra 50 !! rsrs
Hoje vou embora de Manaus. Pego o Barco as 3 da tarde rumo a Belem do Para. Serao 5 dias ate la.
Manaus
Esta cidade vai deixar saudade. Eh um lugar muito interessante realmente.
Manaus teve sua epoca de ouro no tempo da borracha. Era uma das mais importantes cidades do mundo. Depois veio a crise e a decadencia.
Com a criacao da Zona Franca de Manaus a cidade voltou a crescer e hoje tem mais de 1,8 milhao de habitantes.
A proxima vez que eu escrever sera da foz do Rio Amazonas, em Belem do Para.
publicado por Fantinatti | 11:44
Relato #128(ID: 186)
Terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Onde o rio encontra o mar
Estou em Belem do Pará, uma cidade de 1 milhao e meio de habitantes que fica na foz do Rio Amazonas. Belem fica numa peninsula e a frente tem a ilha de Marajó, do tamanho da Belgica, que forma o Delta do Amazonas, o local onde o maior rio do mundo encontra o mar.
Aqui é muito quente, mas não tanto quanto Rio Branco ou Manaus. Estou a 1 grau da linha do equador, o que equivale a uns 100km somente. É o ponto mais ao norte da minha viagem. Pra quem ja esteve no sul do continente, a mais de 54 graus de latitude, é uma grande marca.
De Manaus até aqui foram 4 dias de barco, descendo o Rio Amazonas. O rio impressiona pelo seu tamanho, as vezes da a impressao que se esta navegando no mar.
O que é mais interessante é que em Manaus, nesta epoca, o nivel da agua está uns 9 metros mais baixo que na epoca das cheias. Mas quando se vai chegando perto de Belem já não existe um desnivel assim tão acentuado. Ou seja, de Manaus até aqui o barco tem que subir!!! Isso mesmo, embora estivessemos baixando o Rio Amazonas, o barco sobe!!! Parece estranho, mas o meu altimetro confirma isso. É como se a bacia amazonica fosse realmente uma "bacia" e a foz do rio fica numa parte mais alta que o meio... Muito interessante.
No barco eu conheci um fotografo suiço e uma moça colombiana que está fazendo um documentario na regiao amazonica. Inclusive ela fez fotos lindissimas com a minha camera... mesmo nao sendo fotografa, fez o que eu raramente faço: tirar fotos das pessoas.
Daqui de Belem vou pegar a bike de novo. O trabalho vai ser duro mas promete ser recompensado pelas belissimas praias do nordeste brasileiro.
publicado por Fantinatti | 10:26
Relato #129(ID: 187)
Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Mais um aniversario na estrada
Há exatamente 1 ano atras eu ja estava na estrada. Estava em Torres, no Rio Grande do Sul. Passava o dia do meu aniversario sozinho. Hoje, depois de realizar o grande sonho da minha viagem, eu estou no outro lado do país e ainda tentando me acostumar com a ideia que a viagem ainda não terminou.
Desta vez não estou sozinho. Até hoje eu estava com dois caras que conheci no barco. Jonatan e Alessandro.
Aqui em Belem eu liguei para uma moça chamada Nancy, que conheci na Bolivia e domingo vamos, com seus amigos, fazer um passeio até uma localidade proxima a Belem.
Na segunda-feira devo seguir a São Luiz do Maranhão. Se o google maps estiver certo, serão 780km até lá.
Eu poderia voltar pra casa. Tenho um sentimento forte de realização. Mas tambem tenho uma vontade enorme de conhecer o Brasil. Principalmente o nordeste e o Rio da Janeiro.
Eu tenho me impressionado com o tamanho do Brasil. É obvio que o Brasil é grande, mas eu estou falando da quantidade de cidades grandes. Depois de ficar impressionado com Manaus eu agora me assustei com Belem, uma cidade grande e bonita.
publicado por Fantinatti | 7:41:
Relato #130(ID: 188)
Terça-feira, 24 de Novembro de 2009
A Trilha Sulamericana
Eu pensei muito... e cheguei a conclusão que está na hora de terminar a viagem aqui em Belem do Pará.
Belem sempre foi o ponto final da viagem. Durante a viagem eu mudei de ideia e pensei em voltar pedalando até minha casa, mas não encontrei a motivação necessaria para isso. Sinto que ja encontrei tudo o que eu procurava quando comecei.
Eu lembro que na noite antes de sair de casa eu comecei a sentir como era grande o que eu estava me propondo a fazer. Depois, no segundo dia, veio a fratura e a ducha de agua fria na minha cabeça. Fui motivo de piada e eu mesmo cheguei a duvidar da minha capacidade.
Depois que reiniciei a viagem eu ainda tinha todas as duvidas na minha cabeça. A primeira semana foi dura. Chuva, frio e uma tedinite horrivel no meu joelho.
Quando eu olhava a estrada toda a America do Sul caía sobre as minhas costas. Eu mesmo nao consegui acreditar que teria forças para cruzar rodo um continente.
Conforme fui me afastando eu percebi que o segredo era esquecer que eu tinha 15000km pra cruzar e eu tinha que viver dia após dia, ou melhor, eu tinha que cruzar cada quilometro, cada curva... Subir cada ladeira e só me preocupar com a proxima quando surgisse.
Alí termina o Brasil. O ponto mais ao Sul.
Me lembro de um dia no Sul do Uruguai. O calor estava fortissimo. Eu estava a 140km de Colonia del Sacramento e nao tinha mais pesos Uruguaios no bolso. Eu tinha que chegar. E Cheguei. Cruzei os 140km debaixo de um Sol de 40 graus. Cada vez que eu vencia um desafio, sentia mais força para o proximo. Tudo ficava mais facil.
Quando cheguei em Buenos Aires, ainda sem falar espanhol, eu estava no meio de uma cidade enorme, longe de casa. Nao tinha endereços e telefones de ninguem. O calor do verão que começava e o transito daquela cidade quase me enlouqueceu. Enfrentei a cidade. Ninguem ia fazer pra mim. E foi justo em Buenos Aires que eu conheceria o frances Vincent, que ficaria 45 dias na estrada comigo.
Buenos Aires
Começamos a cruzar a Argentina. Eu nao pensava e nao queria pensar na distancia que eu teria pela frente. Simplesmente seguia.
Eu e Vincent em Mar del Plata, Argentina
Durante alguns dias no sul da provincia de Buenos Aires, passamos pelos dias mais quentes da viagem. A foto que segue é o dia que eu tive meus limites fisicos testados ao extremo. Eu simplesmente nao estava suportando mais o calor. Estava totalmente desgastado. Mas conseguimos. Mais alguns dias depois e estavamos entrando na Patagonia Argentina!
Eu e Vincent no Jornal Argentino
Ruta 3, Argentina
Vivemos algumas situações inusitadas, como o piquete perto da cidade de Las Grutas, Argentina. Ninguem passava, mas nós passamos. Com nossa conversa e nossas bicicletas rsrsrs... Foi demais.
Piquete em Las Grutas, Argentina
A Patagonia nos recebeu como ... a Patagonia deve receber quem a quer cruzar, com uma bela chuva de granizo na cabeça. Estavamos apavorados e riamos ao mesmo tempo. No fim do dia acampamos no escuro, na lama e debaixo de chuva. A aventura extrema no Sul das Americas estava começando de fato!
Tivemos que fazer um "desvio" de 400 km para o interior da Argentina, pois os ventos que vinham do oceano nao permitiam que seguissemos.
Logo eu chegaria ao lugar mais isolado e selvagem de toda a viagem: A Peninsula Valdes.
Neste lugar eu vi praias cheias de animais, como focas e leoes marinhos. Estavamos isolados, numa area 3 vezes maior que a ilha de Santa Catarina e sem fontes de agua naturais. Tivemos que racionar agua.
Depois, ja com a companhia do frances max tambem, seguimos até Punta Tombo, uma colonia com mais de 1 milhão de pinguins. Caminho durissimo. Muitos furos no pneu. Tive que ter muita paciencia.
Punta Tombo, Argentina
Agora, Max, Vincent e eu teriamos o proximo desafio: Cruzar uma area enorme da Argentina, onde nao encontrariamos quase nada. Os ventos nos castigavam todos os dias. Tinhamos que revesar e ficar em fila para minimizar os efeitos dos ventos. Me lembro que um dia em que fiquei para tras dos dois. Eu ja estava totalmente desgastado, fisica e mentalmente. Depois de 4 dias cruzando a pampa Argentina com vento contra eu nao aguentava mais. Fiquei pra tras e sem comida. A comida estava com Max a Vincent. Enquanto eu lutava pra conseguir forças e lutava contra o vento, mil coisas passavam pela minha cabeça. Me lembro que no fim da tarde eu cheguei ao meu limite. Gritei, no meio daquele vento fortissimo. Gritei alto, mas ninguem podia me ouvir. Estava com raiva de estar daquele jeito... Não via luz nehuma no fim do tunel rsrs... E então depois de uma subida, ja empurrando a bike, pude ver 1km a minha frente, Max e Vincent. Tinham acabado de encontrar abrigo. Um posto de gasolina abandonado. Passamos a noite nos sacos de dormir protegidos do vento pelas paredes velhas e sujas. De manha dividimos a ultima comida que tinhamos: um pouco de lentilhas. Logo depois cruzamos os ultimos quilometros até Comodoro Rivadavia.
Meu proximo desafio seria seguir sozinho até o fim do mundo! Pedalei dias pela pampa patagonica argentina. Os ventos mudaram e ficaram a favor... Acampando em fazendas e a beira da rodovia, eu consegui chegar a Rio gallegos, aos pés da Terra do Fogo.
Ventos de mais de 100km/h
No caminho a Terra do Fogo e depois já na ilha, eu iria descobrir que aqueles ventos que eu tinha pego antes eram brincadeira. Tive que acampar pelo caminho e em alguns dias tive que conviver com ventos de mais de 120km/h... Me lembro de um dia em que tive que empurrar a bike por 15km. O vento me empurrava com bicicleta e tudo para fora da rodovia de terra. Me lembro que o vento arrancou o paralama dianteiro da bike e apenas pude ver ele voando para longe.
Lutei e nao desisti. Mesmo a pé eu iria chegar a Ushuaia, se fosse necessario. Cheguei a um acampamento de trabalhadores da rodovia e na hora me ofereceram comida... e que comida!!! Acho que viram a situação que eu estava passando na quele momento e viram que eu estava precisando mesmo. Fiquei ali, protegido até o vento diminuir um pouco.
Logo eu estaria a caminho de Ushuaia e veria pela primeira vez montanhas com neve.
Lago Fagnano, Terra do Fogo, Argentina. A primeira vez que vi neve numa montanha
O fim do Mundo!
Eu e o Argentino Matias no parque nacional de Tierra del Fuego, Argentina
Laguna Esmeralda
Depois de Ushuaia eu ainda buscava motivação para seguir. A gloria de chegar ao fim do mundo numa bicicleta foi demais pra mim. Sentia uma força de realização sem precedentes. Mas eu tinha que continuar
Quando saí de Punta Arenas, no extremo Sul do Chile, estava chovendo. Eu estava um pouco desmotivado. Tinha passado a ultima noite numa casa de madeira abandonada a beira da rodovia. Sozinho. Me lembro que um dia um vento frio fortissimo começou a soprar. Pude ver uma tempestade de neve no horizonte e parecia estar vindo na minha direção. Busquei abrigo numa parada de onibus de madeira. Fiquei ali umas 2 horas. O tempo estava horrivel. E foi então que vi um ciclista se aproximando. Eu acabava de conhecer o alemão Ralph, que ficaria 53 dias na estrada comigo.
Ralph
Cruzar o Sul do Chile e parte da Argentina com o Ralph foi muito bom. Do lado argentino, visitamos o Glaciar Perito Moreno. Neste dia o meu queixo caiu de verdade. Imaginem 240km quadrados de gelo, com 60 metros de altura! Um lugar magico realmente.
Ruta 40, sul da Argentina
Cruzar a Carretera Austral, no sul do Chile, foi um grande desafio. fazer mais de 50km por dia é quase impossivel. O relevo e as costelas de vaca na estrada são muito duros. O Sul do Chile é lindo, selvagem e desafiador.
Carretera Austral, sul do Chile
Logo teriamos a companhia de dois norte americamos. Tomas e Zach foram nossa companhia por 2 semanas.
Cruzamos a ilha de Chiloe juntos e seguimos a Chaiten em barco. Ver uma cidade completamente destruida por um vulcao foi uma coisa muito forte. A imagem do vulcao ativo no horizonte era incrivel. E tambem experimentei tremores de terra, coisa que tambem foi novidade pra mim.
Chaiten, Chile
Vulcao Chaiten
A despedida dos meus amigos em Puerto Montt, Chile
Depois eu ja estava sozinho de novo e resolvi cruzar a cordilheira até o lado argentino para visitar Bariloche.
Lago de todos los Santos e vulcao Osorno, Chile
Eu e o argentino Mariano em San Martin de los Andes
Vulcão Villarica, Pucon, Chile
Meu proximo desafio seria cruzar pedalando o Chile central. A parte mais desenvolvida do pais e cheia de cidades. Pisaria pela primeira vez na lendaria rodovia panamericana!
Saltos de Laja, Chile Central
"La Moneda" - El Palacio del Gobierno - Santiago de Chile
Chegar a Santiago foi uma loucura. Talvez mais arriscado que estar sozinho na patagonia. As autopistas nao sao feitas para bicicletas e tive que ignorar algumas placas que diziam que era proibido.
Em Santiago eu conheci o frances Olivier, que em mais 10 dias, cruzaria mais de 500km pelo Chile junto comigo.
Plaza de Armas, Santiago de Chile
Valparaiso, No Litoral do Chile, foi um lugar que me recebeu muito bem. La eu conheci a colombiana Laura Patricia Pardo rsrs... Acho que nao preciso entrar em detalhes, mas ela foi o motivo da minha permanencia de 10 dias em Valpo. Recorde absoluto na viagem.
Laura e eu em Vina del Mar, Chile
Laura e eu em Valpo
(É complicado escrever aqui tudo que vivi... Estou deixando de escrever MILHARES de acontecimentos, porque ficaria impossivel por tudo num site. Esta tudo aqui na minha cabeça...)
Eu ainda tinha metade do Chile pela frente, mas fiz uma pausa na viagem. Uma pausa de 20 dias para ser padrinho do casamento de 2 amigos muito especiais. Enquanto deixava minha bike no Chile e seguia ao Brasil eu só pensava no que teria ainda pela frente. O Deserto de Atacama, O altiplano boliviano, Salar de Uyuni, Lago Titicaca, Machu-Picchu e a selva Amazonica... Uau!!
Quando voltei tinha mais vontade e o desafio agora seria o deserto mais seco do mundo.
Bahia Inglesa, Atacama, Chile
Cruzei o deserto sem conhecer muita coisa. Segui de peito aberto. Sem medo do desconhecido. Em alguns momento eu fiquei 7 dias na estrada. Acampando no meio do nada! Quando minha agua acabava, algum caminhoneiro me dava mais. Esta experiencia foi, talvez, a mais forte da viagem. Era eu e somente eu... alí, naquela imensidão seca!!! Não da pra descrever de verdade!
La Portada, Norte de Antofagasta, Chile
A Bola da vez seria subir. Subir, subir e subir até o topo dos Andes. Dor da cabeça no primeiro dia. Ventos frios e mudança climatica rapida... Tudo novidade.
Meu caminho até a Bolivia foi um dos mais duros. A 4000m eu passei a noite mais fria na barraca. Dez graus negativos. Pela manha eu nao tinha agua para o café, pois estava completamente congelada.
Agora eu teria que me acostumar com as duras estradas bolivianas, com o frio congelante das noites no altiplano e com a pobreza critica dos pequenos povoados.
Pedalar no Salar de Uyuni foi inacreditavel. Uma imensidao de Sal que vai até o horizonte mais distante... Realmente um dos lugares mais extraordinarios da America do Sul.
Valle de la Luna, Chile
Igrejinha de San Pedro de Atacama, Chile
A 4000 metros de altitude, Atacama, Chile
Salar de Uyuni, Bolivia
Quando cheguei a ilha do Sol, no lago Titicaca boliviano, eu ia apenas visitar e tirar umas fotos mas acabei ficando 7 dias lá.. Com uma paisagem alucinante e um ambiante "zen" cheio de amigos... eu nao podia sair de la.
Ilha do Sol, Titicaca, Bolivia
Lago Titicaca e o Monte Llampu
Minha proxima meta e talvez a mais importante desde Ushuaia seria Machu-Picchu. Pedalei como um louco pelo Peru até Cuzco. Entao segui até Machu-Picchu. A chilena Marcela me acompanhou. Caminhamos um total de 5 horas, sendo duas subindo escadas. A primeira olhada em Machu-Picchu é impressionante. Ninguem pode imaginar que haja uma coisa assim no alto de uma montanha antes de ver com seus proprios olhos.
Cuzco, Peru
machu-picchu
Machu-picchu
Agora eu tinha de cruzar a cordilheira e descer até a Amazonia... Este capitulo foi um dos mais alucinentes de toda a viagem. Sair de 4725 metros de altitude com quase zero grau e apenas 3 horas depois estar a menos de 1000m no meio de uma chuva tropical, no meio da selva Amazonica Peruana com 35 graus.... foi inacreditavel.
Seguindo a Amazonia peruana
4725 metros de altitude
Amazonia Peruana
Ainda tive que pedalar mais de 1500km pela selva até Porto Velho, em Rondonia para tomar o barco a Manaus e depois até aqui em Belem.
Selva Amazonica, Rondonia, Brasil
Rio Amazonas, Pará
Tentei contar aqui um pouquinho da minha viagem. É quase um esforço em vão, tentar condensar 365 dias de viagem num punhado de palavras. Chega até a ser estupido... Realmente eu preciso escrever isso detalhadamente e por tudo no papel.
Aqui em Belem termina a Trilha Sulamericana. Tudo que eu busquei, eu encontrei. Encontrei até o que eu nao procurava. Hoje eu me sinto mais forte e preparado para outros desafios. Essa experiencia intensa foi absolutamente incrivel. Vivi intensamente cada dia. Cada dia foi uma surpresa em que eu nao fazia ideia como terminaria.
Tenho uma lista enorme com nomes das pessoas que me ajudaram. Gente que conheci e que de alguma forma contribuiu com meu sucesso. Realmente os sonhos podem ser realizados. Por mais que demore e que pareça uma ideia absurda, os sonhos podem ser realizados. Se voce poe a meta na cabeça e segue sem olhar pra tras.... da certo.
Se eu não tivesse sido um pouco inconsequente, jamais teria conseguido. As vezes, simplesmente seguir e nao questionar é o melhor caminho. Não sente medo quem não sabe dos riscos!
Subir uma montanha, com vento frio na cara, empurrando a bicicleta... devagarinho, um passo de cada vez. Aprendi a ser humilde. Não to falando de fazer carinha de coitado e falar baixinho... to falando de ser humilde em relação aos desafios. Respeita-los, saber que não será facil, mas mesmo assim tentar.
Obrigado a Todos... Ainda vou postar mais algumas coisas aqui no site nos proximos dias.
Na quarta-feira vou voar daqui de Belem até o Rio de Janeiro e depois de alguns dias sigo de onibus até Ourinhos. Quero rever os amigos, passar o fim de ano com a familia. Quero acordar de manha e saber como será o meu dia. Acho que quero um pouco de rotina!!! rsrrs...
Trilha Sulamericana
15378 km em bicicleta 3853 km em barcos 665km em onibus
Total viajado: 19896 km em 365 dias
Meu aniversario, há 3 dias, com meus novos amigos paraenses...
publicado por Fantinatti | 2:18:
Relato #131(ID: 189)
Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
Agradecimentos
Como eu disse, eu tenho uma lista enorme com os nomes de quem me ajudou de uma forma ou de outra... então... la vai:
Agradeço a GSP Loteamentos, Reynaldo Galves Leal, Luciana Leal, Antonio Olinto Ferreira, Martinho Herkrath, Emerson Barea, toto o pessoal da lista de discussão da FATEC, Edu Bala, Fernando Cavezali, Renata Herkrath, Roberto Migliori, Oziel Moreira Neto, a Manaslu, a Ararauna (Rodrigo e Eliana), Tomas (espanha), Lions Club de Ourinhos, Pé na Trilha, Guto (otica paulista), a Tdkom, Clube de cicloturismo do Brasil, Sandro e ciclistas de Ourinhos, Emilio Saad, Rodolfo Bassetto, Dedo (que me deu carona quando quebrei o braço), Dr Tavares, Bombeiros da Rodonorte (paraná), Veronica (curitiba), Denise Simonetti (camboriu), Eugenio Ventura (floripa), Sandro e Ligia (porto alegre), Vera e familia (porto alegre), Leonardo Esch, Bittencourt e familia, Anderson e Luana (circo italiano), Antonio Xavier (Sarandi/RS), Igor e Juliane, Bombeiros do Taim (RS), Herman Yelled (chui), Hugo, Marcos (punta del diablo), Tereza Bahia, Mariana Oliveira, Pablo Sanches (EQU), Cintia e Priscila, Andre, Vincent Degove, Laura (veronica/ARG), Mariana e amigos (g. conesa/ARG), Joana e filhos (g. conesa/ARG), todos os brasileiros que conheci em Mar del Plata, Juan Merlos (ARG), Jorge (pinamar/ARG), Pablo Paglioli (ARG), Juan Pablo e familia (ARG), Leonardo, Maximiliano e Lara (ARG), Joaquim e Luiz (ARG), Nahuel e Familia (ARG), Muriel Zerbetto, Maxime Giordano, Roberto e Quique (ARG), Sol e amigos (ARG), Sodreia (ushuaia), Pablo (colombia), Andy (USA), Pablo, Noelia e Gerardo (Rio Grande/ARG), Matias (ARG), Ricardo (camping Hain), Amyr (israel), Ramon e Luciano (hostel ushuaia), Lindalva e Daniel, Ralph Mertens, Karin Guzman (chile), Conni Zahel (Suiça), Alexia Amerikaner (ARG), Alberto (hostel chalten), Jorge de Villa O Higgins, Hugo da 47 Sur (cochrane), Patricio e Yanuq (casa del rio), José (escola de rio blanco/CHI), Tomas e Zach (USA), Mariano Balzarini (ARG), Victoria Amoroso (ARG), Paola Rugolotto (ARG), Jorge (San Fernando/CHI), Ester e Israel, Barbara Wagner (alemanha), Dayana Reyes (Santiago), Laura Pardo (colombia), Olivier Peyre (frança), Arturo e Fernanda (Chi), Francisco de Zapallar (CHI), Antonio e seu primo (CHI), Ramon (La Serena/CHI), Domingo, Adrian e Javier (Santiago), caminhoneiro peruano Alberto, Andre e familia (CHI), Slavian e Namorada (Uyuni), Waldo Ancasi Mamani (chita/BOL), Juan, Mariano, Fisher e Carlitos (ARG), Soledad e Matilda, Ezequiel e Alfonso, peruana Gabriela (puno), Marcela Fuenzalida (Chile), Graça (assis brasil/ACRE), francisco e Familia (ACRE), Antonio e Familia (ACRE), Lucas e Cidão (Rio Branco), Vanderlei (rondonia), Jorge, Claudia e Fininho (rondonia), Marco Aurelio (porto velho), Ulisses e Rodolfo, Pedro de Manaus, Constanza (colombia), Nancy e amigos (Belem do Pará), a todos os clicloturistas que encontrei pelo caminho (franceses, argentinos, chilenos, brasileiros, poloneses, alemaes, holandeses, sulafricanos, ingleses, austriacos, portugueses, espanhois, suços, norte americanos, canadenses e suecos), a todas as pessoas que nunca conheci e que sempre enviaram uma quantidade enorme de emails para mim... voces não sabem como me motivaram, a meu irmão e meus pais.
publicado por Fantinatti | 7:00:
LIVRO TRILHANDO SONHOS
A selva amazônica e a volta para casa: viva o clímax dessa história no livro!
A Transoceânica na lama, a memória viva de Chico Mendes no Acre e os dias de barco pelo Rio Madeira até Manaus. O desfecho épico de 15.000 km com reflexões que ficam para sempre.
2010 a 2011 • Vídeos históricos, palestras e o nascimento do livro Trilhando Sonhos
Relato #132(ID: 190)
Sexta-feira, 5 de Março de 2010
Primeiro Vídeo editado depois da viagem
Pessoal, finalmente editei um vídeo da viagem. Ainda não está do jeito que quero, mas aos poucos vou melhorando as edições.
Outra novidade é que meu livro está indo bem. Já escrevi bastante e creio que esteja chegando à metade. Ta sendo uma experiência muito interessante escrever.
publicado por Fantinatti | 3:33:
Relato #133(ID: 191)
Terça-feira, 4 de Maio de 2010
Segundo Vídeo editado depois da viagem
Pessoal, segue a segunda edição do material de vídeo da viagem (disponível em HD no YouTube).
publicado por Fantinatti | 10:17
Relato #134(ID: 192)
Segunda-feira, 10 de Maio de 2010
Reportagem na revista + Saúde / Ourinhos
Aventura em duas rodas pela América do Sul. Loucura ou realização?
Thiago Fantinati saiu de Ourinhos com 28 anos e retornou com 30, cruzou seis países, enfrentou gelo, deserto e selva. Tudo isso, acredite, montado numa bicicleta.
“Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser.” (Amyr Klink)
Você teria coragem de pedir demissão de um emprego estável de 7 anos, terminar um relacionamento, montar numa bicicleta e sair pedalando numa viagem de mais 15 mil km por 6 países da América do Sul? Pois foi o que fez o analista de sistemas, fotógrafo e web designer ourinhense Thiago Fantinati, 30. É bem provável que muitos leitores respondam a pergunta acima com a resposta não, mas boa parte desses mesmos devem admitir que adorariam viver uma aventura com essa, apesar da falta de coragem ou do excesso de sensatez. “Eu quero tranqüilidade na minha vida?”, andava perguntando-se o aventureiro das duas rodas depois de conquistar equilíbrio na vida pessoal e profissional. “Lembro que com 13 anos cheguei a mostrar a um primo o mapa do cone sul, exatamente o percurso que trilhei 17 anos depois”, rememora. Segundo Thiago, alguma coisa dentro dele cobrava a execução do sonho de adolescente. “Parece que alguma coisa me empurrava para essa viagem, conforme eu ia me preparando as coisas iam acontecendo, dando certo, me jogando para a estrada”, conta. Thiago admite que não tinha certeza que era possível cumprir o planejado – durante um ano, de 2007 a 2008, colocou no papel o que chama de Projeto Trilha Sul Americana. Também treinou nesse período. Além de pedaladas pelas rodovias da região, chegou a fazer o trecho de Curitiba (PR) a Florianópolis (SC) numa viagem de uma semana, totalizando 7 mil km sobre sua bike. Algumas pessoas – poucas, é verdade – se lançam a desafios como esse e a impressão que fica é que se não agem dessa forma tornam-se infelizes. Fã confesso do navegador Amyr Klink, que, por diversas vezes, enfrentou solitariamente numa pequena embarcação os mares gelados da região antártica, Thiago parece integrar esse seleto grupo de pessoas que possui o gene da aventura acima da razão. Mas, por que alguns indivíduos sentem essa necessidade aflorar no seu íntimo? O mesmo Amyr Klink tentou responder à curiosidade dos mais cautelosos e centrados com a seguinte colocação: “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. No relato de Thiago, a sensação de liberdade extrema se mostrava, a cada quilometro, o principal combustível de sua viagem sobre duas rodas. “Quanto mais longe de casa, da minha cidade, do meu país, mais livre eu me sentia”. Thiago conta que sabia como seu dia iria começar, mas não como iria acabar. Às vésperas da viagem, entretanto, um certo receio passou a ocupar espaço na cabeça do ciclista. Era medo. Justamente no momento de começar a realizar seu sonho maior. “Eu não me sentia bem”. Thiago acredita que essa insegurança motivou o acidente que sofreu a apenas dois dias de viagem. Ele sofreu uma queda numa descida de serra, próximo ao município paranaense de Ibaiti, onde foi socorrido, mas liberado. De volta a Ourinhos, com fortes dores num dos braços, foi diagnosticada fratura pelo médico ortopedista Antônio Tavares. “Retardei minha viagem em quase um mês, esperando minha recuperação, e retomei-a do mesmo ponto onde caí”, lembra. O gesso usado na imobilização foi deixado no local do acidente como forma simbólica de cessar o receio que o abateu no início da jornada. “Eu pensava muito no tamanho da viagem, na quantidade de quilômetros que teria que percorrer, até que mudei o foco, passando a pensar somente em cada dia”. Thiago revela que essa mudança de pensamento ocorreu após uma semana de estrada. “Muitas vezes cheguei a pensar porque estava fazendo aquilo, diante das dificuldades que enfrentava, mas, da metade do meu percurso em diante todas as preocupações cessaram”. Thiago cortou os estados brasileiros do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul na primeira etapa. Seguiu pelo Uruguai, Argentina (incluindo a Península Valdes e a Terra do Fogo, na Patagônia), adentrou ao Chile (ladeou a Cordilheira dos Andes e rasgou o deserto do Atacama – a região mais árida do mundo). Já em solo boliviano, Thiago pedalou em pleno Salar Uyuni. Passou pelo Peru, subiu até a cidade milenar de Machu-Picchu, avançou nos Andes peruanos (4.725m de altura), até desembocar, de volta ao território brasileiro, na selva amazônica. Passou na porta da casa de Chico Mendes, em Xapuri (AC), navegou pelo rio Amazonas até Belém, onde deu sua viagem por encerrada, após exatos 365 dias. Ao contrário do que se possa imaginar, Thiago ganhou peso durante sua viagem. Dos 60kg, saltou para 64kg. “Na verdade, ganhei massa muscular. Somente na Bolívia caí para 58kg por conta de uma intoxicação alimentar”, explica. Efeito colateral da viagem só agora Thiago começa a perceber. Relata que se sente triste, não adaptado ainda à rotina da sua cidade. Afirma sentir falta dos níveis de adrenalina e endorfina que sua aventura produzia. “É como se estivesse sub-utilizado”, desabafa. Como motivação para essa fase pós-aventura, Thiago se dedica a editar suas fotos e vídeos e a produzir dois livros. “Quero fazer um vídeo documentário, tenho muitas imagens, e também um livro de fotos e outro registrando toda a experiência que vivi”, planeja. Thiago afirma que é preciso ter grande capacidade de desprendimento para encarar um desafio como o que enfrentou. “E não é fácil. Não é porque eu fiz que vou dizer que é fácil. Não, foi muito difícil”. Nos planos, além de colher frutos com os registros que trouxe na bagagem, Thiago intenciona se mudar para São Paulo, onde estaria estrategicamente mais perto de “outros vôos”. Outra aventura como essa? Sim, porque não? Thiago já desenha o trajeto de um tour pelo sul da Europa.
Palestra para alunos da 7ª série - Colégio Polis - Ourinhos
Realizei uma palestra de mais de 3 horas para uma turma de alunos da 7ª série do Colégio Polis de Ourinhos. Foi o primeiro trabalho deste gênero depois da viagem. Meu projeto sempre visou este tipo de atividade e pretendo realizar coisas assim mais vezes. Foi uma experiência realmente muito boa estar com eles e poder contar algumas histórias da viagem.
Abaixo algumas fotos tiradas com os alunos:
publicado por Fantinatti | 5:03:
Relato #136(ID: 194)
Quarta-feira, 2 de Junho de 2010
Photo-Vídeo ''Gente'' 210 fotos
Pessoal, fiz uma coletânea de 210 fotos de pessoas que cruzaram meu caminho durante um ano de viagem. Obviamente algumas pessoas ficaram de fora, pois nem sempre registrei em fotos.
publicado por Fantinatti | 3:41:
Relato #137(ID: 196)
Sábado, 16 de Abril de 2011
Palestra no SESC SP Consolação
No dia 26 de março dei uma palestra sobre a viagem no SESC Consolação em São Paulo. Foi uma experiência realmente muito boa. Na ocasião havia mais de 50 pessoas, entre desconhecidos e amigos. Foram quase duas horas de bate-papo sobre cicloturismo e sobre a Trilha Sulamericana. Abaixo algumas fotos:
publicado por Fantinatti | 3:47:
Relato #138(ID: 197)
Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011
Lançamento do livro: Trilhando Sonhos
Gostaria de compartilhar a alegria do lançamento do livro que conta minha aventura: Trilhando Sonhos. Resultado de 19 meses de trabalho
O livro está publicado pelo Clube de Autores. Segue link com sinopse:
Gostou de reviver o diário? Tenha essa história física em suas mãos!
O diário de bordo foi a semente, mas o livro Trilhando Sonhos é a obra definitiva: edição impressa de alta qualidade, QR Codes para galerias de fotos de época e uma narrativa que já inspirou milhares de leitores.